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“Mais do mesmo”, por Solange Jurema

16 de setembro de 2015

Pressionado pelo estouro de suas contas e o rombo que ele mesmo produziu para garantir a reeleição da presidente Dilma Rousseff, o governo petista voltou a usar sua velha fórmula: fazer mais do mesmo. No caso, passar para a sociedade a conta dos descalabros realizados.

Sem cerimônia, o governo Dilma Rousseff transferiu para toda a sociedade – população, empresários e trabalhadores – o ônus de arcar com o pagamento da irresponsabilidade fiscal que cometeu em 2014, que varia da ordem de 40 a 80 bilhões de reais, de acordo com interesses políticos do analista em questão.

Símbolo maior do estilo “mais do mesmo” a volta da CPMF (Contribuição sobre Movimentação Financeira) depois de oito anos é também a síntese da maneira petista de governar: se tem problema de caixa, busque-se a solução no conjunto de trabalhadores e empresários para resolvê-lo, aperte-se mais o cinto do povo brasileiro.

Infelizmente, o Planalto pode fazer isso, em tese dispõe de apoio político para tentar impor à sociedade uma carga tributária ainda maior. Como sempre, usa e abusa, embora se espere que o Congresso Nacional recorra ao seu poder de veto e barre mais essa investida do governo petista ao bolso dos trabalhadores.

É uma situação bem diferente de quem não pode recorrer a terceiros para pagar suas contas, como qualquer uma das milhões de donas de casa no Brasil que arcam sozinhas com as despesas do seu lar – 40% delas no país.

Imagine como seria fácil para essa brasileira – e para todos – se pudesse recorrer aos vizinhos para cobrir suas despesas estouradas com o abuso do uso de cartão de crédito porque gastou mais do que seu orçamento domestico.

Essa mulher não pode, a presidente Dilma Rousseff, sim.

A quase certa reação do Congresso Nacional, a união dos partidos de oposição e do povo nas ruas deve frear a sanha arrecadatória do governo petista.

A ressurreição da CPMF carrega consigo um valioso ícone da recente politica brasileira: o salutar hábito adquirido pelo povo de ir às ruas e protestar contra os arbítrios governamentais; os vinte centésimos da alíquota de 0,20%, número mágico que colocou multidões nas ruas brasileiras por causa do reajuste das passagens de ônibus, em 2013.

O povo disse não aos 0,20% dos ônibus e o Congresso Nacional, apoiado por ele, dirá não à alíquota de 0,20% da CPMF.

*Solange Jurema é presidente do Secretariado Nacional da Mulher/PSDB