Você está em:
IMPRIMIR

“Um alerta para todos nós”, por Thelma de Oliveira

19 de dezembro de 2012

O massacre na escola Sand Hook, em Newtown, Connecticut, nos Estados Unidos, que resultou na morte de 27 pessoas, a maioria delas criança, é um alerta para todos nós políticos, professores e pais dos jovens brasileiros.

Sim, também para nós no Brasil, porque, infelizmente, já conhecemos essa triste realidade de um jovem mentalmente perturbado ceifar vidas de inocentes e indefesas crianças em pleno começo de vida, brutalmente interrompida.

O que todos se perguntam e não encontram resposta é: porque isso? Como pode acontecer, e se repetir, um episódio tão horrendo e que atinge a cada um de nós de maneira profunda, principalmente ao vermos as cenas na televisão, o desespero de crianças, de adolescentes, de pais e mestres. Vale uma reflexão sobre a sociedade em que vivemos e, mais ainda, a que estamos construindo em nosso lares, em nossas escolas, na política.

Temos que refletir sobre os valores que nós, pais, educadores, e políticos estamos passando para essas crianças. Em tempos de I Phone, Pad, Pod e outros “I” da vida, em casa nossos filhos parecem se dedicar mais ao aparelho que usam do que aos relacionamento tête-à-tête.

É o mundo do “eu”, do “eu” e do “eu”, sempre acompanhado de um pequeno, médio ou grande teclado para nos conectar com o mundo, mas não com o próximo – pai, mãe, irmão, amigos.

Na escola, aprende-se a manusear todos esses “I”, mas perdeu-se a lição de respeito, de autoridade e disciplina essenciais na formação de um ser humano. No Brasil, repetem-se cenas de agressões a professores perpetradas por alunos que, em alguns casos, sequer são punidos e, em alguns casos, apoiados por pais.

Parece não haver mais solidariedade, não se agradece mais, não se dá mais um abraço afetuoso de amizade, de companheirismo, de amor.
Nas salas de aula aprende-se mais como se marca um “x” do que o conteúdo, os valores que vem junto com a História do Brasil ou com a História da Humanidade – como por exemplo o ideal de Tiradentes ou os princípios da Revolução Francesa de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”.

Educar não é só repassar conhecimento e exigir aprendizado e boas notas. Educar não é só preparar para os nossos exames seletivos do tipo Enem ou para os vestibulares.

Educar, tanto na escolas como nos lares, é formar pessoas, é ensinar valores, mostrar como agir, como se comportar, como ser solidário numa sociedade tão injusta como a brasileira.

Educar é ensinar Ética, Moral, é dar o exemplo, o bom exemplo – e isso vale na escola, em casa e na política. O saber é tudo isso: conhecimento, valores, amor e respeito.

Está evidente que, no caso norte-americano, alguma ação do Governo se fará presente, como estabelecer algum tipo de restrição ao uso indiscriminado de todos os tipos de armamentos. O presidente Barak Obama já sinalizou nesse sentido.

Aqui no Brasil, que convivemos com apenas um caso ocorrido em uma escola no Rio de Janeiro e que maculou a alma da nação, a restrição ao uso de armas deve ser ampliado.

Porém, o mais importante, é que cada de nós, com responsabilidade social – um pai, uma mãe, um professor e um político – aja com respeito, dignidade e responsabilidade, lembrando sempre que aqueles pequenininhos estão nos vendo diariamente com os olhos maiores do que o nosso mundo adulto pode