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“Obama, Dilma, promessas e a propaganda enganosa”, artigo de Thelma de Oliveira

13 de abril de 2012

Em sua recente visita aos Estados Unidos, a presidente Dilma Rousseff deve ter conhecido um pouco mais da realidade da mulher norte-americana, a partir de um balanço realizado pelo presidente Barack Obama. “Temos muito o que fazer. Mas, sem dúvida nenhuma, já conseguimos muitos e significativos progressos”, disse Obama, ao relatar as suas realizações em três anos de governo voltadas para as mulheres.

Com certeza, a presidente brasileira não pode dizer o mesmo dos seus 15 meses de governo! Muito falou, mas pouco fez pelas mulheres do seu país.

Se, nos EUA, as mulheres ganham, em média, 77% do que os homens recebem pela jornada de trabalho, no Brasil, em algumas regiões, elas não conseguem ganhar 30% dos que os homens!

Se, nos EUA, 2,3 milhões de mulheres receberam bolsas de estudo aqui, no Brasil, não há qualquer programa ou mesmo uma pequena iniciativa para beneficiar meninas estudantes que querem chegar aos bancos universitários.

Se nos EUA, mais de 20 milhões de mulheres tiveram mais acesso e se beneficiaram de programas de saúde, aqui, nas terras brasileiras, a imprensa relata diariamente casos de mulheres que morrem nas filas dos hospitais por falta de atendimento e de políticas públicas sérias e consistentes voltadas para elas.

Com quase um ano e meio de governo, a presidente Dilma Rousseff não obteve sucesso em relação a melhorar a qualidade de vida das mulheres brasileiras, que chamou de “irmãs” em seu pronunciamento em cadeia de rádio e televisão no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

Num rasgo de quase delírio de propaganda oficial, a presidente Dilma Rousseff parecia falar de outro país, de outro governante, prometendo o paraíso na terra, ou melhor no Brasil.

Como imaginar que a Presidente da República de um país com as dimensões e a complexidade de problemas do Brasil possa ficar assistindo, em monitores, como as mulheres estão sendo atendidas nos hospitais do país? Essa foi a sua promessa final no pronunciamento do dia 8 de março, que mais parecia o dia 1 de abril!

Demagogia pura!

Demagogia barata e que ofende a sensibilidade e a inteligência femininas aqui ou em qualquer outro lugar do mundo.

Nós, do PSDB-Mulher, continuaremos atentas às seguidas tentativas de manipulação política das mulheres pelo atual governo, via propaganda enganosa, desmascarando os números oficiais.

Aliás, tarefa relativamente fácil porque mais do que discursos, a brutal realidade da mulher brasileira é o cabal desmentido dos quase devaneios da presidente da República.

Basta olhar o pífio desempenho do seu governo na condução dos projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o cancelamento da instalação de UPPs em todo o país e o atraso na construção de creches e UPAs 24 horas, como denunciou nossa companheira Andreia Zito, deputada federal pelo Rio de Janeiro.

Os números do PAC são devastadoras para a administração de Dilma Rousseff: apenas 8 das 114 obras de saneamento básico em municípios com mais de 5 mil habitantes foram concluídas!

Segundo o Instituto Trata Brasil, 60% dos canteiros de obras do PAC estão paralisados, ou quase paralisados ou sequer foram iniciados. – só 33% dos projetos estão sendo tocados sem atraso. É um absurdo!

Quando se trata da promessa de construção de 6.500 creches em seu governo, os números são piores ainda. A promessa era a de que de 2.100 seriam construídas até 2012. Simplesmente nenhuma obra foi iniciada neste ano! Outro absurdo!

A incapacidade administrativa e gerencial do governo Dilma Rousseff se evidencia, também, na inabilidade política em tratar de assuntos do maior interesse público, como na renegociação da dívidas dos Estados.

Iniciada no governo de Fernando Henrique Cardoso, o processo de ajuste da dívidas estaduais é fundamental para a saúde financeira de todas as unidades da Federação bem como o equilíbrio entre os entes federativos. Na ocasião, o presidente Fernando Henrique fez o Plano Real e acabou com a inflação, o Plano Nacional de Privatização que mudou a telefonia no país, e a Lei de Responsabilidade Fiscal, contra o qual o partido da presidente Dilma Rousseff votou contra.

Como bem disse o senador Aécio Neves, ex-governador de Minas Gerais, em discurso no plenário da Casa, há um grave risco de alguns estados simplesmente entrarem em falência por causa da abusiva taxas de juros e encargos cobrados pela União.

É urgente, como ele bem alertou, a mudança do índice de correção das dívidas, o IGP-DI, pelo IPCA, mais adequado na atual realidade econômica do país, que atinge duramente os Estados.

Não é possível que o governo Dilma Rousseff continue usando dois pesos e duas medidas, emprestando dinheiro público para empresas privadas a taxas menores do que pactua com Estados. É uma clara discriminação que pode se tornar cara para os Estados, a própria União e a população, que no final das contas é quem paga a conta.

Thelma de Oliveira
Presidente Nacional do PSDB-Mulher