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Serra: “Maior sucesso de Lula foi não ter jogado o Plano Real pela janela”

13 de setembro de 2010

José Serra mostrou – mais uma vez – ser o mais preparado para governar o Brasil. Em debate entre os candidatos à presidência realizado pela RedeTV na noite deste domingo , o candidato da coligação O Brasil Pode Mais enfrentou com tranquilidade as perguntas feitas pelos jornalistas e pelos adversários, mostrando firmeza em suas afirmações e conhecimento dos problemas da nação.

No primeiro bloco, respondendo a pergunta feita pelo jornalista Kennedy Alencar, Serra afirmou que o maior sucesso do governo Lula foi “não ter jogado pela janela o Plano Real, uma conquista dos governos Itamar Franco e Fernando Henrique. Eles também cumpriram a Lei de Responsabilidade Fiscal, que o PT entrou na Justiça para derrubar”.

Segundo o tucano, o governo federal, na área econômica, fez aquilo que dizia “que não ia fazer” e graças a isso pôde aproveitar a conjuntura excepcional de aumento dos preços internacionais.

Porém, o candidato do PSDB recordou dos diversos fatos desabonadores da atual gestão: corrupção (“mensalão”, “aloprados”, violação de dados, etc.), aparelhamento da máquina pública, déficit em saneamento básico, queda no nível educacional e piora na área da saúde.

“A democracia desse governo usa o aparelho legal para proteger os companheiros e perseguir os adversários”, disse José Serra ao recordar do caso de quebra dos sigilos fiscais de sua filha, genro e de colegas de partido. “Esse trabalho, aliás, foi atribuído ao Fernando Pimentel, que está coordenando a campanha da Dilma, é homem de confiança da candidata do PT. Eu não faço ‘rumores’”.


Disputa Eleitoral

Dilma afirmou que Serra está usando a questão da violação de dados sigilosos na Receita Federal como disputa “eleitoreira”. Serra, em direito de resposta, disse que as questões “não são eleitoreiras. Elas envolvem a democracia”. E completou: “A Casa Civil é um foco de corrupção. São vários escândalos que envolveram até os Correios, que era uma boa empresa no passado”. Para ele, a Receita oculta os fatos atuais, o que “é inadmissível”.

No final do segundo bloco, Serra fez um alerta: “Todo mundo me conhece, sabe da minha vida. Já no caso da minha adversária (Dilma), não dá pra dizer o mesmo. Aliás, ela está demonstrando ser muito evasiva”.


Habitação

O candidato do PSDB criticou o programa habitacional do governo federal. “Eles propagandeiam que fizeram um milhão de casas, mas só fizeram 150 mil, e menos de 5% foi para quem ganha menos de três salários mínimos”. “Casas não são construídas com saliva”, completou.


Desastres Naturais

O candidato tucano também respondeu questões ligadas ao meio-ambiente, aos desastres naturais: “Vou criar uma Defesa Civil permanente, uma Força Nacional estável que vai articular vários ministérios para reagir mais rapidamente no caso de um desastre natural”.

Segundo ele, não existe atualmente um trabalho organizado nessa área: “É uma anarquia. Por exemplo: o governo federal reagiu muito tarde no desastre provocado pelas chuvas de Santa Catarina”, recordou.

Serra também afirmou que é necessário ter um trabalho permanente, com técnicos de diversas áreas mapeando áreas de risco por todo o País. “O problema é federal. É preciso ter uma tropa nacional para prestar assistência aos estados. Hoje, a ajuda federal para desastres naturais é mínima, muito demorada”, concluiu.


Enxugar a máquina

Para destinar mais verbas para a área da Saúde, Serra defendeu uma política econômica sustentável, geradora de mais receitas: “Existe muita gordura para ser queimada. O governo federal é um cabide de empregos, não tem preocupação com custos”, lembrou. “A Saúde é uma das minhas prioridades. Nesse governo, ela andou para trás”.

Serra lembrou que, quando ministro da Saúde, articulou no Congresso a Emenda Constitucional 29, que garante um piso mínimo para investimentos federais na Saúde. “Esse governo não se esforçou para regularizar a Emenda – pelo contrário, não deixou que se votasse uma lei regulamentando a medida. E com isso a Saúde saiu prejudicada”.


Política Fiscal

Sobre a política de juros, Serra demonstrou que é preciso um ajuste: “Eu sou um crítico da atual política fiscal. O Brasil tem a maior taxa de juros do mundo. No meu governo, os juros vão cair e terão uma redução responsável, que não traga perturbações para a Economia”.

Serra ressaltou que o governo federal gasta 160 bilhões de reais com juros. “Esse gasto precisa diminuir para facilitar a realização do superávit primário que a economia precisa ter. Só que é um custo muito menor do ponto de vista social”. 


Saneamento Básico

O baixo investimento do governo federal em saneamento básico foi citado pelo candidato do PSDB. “Até 2009, o governo investiu muito menos do que o governo anterior fez em oito anos”. Segundo Serra, o saneamento no Brasil é uma necessidade premente. “Basta dizer que 12 milhões de casas não têm água potável e 32 milhões não têm rede coletora de esgoto. Aliás, o atual governo aumentou o imposto sobre saneamento”.


Confiança

Ao final, José Serra mostrou otimismo com a campanha, certeza na virada. “Toda a energia que eu tenho tido nessa campanha vem fundamentalmente do meu contato com as pessoas: o olhar, as palavras, os abraços. Muita energia. E o que eu tenho a oferecer? O meu valor democrático, respeitando as pessoas, os adversários, as famílias, filhos e netos de adversários. Tirar as coisas do papel, fazer acontecer, fazer da economia brasileira uma economia forte, eliminar os atrasos na educação, segurança e saúde. Juntos nós temos toda a condição para isso”, encerrou.

Fonte: Agência Tucana