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PF investiga se ex-presidente da Valec pagou propina

11 de julho de 2012

Corrupção no governo federal do PT

Assessor de senador teria intermediado ação; à polícia, Juquinha negou suborno

 

Gravações da Polícia Federal apontam que o ex-presidente da Valec José Francisco das Neves, o Juquinha, teria subornado funcionárias da Valec Engenharia, do Ministério dos Transportes, para produzir documentos e, com isso, favorecer a defesa dele em processos contra corrupção na construção da ferrovia Norte Sul. Um dos supostos intermediários da propina seria Mauro Barbosa da Silva, ex-chefe de gabinete e hoje assessor especial do senador Alfredo Nascimento (PR-AM), ex-ministro dos Transportes.

Na operação, a Polícia Federal gravou conversas do deputado Valdemar Costa Neto (PL-SP) e o do senador Vicentinho Alves (PR-TO), conforme revelou O GLOBO. Os dois se articularam para evitar a demissão de antiga diretoria da Valec e, com isso, proteger Juquinha. O ex-presidente da Valec foi solto ontem depois de passar cinco dias preso. O ex-presidente da Valec a mulher e um dos filhos são acusados de ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro, supostamente desviados da obras de construção da ferrovia Norte-Sul. O patrimônio do grupo teria crescido mais de 1.000% no período em que esteve à frente da Valec, de 2002 a 2011. Laudos da PF apontam desvios de R$ 130 milhões em obras só em Goiás.

Pelas investigações, Mauro teria intermediado pagamento de propina a Maria Emília da Costa Lamar e Marineide Pereira da Silva, chefes da Assessoria de Controle Interno da Valec. As duas são acusadas de preparar documentos para facilitar a defesa de Juquinha na ação em que ele é acusado de improbidade administrativa pelo procurador da República em Goiás Hélio Telho.

As referências às negociações aparecem em vários diálogos entre Juquinha, Silva e as funcionárias da Valec no início deste ano. “No áudio, Juquinha pede a Mauro Barbosa para conversar com Cajar, a fim de ver o negócio da Maria Emília, pois ela trabalhou, ou seja, confeccionou os relatórios e ainda não recebeu”, informa a polícia ao descrever uma conversa entre Juquinha e Mauro. Cajar Onésimo Ribeiro Nardes é um dos dirigentes do PR, partido que controlava a Valec.

Num dos diálogos interceptados pela PF, em 17 de janeiro, Juquinha e Marineide falam sobre um contrato da Valec com a empreiteira Constram, que está sendo alvo de denúncias. Juquinha diz que “tem que responder no dia 30, aquele negócio do TCU”. Do outro lado da linha, a fiscal responde: “a gente está cuidando, viu ?”.

À PF, Juquinha negou que tenha oferecido propina a Emília e Marineide. Sustenta que as duas foram contratadas pelo PR para prestar consultoria ao partido, mas não disse o valor. Por lei, as duas funcionárias não poderiam atuar como fiscais e, ao mesmo tempo, prestar serviços a acusados de desvios de conduta. Procuradas pelo GLOBO, Maria Emília e Marineide não foram localizadas.

A Valec informou que, na semana passada, as duas foram afastadas de suas funções por 30 dias, por determinação da 11ª Vara Federal de Goiás. Mauro Barbosa não retornou os recados deixados pelo jornal no gabinete de Alfredo Nascimento e no celular dele.
Fonte: O Globo