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Mercado reduz PIB para 2,18%

26 de junho de 2012

Relatório Focus corta pela sétima vez previsão de crescimento da economia para este ano e pesquisa mostra atividade fraca em abril, o que reforça as expectativas de desaceleração

A “piada” contada pelo banco europeu Credit Suisse ao mercado brasileiro na semana passada – quando a instituição previu crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,5% em 2012 – pode voltar a ressoar nos ouvidos do ministro da Fazenda, Guido Mantega. A cada nova semana, especialistas revisam para baixo a expansão da economia brasileira e já a aproximam dos 2%. Segundo levantamento do relatório Focus divulgado ontem pelo Banco Central, os cerca de 100 analistas de mercado esperam PIB de 2,18% para este ano contra previsão anterior de 2,30%, sendo esta a sétima redução consecutiva, iniciada em 4 de abril. O próximo ano não passa ileso e também teve crescimento ajustado, ao cair de 4,25% para 4,20%.

Indicadores da atividade econômica como o da Serasa Experian, que revelou crescimento nulo do PIB nacional em abril na comparação com março, ajudam a traçar o cenário de pessimismo. “Desde quando foi divulgado o resultado do primeiro trimestre, abaixo do esperado, já ficou desenhado que o processo de recuperação seria mais difícil”, observa o economista da Serasa Experian Luiz Rabi. “O dado de abril vem na esteira dos primeiros três meses do ano, dando sinais de que o crescimento do segundo semestre também deve ser baixo”, acrescenta o especialista.

Na comparação com o mesmo mês do ano passado, houve crescimento de 0,6% da atividade econômica, fazendo com que no acumulado do primeiro quadrimestre de 2012 a variação do indicador atingisse 0,8% contra o mesmo período do ano passado. Já no acumulado de 12 meses encerrados em abril, a atividade econômica avançou 1,7%, menor que a taxa de 1,9% que foi registrada no acumulado de 12 meses encerrado em março. “A redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para carros pode até contribuir para uma pequena melhora dos resultados, mas nada que mude muito a cara do segundo trimestre”, pondera Rabi.

Para o sócio-diretor da Global Financial Advisor Miguel Daoud, o ano deve se encerrar com crescimento da economia abaixo de 2%. “Avalio que ficará entre 1,5% e 2%”, pondera. A nebulosidade que paira sobre a Europa e a dificuldade de recuperação dos postos de trabalho nos Estados Unidos ajudam a compor o cenário de incertezas. “Na Europa adotam-se medidas paliativas que não resolvem e não convencem o mercado”, afirma. A paralisação de investimentos diante de perspectivas pouco promissoras contribui para travar a expansão. “Apesar da queda da taxa Selic, não temos um ambiente de negócios. Por isso acredito que o Boletim Focus está começando a se ajustar à realidade que vivemos”, avalia Daoud.

Dívidas O alto endividamento das famílias funciona como mais uma barreira à expansão por meio do consumo interno. “Não existem no horizonte indicativos de que as medidas do governo surtirão os efeitos esperados, e, se surtir, serão pequenos”, prevê Daoud. Para Rabi, que compartilha da mediana de crescimento da economia prevista pelo mercado, a inadimplência tende a cair lenta e gradualmente no segundo semestre. “Mas os efeitos da desobstrução do crédito só devem ser vistos no último trimestre”, avalia.

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getulio Vargas recuou 2,8% entre maio e junho de 2012, ao passar de 127,1 para 123,5 pontos. Pelo segundo mês consecutivo, houve piora da avaliação sobre o momento atual e diminuição do otimismo dos consumidores em relação aos meses seguintes.

 

Fonte: Estado de Minas