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Liberdade e tolerância: as ideias vitoriosas – artigo do deputado Marcus Pestana

9 de maio de 2011

MARCUS PESTANA

Deputado federal (PSDB-MG)

 

O mundo é movido a ideias e sonhos. O ser humano é o único capaz de romper com a lógica adaptativa e, abastecido por utopias, transformar a realidade. Foi assim na ruptura com as monarquias absolutas. Surgiram constituições limitando o poder e a economia de mercado como expressão da liberdade individual. A democracia liberal e a consolidação das economias de mercado dominaram o século XIX. Mas no seu útero nasceu sua própria contestação. A crítica às desigualdades sociais brotou nos movimentos sindicais e socialistas. As respostas foram a revolução de 1917 na Rússia e a emergência da social-democracia na Europa. O esgotamento da via diplomática nos levou a duas grandes guerras mundiais. Resultou a Guerra Fria. A polarização entre as ideias de liberdade e igualdade dominou o cenário. O desabamento do mundo socialista, a partir do fim da URSS e da queda do Muro de Berlim, mostrou que a conquista do paraíso de um mundo justo não era tão fácil. Não há caminho para a equidade fora da liberdade. As sucessivas crises do capitalismo e as abissais desigualdades entre pessoas e povos evidenciaram que não basta a liberdade formal, é preciso substância.

 

O mundo mudou. A Guerra Fria é só um triste quadro na parede. A globalização desafia a autonomia dos Estados nacionais. A preocupação ambiental desafia a lógica produtivista anterior. A afirmação da cidadania plena para todos se impôs como imperativo ético. A economia de mercado continuou produzindo turbulência. A social-democracia mergulhou em crises fiscais. O socialismo naufragou. O neoliberalismo perdeu força. O novo mundo exige novos paradigmas, novas respostas, novas perguntas. Não há nenhuma grande utopia pairando no ar. As velhas ideologias não nos servem mais. Como disse nosso grande escritor: “Viver é perigoso”.

 

As grandes ideias vitoriosas são as da liberdade e da tolerância. A democracia como valor universal e a tolerância com a diversidade. Valores presentes na democratização da América Latina, sempre ameaçada pelo populismo e pelo autoritarismo. Também no vendaval de liberdade que assola a Tunísia, Egito, Síria, Líbia, Iêmen, Irã.

 

O Brasil fez avanços extraordinários nas últimas décadas. Superamos a inflação, modernizamos a economia, produzimos a inclusão social, construímos a democracia. A construção do futuro passa pela tolerância, o diálogo acima de sectarismos, a expressão de toda a diversidade presente na sociedade. Liberdade e diálogo que resultem em consensos progressivos sem aniquilar identidades. Convívio aberto entre ambientalistas e ruralistas; evangélicos, católicos e agnósticos; conservadores, liberais, social-democratas e socialistas; enfim, um diálogo franco e aberto entre os diferentes que ajude a formular as novas questões e a encontrar as respostas para o país avançar.

 

A arte da política precisa ser reencontrada. Monólogos não nos levarão a um bom caminho.

 

Não é nada fácil, mas esse é o desafio. ?

 

Fonte: Jornal O Tempo, edição desta segunda-feira, dia 9