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ITV: A gestão Dilma Roussef apela ao ilusionismo em lugar de mostrar transparência

12 de maio de 2011

A gestão Dilma Rousseff quer vender a ideia de que é capaz de governar com o gogó. Faz isso tanto no caso dos preços dos combustíveis, quanto na relação ambígua que estabelece com as prefeituras. Apela ao ilusionismo, em lugar de mostrar transparência, executar ações e cumprir compromissos.

 

Nesta semana, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, saiu a campo para ser porta-voz de uma mistificação. Cumprindo ordem da presidente da República, disse que jogaria o peso da BR Distribuidora para “forçar” os postos a “derrubar” os preços da gasolina e do etanol cobrados ao consumidor – e, assim, ajudar a segurar a inflação. Queria que acreditássemos que o mercado curva-se a todo-poderosas determinações de Brasília.

 

Quando Lobão abriu a boca na segunda-feira – depois de meses vendo os custos e a inflação escalarem – os preços dos combustíveis já vinham em queda livre. Obedeciam a uma lei tão simples quanto eficaz: a de oferta e procura.

 

Com o fim da entressafra de cana-de-açúcar, os valores cobrados pelos usineiros caíram com força nas últimas semanas. Desde o momento de pico, no fim de março, o etanol hidratado já barateou 60% nas usinas, enquanto o preço do anidro baixou quase 30%.

 

No atacado, a queda também já vem acontecendo. Segundo a Fecombustíveis, que reúne os revendedores de combustíveis, desde a semana passada os postos BR em todo o país receberam o litro do etanol com redução média de 12%. No preço da gasolina – que leva 25% de álcool anidro em sua composição – a queda foi de 5,7%, em média.

 

Coincidência ou não, Lobão disse ontem que os preços nas bombas cairão – aqui o verbo é no futuro – entre “6% e 10%”. Ou seja, praticamente os mesmos percentuais que já caíram – aqui o verbo é no passado – no atacado. O governo petista “anunciou” o que naturalmente já vinha acontecendo.

 

As declarações de Lobão podem ser inócuas, mas não são, infelizmente, inofensivas. Fragilizam ainda mais a governança de uma instituição pública como a Petrobras, dona da BR, manipulada ao bel-prazer de Brasília. Jogam mais incerteza no mercado de combustíveis e desincentivam a entrada de novos concorrentes. Quem se aventurará onde o Estado quer se mostrar manda-chuva?

 

Também na base da empulhação, o governo do PT tratou os prefeitos que marcharam a Brasília nesta semana – o encontro, com mais de 2 mil autoridades municipais, encerra-se hoje. Na terça-feira Dilma foi ao encontro da turma, mas lá só lhes vendeu vento.

 

Os municípios queriam a ampliação de prazo para usar os restos a pagar de Orçamentos passados; a regulamentação da emenda 29, que disciplina o repasse de verbas para a saúde; e a derrubada do veto do ex-presidente Lula à distribuição equânime dos royalties do petróleo. Não levaram nada disso.

 

Anteontem, Dilma só anunciou a liberação imediata de R$ 520 milhões para obras em andamento nos municípios e prometeu maior celeridade na liberação de verbas de convênios, além de um plano de saneamento em cidades de menor porte. O pacote que os prefeitos pleiteavam beirava R$ 28 bilhões.

 

Fica claríssimo que ao governo do PT interessa manter os municípios de joelhos. Ainda mais quando se sabe que as transferências constitucionais ou voluntárias representaram 68% do total das receitas de que as prefeituras dispõem.

 

Tanto no caso da Petrobras quanto no dos prefeitos, também desponta o velho desejo petista de sujeitar todas as instâncias – sejam econômicas, sejam políticas – à manipulação dos governantes. Trata-se de estratégias que, expostas à luz do sol, mostram-se tão falsas quanto uma nota de três reais.

 

Fonte: Instituto Teotônio Vilela – Carta de Formulação e Mobilização Política Nº 233