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Explicações da presidente da CEF sobre Panamericano não convencem, diz tucano

24 de novembro de 2010

O senador Alvaro Dias (PSDB/PR) não ficou convencido com as explicações da presidente da Caixa Economica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, de que a instituição não sabia do rombo de R$ 2,5 bilhões no patrimônio do banco Panamericano antes da compra de 49% das ações da financeira.  O vice-líder tucano no Senado participou de audiência pública conjunta das Comissões de Constituição Justiça e Cidadania (CCJ) e de Assuntos Econômicos (CAE), nesta quarta-feira (24), com a presença de Maria Fernanda e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

 

“Com todos os mecanismos que dispõe a Caixa, com os 500 auditores que tem e um setor encarregado só pelo controle e fiscalização com profissionais qualificados para verificar a situação do banco é inacreditável que só um ano depois tenha descoberto o rombo de mais de R$ 2 bilhões. Portanto não há como acreditar nas declarações da presidente da Caixa a respeito de ter adquirido o banco sem saber de suas dificuldades”, apontou. 

 

Para o tucano, o governo federal realizou um mau negócio ao aplicar R$ 740 milhões, de dinheiro público na aquisição das ações por parte da Caixa. Segundo o senador, o rombo já era de conhecimento da Caixa.  As fraudes contábeis da instituição controlada pelo Grupo Silvio Santos vinham sendo cometidas há pelo menos três anos, segundo apuração do Banco Central. Ou seja, quando a CEF adquiriu quase 50% do capital da instituição por R$ 739 milhões, em dezembro de 2009 e em julho deste ano, a maquiagem nas contas já existia. Mas nada foi detectado pelas auditorias contratadas pelo governo.

 

Segundo reportagem do jornal “O Estado de S.Paulo”, quando a Caixa comprou 35,5% do Panamericano por R$ 740 milhões, o banco de Silvio Santos valia R$ 2,1 bilhões na Bolsa de Valores de São Paulo. Na última quinta-feira (18), o chamado valor de mercado havia desabado para R$ 1,2 bilhão. Por isso,  a instituição controlada pelo governo federal perdeu mais de R$ 320 milhões – diferença entre a participação de 35,5% em relação a R$ 2,1 bilhões e a R$ 1,2 bilhão.

 

“Eu não acredito. É evidente que eles precisam ter uma defesa, mas a verdade é que foi feito um péssimo negócio”, avaliou o parlamentar. Segundo o tucano, é impossível que a Caixa não tivesse conhecimento dos problemas do banco no ato da negociação em 2009.

 

O senador afirmou ainda, durante a audiência, que o papel do Banco Central é impedir que a sociedade sofra as consequências do investimento feito pelo governo para aquisição das ações do Panamericano. O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, também negou que o BC ou a Caixa conhecessem a fraude nas contas no banco administrado pelo Grupo Silvio Santos. “É dinheiro público que foi utilizado para a aquisição das ações do banco pela Caixa mesmo com a existência de fraudes. Fraudes que, segundo o governo, não foram identificadas. Mas a obrigação do governo era fazer essa identificação”, criticou.

 

Fonte: Agência Tucana