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É má gestão investimento de apenas 2,4% do previsto para aeroportos, dizem tucanos

23 de março de 2011

Os deputados Ricardo Tripoli (PSDB/SP) e Alfredo Kaefer (PSDB/PR) criticaram o governo federal nesta terça-feira (22) pelo pífio investimento nas obras dos aeroportos das 12 cidades que sediarão a Copa de 2014. Na avaliação dos parlamentares, a má gestão é o principal motivo para a situação precária do setor. Segundo a ONG Contas Abertas, o Planalto anunciou um aporte de quase R$ 5,6 bilhões nos terminais. No entanto, dos recursos colocados à disposição da Infraero, somente R$ 302,2 milhões estão comprometidos com contratos e R$ 133,2 milhões foram efetivamente aplicados na melhoria ou na ampliação dos aeroportos – 2,4% do total.

 

Para Tripoli, os investimentos nesta área já deveriam ter sido iniciados há muito tempo. “O atraso é muito grande. Os brasileiros já sofrem com a situação precária e infelizmente isso pode ocorrer com as pessoas que receberemos na Copa”, lamentou. Segundo cálculos do próprio governo, 600 mil turistas devem vir ao Brasil durante os jogos.

 

O aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, por exemplo, tem cinco projetos previstos, com investimentos que somam R$ 1,2 bilhão. Deste valor, R$ 100,7 milhões foram gastos, ou seja, só 8%. Já para as obras no aeroporto de Viracopos, em Campinas, os investimentos previstos chegam a R$ 742 milhões, mas nenhum centavo foi aplicado, apesar de terem sido contratados quase R$ 3 milhões.

 

Kaefer, por sua vez, ressaltou que a infraestrutura no sistema aeroportuário está saturada. Diante dos números, o parlamentar considerou a situação preocupante. “Já sabemos não é de hoje que o Brasil sediará a Copa. Portanto, o governo deveria ter mais velocidade para agilizar as obras. Teremos sérios problemas até a realização dos jogos”, alertou. 

 

Mais passageiros, a mesma estrutura

 

Reportagem do jornal “Folha de S. Paulo” de hoje mostra um incremento substancial no setor aeroportuário. De 2002 a 2010, o número de passageiros de avião cresceu 115%, enquanto a quantidade de pessoas que recorrem ao ônibus caiu 31%. Ou seja, mais pessoas estão voando, enquanto a infraestrutura dos aeroportos pouco mudou. De acordo com Tripoli, o dado reforça a necessidade de investir rapidamente nessa área.

 

Depois de meses de discussão no governo, a presidente Dilma Rousseff criou nesta semana a Secretaria de Aviação Civil com poderes para transferir à iniciativa privada o direito de explorar os aeroportos. Assim como vem ocorrendo com vários órgãos públicos, há possibilidade de o governo entregar o comando da pasta a um partido político – neste caso, o PP.

 

Tripoli acredita que a presidente demorou muito para conduzir o processo de concessão. “O PT condenou o sistema de privatização e agora vai realizá-lo. Isso demonstra que realmente esse processo é o mais rentável e o melhor para servir à população brasileira”, afirmou. Segundo Kaefer, não há necessidade de se criar mais uma secretaria, pois a medida trará mais custos. Na avaliação do parlamentar, o dinheiro que será destinado a nova pasta poderia ser direcionado para investimentos nos terminais. Em relação à privatização, o deputado cobra a observância de critérios claros, como a realização de licitação. 

 

Nada feito em três cidades

 

Das 12 cidades-sede com projetos da Infraero, três ainda não tiveram qualquer tipo de execução, até porque nenhuma contratação para os serviços foi realizada: Porto Alegre, com investimentos previstos de R$ 345,8 milhões; Cuiabá, R$ 87,5 milhões; e Salvador, R$ 45,1 milhões. As informações foram obtidas pela ONG Contas Abertas com base em dados da Controladoria-Geral da União. 

 

Fonte: Diário Tucano