Você está em:
IMPRIMIR

Domingos Sávio: Governo “massacra” professores de universidades federais

9 de julho de 2012

Em greve há quase dois meses, professores das universidades federais ainda esperam um posicionamento do governo, que até o momento sequer sentou para negociar com o sindicato. Docentes federais, servidores técnico-administrativos e estudantes reivindicam melhores condições nos campi. A atual greve é a maior dos últimos 10 anos.

Na avaliação do deputado Domingos Sávio (PSDB-MG), a paralisação prova a incoerência do PT, que sempre afirmou ser defensor dos trabalhadores. “A máscara caiu. O PT, que a vida inteira se disse defensor dos trabalhadores, vem massacrando os professores das universidades e das escolas técnicas, acumulando anos e anos sem dar reajuste. Há quatro anos houve reajuste e agora o PT vem oferecer 4%, menos do que a inflação de um ano”, criticou nesta segunda-feira (9).

Na semana passada, professores, alunos e técnicos organizaram atos em todos os estados cobrando a proposta do governo para a reestruturação da carreira e a abertura imediata de negociações. As respostas a esses chamados demonstram a falta de vontade política em buscar uma solução.

Em visita a São Bernardo do Campo (SP) na última quinta-feira (5), a presidente Dilma foi recebida por um protesto organizado por alunos, técnicos e docentes das federais de São Paulo (Unifesp) e do ABC (UFABC). De acordo com o site “UOL”, os estudantes gritavam: “Dilma a culpa é sua, a minha aula é na rua.”

“Essa intransigência do governo Dilma é vista por nós como total desrespeito aos docentes, técnicos e estudantes. E pior, descaso também com a população que utiliza dos serviços prestados pelas instituições federais de ensino. Nós queremos negociar, mas para isso precisamos de uma proposta”, ressaltou Marinalva Oliveira, presidente do Andes-SN.

Além das questões salariais, um aspecto decisivo que fortaleceu o movimento grevista é a decadência da qualidade. O programa de expansão das universidades tocado pelo ex-ministro da Educação Fernando Haddad não proporcionou a infraestrutura necessária em termos materiais e humanos.

As principais críticas são direcionadas ao Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), criado em 2007 pelo Ministério da Educação (MEC). Com o objetivo de aumentar a oferta de vagas, alegam integrantes de comunidades acadêmicas, a preocupação com a qualidade ficou para trás, conforme mostrou o jornal “Correio Braziliense”.

As 59 universidades federais apresentam dificuldades para manter o padrão de excelência pelo qual ficaram conhecidas. As queixas incluem laboratórios sem equipamentos e classes lotadas. Um exemplo: turmas de mais de 50 alunos de graduação de medicina dividindo o mesmo cadáver na aula de anatomia, ainda segundo o jornal.

Sávio lamenta o fato de o governo não ter negociado com o sindicato melhores condições de trabalho. “E, mesmo assim, já fala em cortar o ponto dos professores, em uma atitude autoritária. É hora de desmascararmos essa grande farsa que tem sido o discurso de um partido, que fala que depende dos trabalhadores, mas, quando chega ao poder, entrega cargos para filiados, além de se transformar em um partido de corrupção”, reprovou. “E, para chegar no fundo do poço, trai aqueles que mais o ajudaram no passado. O PT está abandonando aqueles que lutaram por ele desde o início, que são os profissionais da educação”, concluiu.

Carreira única

→ O Reuni resultou na interiorização dos campi das universidades federais, aumentando o número de municípios atendidos de 114, em 2003, para 237 até o fim de 2011. Desde o início da expansão, foram criadas 14 universidades e mais de 100 campi. A previsão para 2014 é chegar a 63 unidades federais no país, em 272 municípios.

→ A greve nacional dos professores das universidades federais começou dia 17 de maio. Segundo a Andes, a categoria representada pelo sindicato pleiteia carreira única com incorporação das gratificações em 13 níveis remuneratórios, variação de 5% entre níveis a partir do piso para regime de 20 horas correspondente ao salário mínimo do Dieese (atualmente calculado em R$ 2.329,35), e percentuais de acréscimo relativos à titulação e ao regime de trabalho.

 

Fonte: Diário Tucano