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Demitido, ex-presidente da Valec continuou agindo na estatal, diz PF

10 de julho de 2012

Corrupção no governo federal do PT

Investigação da Polícia Federal na Operação Trem Pagador mostra que, mesmo após ser demitido durante a “faxina” promovida pela presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente da Valec (estatal de ferrovias) José Francisco das Neves, o Juquinha, continuou atuando no órgão.

Ele, familiares e um sócio foram presos na semana passada pela Polícia Federal sob a suspeita de comprar imóveis para lavar dinheiro supostamente desviado da estatal –seu patrimônio chega a R$ 60 milhões.

Segundo a Polícia Federal, Juquinha atuava na Valec mesmo após ter sido demitido para tentar evitar problemas com os órgãos de controle, como o TCU (Tribunal de Contas da União) e a CGU (Controladoria-Geral da União).

Para os policiais, ele usava funcionários e diretores que permaneceram na estatal para fazer mudanças em documentos. Em 20 de outubro de 2011, há uma conversa entre Juquinha e o ex-diretor de engenharia da Valec, Luiz Carlos Machado de Oliveira, em que, para a PF, Oliveira estava preparando papéis com data retroativa para regularizar aditivos a obras.

“Isso [o diálogo] denota que Luiz quer regularizar as pendencias antes de sair da Valec, para que a atual direção não descubra as irregularidades durante a gestão deles”, diz a PF.

Luiz Carlos, que não foi alvo da Operação Trem Pagador, foi indicado ao cargo pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB). A decisão de retirá-lo da empresa foi tomada em 20 de outubro, quase dois meses após a saída de Juquinha.

Segundo a PF, há também indícios de pagamento de propina a duas funcionárias para que elas fizessem relatórios técnicos isentando o ex-presidente da Valec de culpa por irregularidades.

Num diálogo do dia 12 de março, Juquinha reclama que uma funcionária havia feito o serviço, mas uma pessoa chamada Cajar não havia “acertado com ela”. Seu interlocutor nessa conversa era Mauro Barbosa, ex-chefe de gabinete do Ministério dos Transportes, exonerado durante a “faxina”.

A PF identificou Cajar como sendo Cajar Nardes, ex-servidor do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), presidente do PR no Rio Grande do Sul e irmão do ministro Augusto Nardes, do TCU,

Segundo as investigações, o ex-presidente da Velec também procurou Barbosa para que ele opinasse sobre sua defesa junto aos órgão de controle. Barbosa é servidor de carreira CGU.

OUTRO LADO

Luiz Carlos Machado de Oliveira, ex-diretor de engenharia da Valec, afirma não se lembrar de nenhuma conversa específica com o ex-presidente da estatal Francisco das Neves sobre mudanças em aditivos. Ele nega irregularidade nas obras.

O advogado do ex-presidente da Valec, Eli Dourado, disse que não poderia falar sobre o tema porque não pode analisar todo o processo.

A Valec não respondeu às perguntas da Folha. Cajar Nardes não foi localizado.

 

Fonte: Folha de S.Paulo