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Crescem gastos da União com a máquina Pública

25 de julho de 2012

A ONG Contas Abertas revela, em uma série de reportagens, o exagero de gastos da máquina administrativa da União. Contas Abertas é uma entidade da sociedade civil sem fins lucrativos que acompanha os gastos públicos no país. As reportagens mostram como a União desperdiça recursos no pagamento de despesas como energia elétrica, veículos, água e esgoto, limpeza, imóveis do Executivo, Legislativo e Judiciário. São cerca de R$ 15 bilhões anualmente gastos na máquina pública, que poderiam ser usados para beneficiar a população brasileira. Acompanhe.

União gasta com “vigilância” mais do que investe em saúde

A União gastou no ano passado quase R$ 1,7 bilhão em despesas com vigilância. A atividade é prestada com o objetivo de garantir de modo ostensivo a segurança de locais e pessoas públicas. O valor é mais que o dobro dos investimentos executados pelo Ministério da Saúde em 2011 (R$ 746 milhões). Caso os recursos tivessem sido aplicados por um ministério, a Pasta da “vigilância” ocuparia a quarta posição no ranking de investimentos executados em 2011, perdendo apenas para os Transportes, a Defesa e a Educação, que executaram R$ 6,1, R$ 5,8 e R$ 2,8 bilhões, respectivamente. Este ano, essas despesas já chegaram a R$ 715 milhões até o final de junho.

De acordo com Nelson Gonçalves de Souza, pesquisador em segurança pública, a vigilância ostensiva é caracterizada pela promoção da segurança por meio de vigilantes que são facilmente identificáveis (daí o nome ostensivo), podendo ou não ser feita de modo armado. Como a União abrange inúmeros ministérios, autarquias e fundações, além de órgãos do Legislativo e do Judiciário, situados em centenas de prédios, o valor chega a níveis astronômicos.

Confira os gastos em 2011 e 2012

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Recursos pelo ralo: União gasta R$ 400 milhões por ano com água e esgoto

Segundo relatório do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgado no final de maio, 18,5 milhões de brasileiros moram em casas precárias com esgoto ao ar livre e carecem de serviços básicos adequados. Enquanto isso, as casas legislativas, os tribunais, os ministérios e autarquias, fundações e organizações vinculadas à administração pública utilizam, sem muita parcimônia, os serviços de água e esgoto. Prova disso é o crescimento dos gastos nos últimos anos. Considerando o período de janeiro a junho, de 2006 para 2012 (valores constantes e atualizados pelo IGP-DI), o aumento foi de 22,8%, passando de R$ 119,5 milhões para R$ 146,8 milhões. Durante todo o exercício de 2011, foram aplicados R$ 401,8 milhões ao final do ano.

Os recursos investidos nessa rubrica em 2012 podem ser comparados ao valor total aplicado pelo governo no programa “Prevenção e Preparação a Desastres” no ano passado (R$ 155,6 milhões). O valor gasto pela União com água e esgoto é mais do que o dobro aplicado no programa “Mobilidade Urbana e Trânsito”, que chegou a apenas R$ 64,8 milhões no primeiro semestre de 2012.

Confira aqui os gastos de janeiro a junho desde 2006 e a gastos em 2012

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R$ 1,5 bilhão em eletricidade em 2011, consumo equivalente ao da região Norte durante 3 meses

Em 2011, as despesas da União com o consumo de energia elétrica, nos âmbitos do Executivo, Legislativo e Judiciário, ficaram pouco abaixo da cifra de R$ 1,5 bilhão, segundo dados disponíveis no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi). Se considerado o custo de R$ 330,00 por MWh, os prédios e instalações públicas federais do país tiveram consumo de 4,4 milhões de MWh nos 12 meses do exercício.

O montante consumido – apenas pelos prédios públicos da União – seria suficiente para suprir toda a região Norte do país por quase três meses, incluídos os setores produtivos, residenciais, etc. Conforme estatísticas divulgadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a média mensal de consumo do Norte no último ano girou em torno de 1,5 milhão de MWh, sendo a região de menor gasto elétrico do país. Confira aqui a tabela.

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