Você está em:
IMPRIMIR

Confiança em investir é a menor em 3 anos

20 de junho de 2012

Previsão de investimento na indústria é a pior desde a crise de 2009, mostra levantamento da Fundação Getulio Vargas

Empresários apontam turbulência na Europa, ociosidade em linhas e lucros menores como razões para pé no freio

 

Com mais ociosidade nas linhas de produção e lucros em queda, empresários da indústria indicam que a fase atual é a pior para investir desde o auge da crise, em 2009. Eles indicam dificuldade para alocar recursos próprios em projetos e demanda mais fraca.

O diagnóstico é da Sondagem de Investimentos da Indústria, realizada em abril e maio e divulgada ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio. Foram ouvidos representantes de 879 indústrias, com vendas totais de R$ 531 bilhões.

De acordo com Aloisio Campelo, coordenador da FGV, o fraco crescimento econômico, a queda da produção industrial, o aumento da capacidade ociosa nas fábricas e a crise europeia diminuem o otimismo de empresários, que adiam investimentos diante das perspectivas mais pessimistas para os próximos meses.

DIFICULDADE

Diante desse quadro, 43% das empresas responderam, em abril e maio, que encontram dificuldades para investir -dez pontos percentuais acima do registrado no mesmo período de 2011 (33%).

O número é o maior desde a pesquisa de abril/maio 2009, quando a crise global então vivia uma das fases mais agudas.

“O empresário está claramente mais receoso”, afirma Campelo.

As companhias mostram-se desmotivadas a investir em novos projetos, na compra de máquinas e até mesmo em ganhos de eficiência, algo que costuma persistir até mesmo em momentos de crise.

“Isso é ruim porque o investimento em eficiência se traduz em aumento da produtividade no futuro.”

EFEITO DA DESONERAÇÃO

Segundo a pesquisa, 19% das empresas nem sequer mantinham programas de investimento e somente 30% planejavam expansões -em ambos os casos, no maior nível desde abril/maio de 2009.

Para Campelo, o desestímulo para novos investimentos contagia todos os setores de modo mais ou menos linear. O que muda são as razões para adiar os investimentos ou desistir dos projetos.

Entre todas as empresas, as principais dificuldades para investir são a falta de recursos próprios, decorrente da menor rentabilidade das companhias, e o enfraquecimento da demanda diante da crise. O crédito não está entre os maiores entraves.

Os dados mostram, porém, que as empresas mais beneficiadas por medidas de desoneração e programas de estímulos do governo estão mais propensas a investir.

É o caso, por exemplo, dos fabricantes de bens duráveis (móveis, eletrodomésticos e veículos) -47% deles planejam investir em aumento da capacidade.

Para as fábricas de não duráveis (alimentos e vestuário) o percentual é menor: 27%.

Fonte: Folha de S.Paulo