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Balanço energético de Minas Gerais revela crescimento das fontes alternativas

10 de novembro de 2010

Um aumento significativo da participação das chamadas fontes alternativas de energia ocorreu na matriz energética mineira nos últimos anos e a perspectiva é de ampliação em virtude da utilização crescente do gás natural e dos biocombustíveis, com destaque para o etanol, bagaço, carvão vegetal e a geração a partir da incineração de resíduos sólidos urbanos. Do total da demanda estadual de energia, 53,1% referem-se às fontes renováveis de energia.

 

A informação consta do 24º Balanço Energético do Estado de Minas Gerais – 2009, ano base 2008, elaborado pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), através da Superintendência de Tecnologia e Alternativas Energéticas, no âmbito do Conselho Estadual de Energia (Coner), coordenado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede). O documento, que acaba de ser divulgado, atualiza a série histórica da matriz estadual, incorporando os dados do período de 1978 a 2008.

 

A demanda total de energia em Minas Gerais, em 2008, alcançou 34,4 milhões de toneladas equivalente de petróleo (tEP), valor equivalente a 13,5% da demanda total de energia no Brasil. No período 1978-2008, a demanda cresceu, no Estado, a uma taxa média de 2,65% ao ano, e a variação ocorrida no Brasil foi de 2,97% para o mesmo período.

 

Os números revelam ainda que do total das fontes renováveis, a lenha e seus derivados possui significativa participação: 48,8%. Para o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Sergio Barroso, “é fundamental para o Estado garantir a sustentabilidade do uso desses energéticos, através de políticas de incentivo ao plantio de florestas comerciais, combate ao desmatamento e restrição à importação de lenha nativa”.

 

O secretário acrescentou que com a adoção do planejamento energético e ambiental através da criação do Plano Estadual de Energia 2030, o Estado vem trabalhando para promover o desenvolvimento socioeconômico lastreado em uma matriz energética mais limpa, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa. Observou que desde 2008 foi estabelecida a política para racionalizar a demanda de energia através de agressiva estratégia de eficiência energética e substituição de fontes fósseis por fontes renováveis.  

 

Balanço

 

O balanço energético é um documento técnico essencial para o tratamento das questões relacionadas à energia, pois apresenta dados importantes para diversos estudos, tais como planejamento e eficiência energética, gestão tecnológica, estudos e ações de natureza socioeconômica e desenvolvimento sustentável, dentre outros. Além disto, informa a evolução da oferta e da demanda de cada um dos energéticos utilizados nos seus diferentes setores e contribui para o desenvolvimento econômico e social do Estado. A metodologia utilizada baseia-se no Balanço Energético Nacional, editado pelo Ministério de Minas e Energia.

 

O BEEMG está estruturado em seis capítulos. No primeiro, está a introdução ao estudo. O capítulo 2 apresenta a estrutura estadual da demanda de energia (consumo final e dos centros de transformação, e perdas), por fonte e por setor econômico, bem como a evolução da participação mineira na demanda nacional total. Além disso, mostra a análise do intercâmbio externo de energia do Estado e os montantes produzidos, importados, exportados, transformados e consumidos internamente.

 

O capítulo 3 apresenta, na forma de tabelas e gráficos, a evolução da oferta e do consumo de cada fonte de energia primária e secundária, bem como a evolução do consumo em cada setor econômico.

 

Nos capítulos 4 e 5 encontram-se os balanços dos centros de transformação de energia e os dados de produção e consumo de gases siderúrgicos, fonte energética que apresenta importante potencial de utilização em Minas Gerais.

 

O capítulo 6 apresenta informações sobre os energéticos, em suas unidades físicas, e detalhes da metodologia utilizada. Nos anexos, são apresentados os fatores de conversão para tonelada equivalente de petróleo (tEP) e as massas específicas dos diversos energéticos, além das matrizes dos balanços energéticos consolidados de Minas Gerais, de 1978 a 2008. 

 

Matriz Energética

 

O balanço energético revela que em 2008 ocorreu produção de 57.814 GWh (4.972 mil tEP) de energia hidráulica, o que representa queda de 5,4%, em relação a 2007. A exportação líquida de eletricidade foi de 254 mil tEP. Já a produção de álcool etílico foi de 2.167 mil m³ (1.119 mil tEP), crescendo 22,4% em relação a 2007. Dado confirma tendência de expansão, uma vez que o crescimento médio desde 2001 é de 22,7%.

 

A participação dos derivados de cana de açúcar na demanda estadual, de 11,5%, atingiu seu maior valor, o que contribuiu para aumentar a parcela de energéticos renováveis na matriz estadual. Em 2008, o consumo de álcool etílico do setor de transporte rodoviário cresceu 13,1%, em relação a 2007. Foram produzidas 11.050 mil t (2.354 mil tEP) de bagaço de cana, consumidos, principalmente, na produção de vapor de processo e para geração de eletricidade, 8.682 mil t (1.849 mil tEP), no setor sucroalcooleiro.

 

Em 2008, ocorreu queda de 12,6% do consumo de carvão vegetal e finos, em relação a 2007 (de 3.760 mil tEP para 3.287 mil tEP) devido, principalmente, à redução das atividades do setor siderúrgico. Tal redução, juntamente com uma leve expansão da produção de carvão (de 2.575 mil tEP para 2.598 mil tEP) contribuiu para a queda nas importações, de 39,1% em relação a 2007. O consumo de gás natural automotivo passou de 87 mil tEP em 2007, para 70 mil tEP em 2008, tendo queda de 11,8%.  

 

Demanda

 

O setor industrial apresenta a maior demanda de energia do Estado, 21.424 mil tEP, que representa 62,4% do total, com crescimento de 2,4% em relação a 2007. A demanda de lenha e derivados representa 31,4% do total da indústria, seguida pelo carvão mineral e seus derivados com 22,1%, petróleo, derivados e gás natural, 17,8%, derivados de cana de açúcar 13,8%, e energia hidráulica e outras fontes, com respectivamente, 12,0% e 2,9%.4 Lenha, carvão mineral e derivados representam 53,5% da demanda total do setor industrial do Estado. Isso se deve, principalmente, à representatividade das siderurgias, no cenário mineiro, grandes consumidoras de carvão vegetal e coque de carvão mineral.

 

O setor transportes ocupa a segunda posição na energia demandada do Estado, sendo que, em 2008, a sua demanda, de 7.094 mil tEP, representa 20,6% da demanda total.

 

O setor residencial possui a terceira maior demanda de energia, 3.553 mil tEP, que representa 10,3% do total, mantendo-se aproximadamente constante em relação a 2007. O principal energético demandado é a lenha e seus derivados com 57,0% do total, seguido pelo petróleo e derivados com 23,7% e energia hidráulica, 18,3%.

 

O setor agropecuário, em 2008, apresentou demanda de 832 mil tEP, representando 2,4% do total, com crescimento de 10,2% em relação a 2007. Nesse setor, as fontes energéticas mais importantes foram petróleo, derivados e gás natural, com 69,9%, seguidos por energia hidráulica com 24,9%, lenha e derivados com 5,2%.

 

Fonte: Agência Minas