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Andradinha e o jovem do Ensino Médio

4 de agosto de 2010

Menos de 12% dos jovens de 16 a 24 anos estão matriculados no Ensino Médio. Enquanto o Ensino Fundamental reúne mais de 52 milhões de estudantes, o ensino técnico, tecnológico, médio e universitário reúne pouco mais de 18 milhões de pessoas. Em pesquisa realizada com apoio da Casa do Zezinho, entidade filantrópica do Rio de Janeiro, o jovem declara que não vai à escola por falta de interesse.

A maioria dos que abandonam a escola, ou nem chegam a se matricular no Ensino Médio, é constituída por representantes das classes C, D e E. Para eles, o Ensino Médio é acadêmico, voltado para o vestibular. Ou seja, não tem atração para muitos (36%) que sabem que jamais vão ingressar em uma universidade. Outra parcela, reduzida, deixa os estudos para trabalhar, ou devido a outras causas.

O deputado federal Bonifácio Andrada (PSDB/MG), professor, pesquisador e com larga experiência na Comissão de Educação da Câmara, considera a situação inadmissível: “O Brasil não pode se dar ao luxo de perder esta capacidade intelectual, desperdiçando talentos tão jovens. É necessário que eles nos apontem os caminhos da mudança, para que seja alterado o Ensino Médio”.

Para Andradinha não se trata de montar um “laboratório para fabricar uma nova escola, mas de ouvir as demandas dos adolescentes, em especial aqueles oriundos das classes populares, para que nos apontem os caminhos. É preciso mobilizar a juventude para que ela se expresse e, com base nestas demandas, construir novas alternativas, de ensino e de escola”. “Aqueles que acham que o jovem não sabe o que quer são os mesmos que os aplaudiram nas manifestações de 1992, como caras-pintadas. O jovem não precisa de tutela, mas de palanque para se expressar”, comenta o parlamentar mineiro.

Bonifácio Andrada teve boa acolhida destas idéias junto ao candidato José Serra, quando estiveram juntos na Bahia, em 12 de junho, no lançamento da candidatura à presidência pelo PSDB. Para ele, Serra é sensível ao tema e acredita na ampliação do ensino técnico e profissional para atender grande parte desta demanda. E lembra que, em São Paulo, Serra investiu no ensino técnico e prometeu absorver um milhão de jovens.

Hoje, a taxa de matrícula no Ensino Médio é de 10 milhões de estudantes. Dois, de cada 10 jovens de 15 a 17 anos estão fora das escolas, ou 18% desta faixa etária. Entre aqueles que têm de 18 a 24 anos, são 68% os que estão fora das escolas, contabiliza. Andradinha advoga mais políticas públicas para estas faixas, lembrando que a criação do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica, Fundeb, aumentou as matrículas ao garantir merenda e transporte escolar para o Ensino Médio, o que, antes, era restrito ao Ensino Fundamental. “O Estado Brasileiro deve dar conta desses investimentos para que eles não recaiam, como sempre, sobre os municípios. Estes, já estão assoberbados com demandas por moradia, saúde e de combate ao crack”. Para Andradinha, o caminho de mais e melhores escolas dá resultado em Minas: “investimentos em educação diversificaram a economia, e criaram mais perspectivas para os empreendedores jovens.”