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Aécio Neves é o destaque desta semana da revista Veja

19 de outubro de 2010

O ex-governador de Minas e senador eleito, Aécio Neves, é o destaque desta semana da Veja. A revista semanal de maior circulação no país, dedicou ao tucano mineiro a capa e uma reportagem especial exaltando sua liderança incontestável no estado, onde obteve mais de 7 milhões e 500 mil votos, que representam 39,47% dos votos válidos. Fez seu sucessor, o governador reeleito Antonio Anastasia (PSDB) “com estrondosos 63% dos votos”, além de ajudar na eleição de seu futuro companheiro de Senado, Itamar Franco (PPS) “e infligiu ao PT uma derrota desnorteante”, assinala a reportagem.

“O Poder de Aécio. Político das viradas eleitorais impossíveis, o neto de Tancredo Neves pode ser um fator decisivo na campanha presidencial”, destaca a publicação já na capa. Na matéria interna, “Aécio move a montanha”, a revista ressalta o evento promovido na última semana, em Belo Horizonte, que reuniu centenas de prefeitos e lideranças mineiras com o candidato José Serra. A reportagem traz ainda uma entrevista com Aécio falando sobre sua participação na campanha de Serra e as viagens que fará neste segundo turno.

O Globo

O jornal O Globo deste domingo, dia 17, traz também uma entrevista com o senador eleito Aécio Neves, com o título ‘Ideia é mostrar que Serra somos todos nós’. Confira, abaixo, íntegra da entrevista.

‘Ideia é mostrar que Serra somos todos nós’


Senador eleito, Aécio Neves assume o lado cabo eleitoral e diz que a
campanha de Dilma ‘foi permeada por certa soberba’


ENTREVISTA Aécio Neves

Depois de conquistar no primeiro turno a maior vitória da oposição nesta eleição – garantiu a própria eleição e a do ex-presidente Itamar Franco (PPS) para o Senado, além da reeleição do governador Antonio Anastasia (PSDB) -, o tucano Aécio Neves se transforma, no segundo turno, no principal cabo eleitoral do candidato do PSDB à Presidência, José Serra.

Esta semana, atendendo a um pedido de Serra, deixará os limites de Minas Gerais e começará um roteiro de viagens por Goiás, Mato Grosso, Pará, Piauí, Alagoas e Bahia. Aécio considera que o segundo turno da disputa presidencial deixa um ensinamento especial para o PT e os coordenadores da campanha de Dilma Rousseff, que se deixaram levar, afirma ele, pela soberba e por acreditarem que a popularidade do presidente Lula seria suficiente para garantir a vitória à petista.

Aécio diz que Serra está aberto a sugestões e que as chances de vitória são boas, mas alerta que a eleição ainda não está decidida. Numa referência indireta à dificuldade atribuída a Serra de dividir o poder, Aécio diz que teve longas conversas com ele nos últimos dias: – Tenho percebido que ele quer  governar com um grupo político.

Afirma também que não vê dificuldades para que Serra, se eleito, construa maioria no Congresso, e já faz elogios ao PMDB. Por fim, garante que não existe por trás do seu empenho qualquer acordo com Serra para que ele não dispute, se ganhar agora, a reeleição em 2014.


Adriana Vasconcelos Enviada especial – BELO HORIZONTE

O GLOBO: Como pretende ajudar Serra neste segundo turno?
AÉCIO NEVES: Estou fechando uma agenda de viagens a partir desta semana. Estou indo, a pedido do Serra, para Goiás, Pará, Piauí, Alagoas e Bahia. Também devo ir a Cuiabá. Combinei de fazer com o Beto (Richa) um evento no Paraná. E ele também ficou de vir a Minas. A ideia é mostrar que a gente tem um time, que Serra não está sozinho. A princípio, essas viagens serão sem o Serra. Em Minas, vamos fazer mais cinco eventos regionais, sendo um com Serra, em Montes Claros.


O senhor vai participar de todos esses eventos?

Aécio: Vou me dividir com o Anastasia. Naqueles em que o Serra não vier e eu estiver, quero fazer dobradinha com o Beto e o Geraldo (Alckmin). Vou estar por conta nesses próximos 15 dias. Propus um grande ato no dia 24 na orla do Rio, de caráter nacional, com figuras da sociedade civil, movimentos e setores que apoiam sua candidatura.


O que levou a disputa presidencial para o segundo turno? O presidente
Lula errou na mão na campanha da Dilma?
Aécio: Não me refiro apenas ao presidente. A campanha da Dilma sempre foi permeada por certa soberba do seu entorno. Lideranças que, talvez até por inexperiência política, achavam que os indicadores de pesquisa já  arantiriam a eternidade no poder. Desconectaram de alguma forma a Dilma do sentimento do país. Transferiram para o presidente, que tem enorme popularidade e capacidade de transferência de votos, quase que a responsabilidade exclusiva pela eleição da Dilma. A transferência de votos existe, mas é relativa, não absoluta. O PT se fiou muito nisso. Não se preocupou em permitir que a candidata se mostrasse com mais naturalidade. Essa é uma das razões da ida para o segundo turno.


Agora o clima mudou para a oposição?

Aécio: Assim como no primeiro turno, acho que não será fácil para
nenhum dos lados. Esta é uma eleição que está longe de estar definida. Sempre achamos que a eleição tinha, sim, uma possibilidade de ir para o segundo turno. Mas, independentemente do resultado final, que espero que dê a vitória para o Serra, o segundo turno foi muito bom para a democracia brasileira. Porque baixa um pouco a bola daqueles que se reuniam não para traçar estratégias de campanha ou discutir as propostas da Dilma, mas para dividir espaços do governo.


A campanha de Serra, muito criticada antes, melhorou?

Aécio: Nenhum cidadão gosta de olhar para um candidato e ver uma figura isolada, autossuficiente e com viés autoritário. O Serra, que teve no início uma campanha muito fechada, veio abrindo e ampliando suas consultas. Em determinado momento, tivemos uma dificuldade grande para apresentar sugestões e discutir rumos. Da segunda metade do primeiro turno para o final, a campanha se abriu um pouco mais.


Essa abertura do Serra facilita a campanha?

Aécio: Essa é, sem dúvida, uma das razões do êxito. Ninguém ganha uma eleição e muito menos governa uma nação solitariamente. Digo sempre que política é a arte da solidariedade. E o Serra começa a demonstrar para as pessoas e cidadãos que tem um time político, que tem cara boa, que tem a cara do Geraldo, do Beto, do Itamar Franco, do Anastasia e de várias outras figuras.


Daí a ideia do seu empenho também fora de Minas..

Aécio: Fará bem à campanha do Serra que se dê visibilidade ao time com o qual ele governará. O Serra disse, e concordo, que não temos de nos envergonhar de ninguém que esteja ao nosso lado. O outro lado talvez tenha a preocupação de esconder alguns deles. Quanto mais mostrar quem são as pessoas que vão governar com ele, mais se quebra as resistências. A ideia é mostrar que o Serra somos todos nós. Não é apenas o José Serra, ex-governador de São Paulo, mas um grupo político que acredita na meritocracia, que tem experiências administrativas exitosas em várias regiões do Brasil, compromissos com valores éticos, morais. Enfim, é mais do que um nome.


“Eu e nem mesmo o Serra nunca deixamos de ter laços com o PMDB”


Aqueles que queriam vê-lo candidato à Presidência este ano acham que uma vitória de Serra agora inviabilizará sua candidatura também em 2014. Há algum acordo entre o senhor e Serra para que ele não dispute a reeleição, caso eleito, e apoie seu nome?

Aécio: Só quem não me conhece acharia que eu vou colocar um projeto meu, individual, à frente de um projeto do país. Apresentei no ano passado uma proposta de candidatura e a levei até onde achei que era possível. Quando percebi que poderia levar a uma cisão no partido, fiz minha opção, sem qualquer rancor. E fiz o que disse que faria, me dediquei à vitória do Anastasia.


Por que não aceitou ser vice de Serra?

Aécio: Declinei por achar que comprometeria a continuidade de um projeto exitoso em Minas. Sigo muito a máxima do meu velho avô Tancredo Neves, que dizia que Presidência é destino, não é projeto. Eu me sentirei extremamente feliz.