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A luta dos professores

21 de junho de 2012

Artigo do vice-líder do Bloco Transparência e Resultado, deputado estadual Duarte Bechir (PSD)


A reação do Ministério da Educação (MEC) às críticas que vem sofrendo dos professores universitários e dos institutos federais em greve mostra a total inabilidade do governo petista em lidar com movimentos reivindicatórios legítimos de seus trabalhadores e revela, ainda, a opção pela mentira para defender o arrocho salarial que imprime à categoria.

O MEC, no fim de maio último, incomodado com as críticas da professora Marina Barbosa, presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), que lidera o movimento grevista, distribuiu nota à imprensa na qual afirma que “não há piso salarial de R$ 557,51” no âmbito do MEC.

É uma mentira grosseira do MEC, comandado pelo “doutor” Aloísio Mercadante. Basta uma simples consulta às páginas das instituições federais de ensino e da Casa Civil para comprovarmos a falsidade da afirmação.

A Universidade Federal de Santa Maria, por exemplo, publica em seu portal a tabela com os vencimentos dos professores federais de ensino, na qual está documentado que o salário base de ingresso dos professores, com jornada de 20 horas semanais, abrangidos pelo Plano de Carreira do Magistério do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico, é de exatos R$ 557,51.

Na mesma tabela, comprovamos também que o governo federal paga, por um mestrado, uma gratificação de R$ 175,58. É o que foi fixado pela lei nº 11.784, de 22 de setembro de 2008 e seus anexos. É fato, não há firulas, dribles ou jogos de palavras ou manipulação de números que mude isso.

Agora, para fugir da constatação dos salários que paga aos professores federais, o governo federal quer somar a esse piso salarial – que na verdade é inferior ao salário mínimo legal – a gratificação pelo exercício da função e dar um reajuste ridículo de 4%, que não cobre sequer as perdas salariais acumuladas nos três últimos anos de congelamento.

O que assistimos hoje, no desenrolar da greve, é o Brasil real que passa à frente de nossos olhos. Surgem às centenas, país afora, casos espantosos, como o do campus Rio Paranaíba, da Universidade Federal de Viçosa, onde milhares de alunos estão tendo aulas em salas totalmente improvisadas, com grave risco para a saúde e a segurança.

Aqui em Minas, o PT passou meses criticando o governo estadual pela remuneração paga aos profissionais de ensino. Dizia fazer isso em defesa da educação. E agora, onde estão as lideranças do PT diante do quadro que mostra que o governo do Estado de Minas Gerais paga mais aos professores que o governo federal?

Onde estão os discursos indignados? Onde está a cobrança à imprensa para a divulgação da luta dos professores das instituições federias de ensino?

Professores, sejam eles da rede municipal, estadual ou federal, merecem o mesmo respeito da comunidade. Não merecem ser usados como massa de manobra.

 

Fonte: O Tempo