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O medíocre crescimento da economia brasileira na era PT

14 de março de 2014

O crescimento do PIB em 2013 coroa um triênio medíocre para a economia brasileira. Nossa média de expansão encontra-se hoje num dos menores patamares da história da República e mantém-se bem aquém do desempenho de países ao redor. Trata-se de padrão que não é recente na trajetória nacional: desde o período do governo anterior, de Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil tem ficado para trás. Definitivamente, com o PT, perdemos a onda de prosperidade que varreu o mundo.

O PIB cresceu 2,3% em 2013, levando a média anual de expansão da economia ao longo do governo de Dilma Rousseff a 2%. Desde 1889, só Floriano Peixoto (-7,5%) e Fernando Collor de Mello (-1,3%) saíram-se pior que a atual presidente. A se confirmarem as previsões para 2014, o PIB per capita brasileiro avançará a uma média anual de pouco mais de 1% ao longo do mandato da petista, o que significa dizer que, no ritmo atual, seriam necessários 65 anos para dobrá-lo.

Dilma caminha para o fim de seu mandato muito longe de cumprir as promessas que fez ao assumir o cargo, em 2011. Segundo previsões veiculadas pelo Ministério da Fazenda, na atual gestão o país cresceria em média 5,9% ao ano. Ano após ano, os prognósticos foram sendo diminuídos e, agora, o próprio governo já não conta com expansão acima de 2,5% neste ano. O consenso de mercado, no entanto, é de que nem esta marca será alcançada. Entre as razões estão consumo mais fraco, juros muito altos, inflação renitente, indústria em crise, gargalos de infraestrutura e incerteza política, o que reduz investimentos.

Sem fôlego e sem motor

Os números divulgados pelo IBGE no fim do mês mostram que a economia do país encontra-se, por ora, sem um motor com capacidade suficiente para fazê-la girar em maior velocidade. A propulsão que vinha do consumo das famílias arrefeceu: o aumento verificado por este componente da demanda em 2013 (2,3%) foi o menor em dez anos. Os investimentos tiveram alguma reação (alta de 6,3% no ano), mas insuficiente para elevar a taxa em proporção do PIB, que se manteve em 18,4%. Já o setor externo há algum tempo, precisamente desde 2005, não vem somando nada: no ano passado, retirou 0,9 ponto percentual do PIB. Isso nos leva a conviver com um déficit externo próximo de 4% do PIB, o segundo maior do mundo.

Pelo lado da oferta, a agricultura salvou a lavoura, com alta de 7% no ano, e os serviços – que respondem agora por 69,4% do PIB – expandiram-se 2%. Já a indústria continuou seu mergulho poço abaixo, com expansão de apenas 1,3%, o que levou o setor à mais baixa participação no PIB desde pelo menos 1996: 25%. No último trimestre do ano, a indústria da transformação, por sua vez, passou a responder por apenas 12,2% do PIB, patamar tão baixo quanto o da época do governo Juscelino Kubitschek. De 2010 a 2013, a produção industrial brasileira evoluiu módicos 2,1%. Parece não haver como piorar mais.

Por anos, o governo petista culpou a situação externa pelas agruras da nossa economia. Segundo o discurso oficial, o inferno sempre foram os outros. Mas a realidade é que o Brasil e suas próprias fragilidades é que são os responsáveis pelos maus resultados do PIB nos últimos anos. Nem mesmo os espasmos de expansão acelerada – como em 2010, quando a economia foi anabolizada para criar o clima favorável que desaguou na eleição de Dilma – livram o país de um retrospecto muito ruim quando comparado a outros países. E isso não é de agora.

Bem pior que os vizinhos

Considerando o período compreendido entre 2011 e 2013, o Brasil cresceu, em média, 2%, como dito acima. Foi o pior resultado entre todos os países sul- americanos no triênio, embora tenhamos revezado com a Venezuela e o Paraguai nas últimas colocações em cada um destes anos. Na média, o continente cresceu 4,9% desde 2011, com o Peru figurando como líder, com 6,1% anuais, segundo a Cepal. Na média, até a república chavista cresceu mais – quase o dobro – que o Brasil de Dilma (ver gráfico na próxima página).

Alguém poderá alegar que o país amarga desempenho pior nos anos mais recentes em razão da deterioração do cenário global desde a quebra do Lehman Brothers, em fins de 2008. Mas os dados não corroboram a tese: mesmo considerando a época do governo Lula, que a propaganda oficial vendeu como uma era de prosperidade sem precedentes, o Brasil andou mais devagar que seus vizinhos.

Ao se analisar o período a partir de 2003, quando o PT assumiu o governo federal, o desempenho brasileiro é igualmente sofrível. A média anual melhora um pouquinho e chega a 3,5%, mas novamente fica atrás de todos os demais países sul-americanos no acumulado nos 11 anos compreendidos até 2013. A média do continente chega a 5%. Neste recorte, quem lidera o ranking no período é a Argentina, que no início do século emergia de uma brava recessão.
Se nos anos de governo petista o Brasil repetidamente saiu-se pior que seus vizinhos de continente, durante a gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso aconteceu o contrário: o país cresceu mais que a média sul-americana. Entre 1995 e 2002, a média brasileira ficou em 2,3%, quanto a América do Sul cresceu 1,7%. Naquela época, vários países cresceram menos que o Brasil, como Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai e Colômbia, todos agora em expansão mais acelerada que a nossa, além da Venezuela.

Crescimento do PIB é consequência de fatores que estimulam o investimento, impulsionam o emprego e levam à geração de renda. A prosperidade das nações baseia-se em confiança, credibilidade e previsibilidade – tudo o que não temos hoje no Brasil. O país precisa retomar a agenda de reformas, abandonadas pelo PT, que apenas se beneficiou dos avanços legados pela gestão tucana. Sem elas, o desempenho da nossa economia certamente teria sido bem pior.