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Com Dilma, o Brasil parou, diz ITV

4 de junho de 2013

A divulgação do PIB do primeiro trimestre coroou uma safra de péssimas notícias na área econômica. Sob o comando de Dilma Rousseff, o Brasil tornou-se exemplo mundial do que não fazer. Nosso crescimento econômico será, novamente, um dos menores do continente; nossa inflação é mais que o dobro da dos países avançados; nossos juros sobem quando todo o resto do mundo os reduz. Experimentamos o resultado amargo de políticas equivocadas adotadas pela presidente, que insistiu em apostar no incentivo ao consumo quando o problema evidente do país era a insuficiência de investimentos para ampliar a oferta. O Brasil encontra-se hoje no pior dos mundos.

 

O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no primeiro trimestre do ano serve como um resumo da ópera de desacertos em que o país se meteu sob o comando da presidente Dilma Rousseff. A economia brasileira não cresce como se espera, mas os problemas vão muito além da quase estagnação. O país convive com uma inflação elevada; na contramão do resto do mundo, precisa recorrer a juros altos para segurar os preços; vê suas famílias se endividarem além da conta; perde competitividade como nenhuma outra nação e exibe resultados fiscais cada vez piores. É uma obra e tanto para ter sido realizada em menos de dois anos e meio.

O PIB brasileiro cresceu apenas 0,6% no trimestre, mantendo o mesmo ritmo exibido no fim do ano passado. Uma vez repetido nos trimestre seguintes, o Brasil crescerá 2,4% neste ano. Mas esta é uma previsão que já está se tornando otimista demais diante de um cenário cada vez menos alentador.

Entra trimestre, sai trimestre, as frustrações se repetem. Apenas alguns meses atrás, Dilma disse que, neste ano, o país veria, enfim, um “pibão”. Guido Mantega começou o atual mandato presidencial falando que estaríamos crescendo 6,5% em 2013. Depois, baixou o percentual para 5,5% e acabou tascando 3,5% no Orçamento da União deste ano. Após o IBGE ter divulgado mais um pibinho, o ministro anunciou que irá rever seus pressupostos – o governo se dará por satisfeito se 2013 pelo menos repetir os 2,7% de 2011, o que hoje parece miragem. Se as projeções dominantes no mercado financeiro se confirmarem (2,77% em 2013 e 3,4% em 2014, conforme a mais recente edição do Boletim Focus do Banco Central), o país terá crescido uma média de 2,4% anuais no mandato de Dilma, cerca da metade do ritmo anotado na segunda gestão de Lula. Para tanto, o PIB brasileiro terá que crescer pelo menos 1% nos próximos trimestres – algo difícil, uma vez que há dois anos sequer conseguimos superar a média histórica de 0,7%.

De novo, na lanterna do continente

O governo petista sempre gostou de culpar o exterior pelos seus dissabores internos. Mas agora esta desculpa não cola. Neste ano, a média de crescimento do mundo deve ficar em 3,3%, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI); a da América Latina e Caribe, em 3,4% e a dos países em desenvolvimento chegará a 5,3%. Nas projeções da Cepal, entre as nações sul-americanas o Brasil só crescerá mais que a Venezuela. O Paraguai, que segurou a lanterna em 2012, deve liderar o continente, com expansão de 10%; nós, porém, no buraco estávamos, no buraco continuamos. Produzir um estrago de proporções tão alarmantes em tão pouco tempo é obra para profissionais do desastre. E que adicionaram outro tempero indigesto ao prato: uma inflação persistentemente elevada e disseminada. Enquanto nos países avançados, incluindo a zona do euro, os preços ao consumidor devem subir cerca de 2% neste ano, aqui o custo de vida deve escalar 5,8% em 2013 e também em 2014. Com isso, a presidente Dilma encerrará seu mandato sem conseguir cumprir uma vez sequer a meta estabelecida pelo Copom para a inflação.


A inflação sempre foi vista como um mal menor pelos gestores petistas. Mas, fazendo valer o que se aprende em qualquer livro-texto de economia, a erosão dos salários mostrou-se implacável. Antes motor da nossa economia (vinha respondendo por 70% do crescimento do país), o consumo das famílias tornouse um dos componentes de pior desempenho no primeiro trimestre, com alta de apenas 0,1% na comparação com os últimos três meses de 2012.

A conclusão é uma só: nos últimos anos, as famílias brasileiras se endividaram em demasia e, com rendimentos cada vez mais corroídos pela inflação, tiveram que frear o consumo, cuja média trimestral de expansão fora de 1,2% desde 2009 e agora foi praticamente zerada. Outro reflexo da carestia deu-se nos serviços, que cresceram apenas 0,5% nos três primeiros meses do ano.

Competitividade em baixa

Muito pior, porém, se saíram nossas exportações, com passaram de alta de 6,1% no fim de 2012 para queda de 6,4% agora. Com importações crescendo 6,3% no mesmo período, o setor externo subtraiu 1,6 ponto percentual do PIB brasileiro no primeiro trimestre. Outro indicador das contas nacionais ajuda a ressaltar o desequilíbrio, que se reflete num déficit recorde em conta corrente: a taxa de poupança caiu a 14,1% do PIB, a menor desde 2003.

Tão ruim quanto o setor externo só a indústria, que continua sua viagem rumo ao inferno e caiu mais 0,3% neste trimestre – na comparação com o fim de 2008, no auge da crise econômica global, a produção da indústria da transformação do país ainda é hoje 5,5% menor, ou seja, acumula cinco anos perdidos. Quem salvou mesmo a lavoura foi a agropecuária, com sua expansão de 9,7% sobre o trimestre anterior: sem ela, o pibinho brasileiro teria sido de mero 0,2% neste início de ano.

Consequência direta da fraqueza dos nossos setores produtivos é a perda de competitividade da economia brasileira. Desde 2010, o país só faz despencar nos rankings internacionais. Na listagem da escola suíça International Institute for Management Development (IMD), o Brasil é o país que mais perdeu pontos e posições em todo o mundo nestes três últimos anos: estamos hoje em 51° lugar entre 60 nações; em 2010, estávamos em 38°.

Mais um ano perdido

O governo petista lava as mãos diante da situação negativa. Considera que as condições para o mau desempenho da economia brasileira em 2013 já estão dadas e não há mais o que fazer para reverter o naufrágio. Aposta nos investimentos privados – contra os quais o PT tanto se bateu ao longo de sua trajetória e a presidente tanto relutou a aceitar – para salvar o PIB de 2014. Mas as delongas nas privatizações projetam sombras nesta perspectiva. No trimestre, os investimentos até tiveram bom desempenho, que, no entanto, ainda não se mostra sustentável: a maior parte dos aportes foi destinada a caminhões e equipamentos agrícolas, operações que nem sempre são recorrentes. Como proporção do PIB, a taxa continua caindo e está agora em 18,4%, muito distante dos 25% que a presidente prometera – na realidade, com Lula e Dilma, o índice só chegou a 20% em três trimestres, mas jamais foi além disso. Não custa lembrar que, deste total, pouco mais de um ponto percentual sai do setor público; o resto vem das empresas privadas.

O país encontra-se diante de um modelo que se esgotou. Há tempo já se podia constatar que estimular o consumo com pacotes de incentivos fiscais era estratégia fadada ao fracasso. Nosso problema está nos investimentos insuficientes para ampliar a oferta, notadamente de infraestrutura, que continua em frangalhos. O governo Dilma, porém, insistiu numa receita única e só conseguiu produzir desequilíbrio perigoso nas contas públicas e inflação ascendente, que demanda juros em alta para ser domada – entre 90 países em todo o mundo, só cinco, entre eles o Brasil, subiram suas taxas básicas neste ano. O país está parado, perdendo tempo, sem saber aonde ir nem como chegar. É o pior dos mundos.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela