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A tormenta voltou

22 de agosto de 2011

O mundo está mergulhando de novo numa crise econômica. Por mais que o governo brasileiro se esforce para dizer que o país está em condições de enfrentar o que vem pela frente, é difícil acreditar. É melhor se preparar para o pior porque a tormenta voltou.

Há quase três anos o mundo foi sacudido por um furacão que derrubou bolsas de todo o planeta e implodiu empresas e instituições financeiras. No Brasil, houve uma rápida recuperação ao longo de 2009 e 2010, mas as economias centrais – EUA, Europa e Japão – continuaram combalidas. Estão todos, agora, voltando para o fundo do buraco.

Ontem, as bolsas de valores de todo o mundo despencaram, num frenesi comparável ao de 2008. A brasileira teve a segunda maior queda, abaixo apenas da argentina – que, todavia, movimenta apenas um décimo da Bovespa. O índice nacional caiu 5,72%, na maior queda em um único dia desde 21 de novembro de 2008.

No ano, a bolsa brasileira já acumula perda de 23,8%. É a que mais cai em todo o mundo neste 2011. Até ontem, as empresas listadas na Bovespa haviam perdidoR$ 445,3 bilhões em valor de mercado. É como se duas empresas do tamanho da Vale tivessem evaporado nestes oito meses. Apenas nestes quatro dias de agosto, as perdas somam R$ 182 bilhões.

Não há como o Brasil passar incólume pela debacle global. Os olhos dos investidores já miravam com desconfiança o país, identificando desequilíbrios e excessos na nossa economia. Percebiam o aumento exponencial do crédito, com riscos sobre as carteiras das instituições financeiras. Desconfiavam do gasto elevado do governo e tinham certeza da supervalorização da moeda local.

“O Brasil, segundo as autoridades, está preparado para qualquer novo impacto. Seria preferível um pouco mais de preocupação. O governo terá pouco espaço em suas contas para uma política anticíclica, porque o orçamento está muito comprometido com despesas improdutivas e as pressões inflacionárias ainda são consideráveis. Faltou preparação para enfrentar uma nova fase de turbulência”, opina O Estado de S.Pauloem editorial.

A nova rodada da crise econômica mundial deve afetar o Brasil especialmente por causa da possível redução das cotações das commodities, como soja, minério de ferro e açúcar. Como se sabe, foi a vigorosa alta destes preços que puxou o desempenho recente das exportações brasileiras, inundou a economia com dólares e permitiu que nossas contas externas fechassem.

As empresas brasileiras também vão sentir o baque da retração que deverá atingir EUA e europeus em geral. Como os governos destes países não têm como injetar mais dinheiro público para ressuscitar suas economias, o mais provável é que se avizinhe uma prolongada recessão, com queda de demanda por produtos manufaturados. Por quanto tempo perdurará, ninguém arrisca prever.

Nos últimos anos, o governo brasileiro teve condições excepcionais para preparar melhor o país para uma nova tormenta global. Teve dinheiro sobrando para melhorar a infraestrutura e aumentar a competitividade das nossas empresas. Teve oportunidade para reduzir as nossas exóticas taxas de juros e neutralizar parte do impacto da desvalorização do dólar. Nada disso, porém, foi feito.

O discurso petista sempre foi o mais róseo possível, sustentando que o Brasil estava mais sólido do que nunca e em melhor situação do que o resto do mundo. Pior que isso, nos momentos de bonança o governo Lula aumentou a dose de gastos públicos a fim de garantir, a qualquer preço, a eleição de Dilma Rousseff.

O PT desdenhou das dificuldades como se fossem “marolinhas”, enquanto surfava, despreocupadamente, na onda do momento. Tudo indica que, agora, vai sair muito mais caro passarmos pela tempestade que se aproxima. O tamanho do vagalhão é inimaginável e ele ainda nem bateu na praia.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela