Juiz de Fora acentua trabalho de combate ao tabagismo durante pandemia

30 de abril de 2016

As pessoas que estavam à espera de motivação para parar de fumar têm, durante a pandemia da covid-19, incentivo para dar fim ao hábito. A assistente social do Serviço de Controle, Prevenção e Tratamento do Tabagismo (Secoptt) da Secretaria de Saúde (SS), da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), Sandra Tolomelli, afirmou que o mundo vive período de crise, quando todos estão se adaptando à nova maneira de viver. Este é considerado, por ela, momento propício para parar de fumar, principalmente levando em consideração que o tabagismo é fator de risco de coronavírus, “e os fumantes, provavelmente, enfrentam os sintomas mais graves da doença”. Diante disso, a coordenadora avaliou que nunca foi tão importante comemorar o “Dia Nacional de Combate ao Fumo”, no sábado, 29, e revelou números positivos em Juiz de Fora: de 2005, quando foi criado, até 2019, o serviço atendeu a 11 mil pessoas, das quais cerca de 50% deixaram de ser fumantes.

Sandra explicou que “as datas estabelecidas para conscientização contribuem para alertar sobre os riscos e malefícios do cigarro, que, por ser droga lícita e de fácil acesso, ainda é considerado por muitos inofensivo”. Na busca da mudança de mentalidade, o Brasil vem se mantendo em destaque. Em Minas, a importância do serviço em meio à pandemia foi reconhecida, quando o estado determinou a manutenção das ações de combate ao tabagismo, de forma não presencial e individual.

Em Juiz de Fora, o trabalho é coordenado pelo Secoptt, que atende pessoas das áreas descobertas da rede de Atenção Básica à Saúde (ABS). A equipe é integrada por uma médica e duas assistentes sociais. O whatsapp e as videochamadas se transformaram, no momento, em importantes ferramentas de atendimento pelos profissionais.

O tratamento dura seis meses. São quatro reuniões semanais no primeiro, duas quinzenais no segundo, e, a partir do terceiro, as reuniões passam a ser mensais. O usuário deve parar de fumar no primeiro mês, para dar continuidade à segunda fase do tratamento, que é a prevenção de recaídas. Os que não conseguem nesse período podem realizar nova tentativa em outro momento.

Juiz de Fora desenvolve ainda trabalho inovador, ao acompanhar e zelar pela manutenção da abstinência. O serviço oferece aos pacientes que tiveram alta as “Rodas de Conversa”, a cada dois meses, com temas diversificados, que fortalecem a decisão de parar de fumar.

O Secoptt foi criado em 2005, para coordenar as ações municipais em busca do controle e combate ao tabagismo. A socialização das informações sobre os malefícios do cigarro é usada para conscientizar os usuários e aos profissionais de saúde capacitados para atuar na prevenção e tratamento. A assistência é humanizada e integralizada, através da descentralização do atendimento. As unidades básicas de Saúde (UBSs) são a porta de entrada no serviço.

Ação coronavírus

A campanha do “Dia Nacional de Combate ao Fumo” trabalha, este ano, a segunda fase da ação “Coronavírus, Mais um Motivo Para Você Parar de Fumar”, lançada no “Dia Mundial Sem Tabaco”, em 31 de maio. A intenção é alertar sobre o uso do produto como fator de risco para a transmissão do vírus e o desenvolvimento de formas mais graves da covid-19.

O tabagismo também é considerado pandemia. Causa mais de oito milhões de mortes por ano no mundo. A estimativa é de que, no Brasil, 438 pessoas morram, por dia, em decorrência do consumo do tabaco.

O fumo é considerado fator de risco para o desenvolvimento de formas mais graves da covid-19 devido a possível comprometimento da capacidade pulmonar. O tabaco causa diferentes tipos de inflamação e prejudica os mecanismos de defesa do organismo. Fumantes parecem ser mais vulneráveis à infecção, também, em função de o ato de fumar proporcionar constante contato dos dedos (e possivelmente de cigarros contaminados) com os lábios, aumentando a possibilidade da transmissão do vírus pela boca.

O uso de produtos que envolvem compartilhamento de bocais para inalar a fumaça, como narguilé (cachimbo d´água) e outros dispositivos (cigarros eletrônicos e de tabaco aquecido), também pode facilitar a transmissão do novo coronavírus entre seus usuários e a comunidade.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) é o órgão do Ministério da Saúde responsável pelo Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT). Por meio dele é estimulada a adoção de comportamentos e estilos de vida saudáveis, que contribuam para a redução da incidência e da mortalidade por câncer e outras doenças provocadas pelo fumo, através de ações educativas nas escolas e ampliação da rede pública de tratamento ao fumante.