ITV discute processo de desindustrialização do país

30 de abril de 2016


O Instituto Teotônio Vilela (ITV) promoveu, nessa terça-feira (24/04), em Brasília, debate sobre o processo de desindustrialização no país com a participação do economista Mansueto Almeida. O encontro, voltado para as bancadas do PSDB na Câmara e no Senado, fez parte do projeto “A Nova Agenda: Desafios e Oportunidades para o Brasil”. “O objetivo é reunir os parlamentares do partido para discutir as grandes questões nacionais. Verificamos neste momento que a indústria parou de crescer e perde participação no mercado. E não vemos qualquer política para compreender o problema”, destacou o presidente do ITV, Tasso Jereissati, na abertura da reunião.

Durante sua exposição, o economista Mansueto Almeida afirmou que a expansão do gasto corrente nos últimos anos deixou o país sem folga fiscal para promoção de desonerações tributárias e realização de investimentos públicos. “Sem folga fiscal, o que acompanhamos, por parte do governo, são medidas ineficazes e desonerações muita pequenas”, apontou o economista, ao fazer alusão ao programa Brasil Maior, lançado recentemente pelo governo federal como plano de salvação da indústria nacional.

Na visão de Almeida, a escalada do gasto público ocorreu principalmente a partir de 2008, com o suposto argumento de se combater a crise financeira internacional. “Política anti-cíclica é feita com aumento de investimento público, mas o que se viu foi o crescimento da arrecadação e do gasto, associados a uma diminuição da capacidade de investimento público”, observou.

Segundo o economista, o governo federal também aumentou de modo expressivo os repasses de recursos do Tesouro para o BNDES, cujo estoque bateu em R$ 356 bilhões ao final de 2011. “A sociedade não entende que isso tem um custo fiscal muito alto”, alertou.

Por fim, Almeida afirmou que o cenário para os próximos anos é de preocupação. “Temos grandes desafios para resolver. Sem uma política adequada, o crescimento do país vai passar a ser definido não na Esplanada dos Ministério, mas na China”, assinalou, ao lembrar que os custos de produção no país estão muito altos em função de uma excessiva carga tributária e da dependência da economia brasileira do crescimento chinês.

 

Fonte: ITV