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As Prévias do PSDB, por Lucas Mendes

12 de outubro de 2021

Não é incomum abrir um portal de notícias atualmente e se deparar com uma reportagem que tenha alguma conexão com as Prévias do PSDB, seja sobre algo diretamente ligado ao tema, seja algum estilhaço da artilharia das militâncias dos pré-candidatos, é nesse contexto que a ideia de “não existe notícia ruim” cai por terra.

Eduardo Leite é jovem, politicamente e administrativamente testado, possuindo um perfil mais discreto, acredita que o trabalho fala por si e, claro, os meios de comunicação estão aí para ajudar a propagar essas entregas, tem pouco que o desabone, sem sombra de dúvidas, não morre pela língua.

Doria, por sua vez, é um homem da mídia — isso se considerarmos mídia como puramente sua imagem pessoal. É igualmente um perfil politicamente testado, não é um homem jovem, mas, talvez por vaidade, busca vender esse perfil. Ainda que igualmente testado administrativamente, não figura com os mesmos índices de aprovação que Eduardo (a esse respeito, vale resguardarmos as proporções de São Paulo e Rio Grande do Sul).

O problema do Governador de São Paulo está exatamente no que, outrora, fora sua força, sua constante aparição pública rendeu ao tucano o constante problema de ter de se explicar (ainda que por intermédio de asseclas). Homem de afirmações fortes, muitas vezes falsas ou, ao menos, questionáveis, é alvo de ataques de todos os lados, não por se apresentar como uma ameaça eleitoral, mas por ser um repositório de constrangimentos a si, ao PSDB e aos seus.

O “pai da vacina” (que não o é), prefere tomar para si os louros de pesquisas que não realizou (que levaram ao desenvolvimento da nossa panaceia), além de estar sempre à frente dos holofotes, ainda que tenha desmobilizado grupo de cientistas que auxiliavam no combate à Pandemia, bem como das tentativas de cortes orçamentários ligados à área de ciência e tecnologia.

O “representante da oposição à Bolsonaro” que já, orgulhosamente dispôs no peito (e na urna), o título de BolsoDoria, gabava-se de ser o grande aliado do Presidente, seu arauto paulista, de discurso tão populista quanto do Presidente, especialmente nas pautas em que concordavam, como na segurança pública, afinal, para ambos, a polícia está ali para reprimir, nem que para isso seja necessário ceifar vidas.

O “democrata da união”, que hoje desagrega toda e qualquer liderança partidária por onde passa, muito fala de “amigos” e “companheiros”, mas acumula reclamações, desavenças, falsas afirmações e práticas execráveis, seja com lideranças de outros partidos, seja com aqueles que um dia, lhe estenderam não somente a mão, mas o braço. Geraldo Alckmin, Serra, FHC e outros membros do alto conselho tucano paulista, tem muito a falar do “companheiro”, tanto quanto Jô Soares já falou do Governador, nos idos da Campanha do Presidente Collor.

Doria não representa “renovação”, mas se vende como tal, isso porque Doria representa Doria. Não acredito que ele tenha qualquer semelhança real com o Presidente, o que ele tem é uma necessidade patológica de aparecer, de estar em voga, de ser, nem que para isso precise vender a própria essência, sem remorso, inclusive.

Por sua vez, Eduardo não parece necessitar dessas mesmas práticas, claro, não dispõe dos mesmos meios, mas não parece coincidir com o Gaúcho, que não somente possui a humildade de saber se desculpar, admitir seus erros, como faz uso da mídia (seja ela pública ou privada), para mostrar seus feitos, as contas do RS, as ações contra a COVID, valorizando aqueles que de fato foram os “soldados da Pandemia”.

É nessa lógica que voltamos ao “não existe notícia ruim”, e a esse respeito podemos afirmar: HÁ! em uma época em que a informação é constante e instantânea, todo e qualquer cuidado com a mensagem que se propaga é pouco, Doria ainda não aprendeu isso, ele pode até ser bem mais conhecido, infelizmente contudo, mais negativamente que positivamente.

Enquanto isso, o Governador Gaúcho, ainda que menos conhecido, coleciona boas matérias, boas notícias e bons dizeres, não porque controla a imprensa, de certo não o faz e, ainda que o fizesse, jamais poderia se comparar à máquina de São Paulo, mas por ter um perfil agregador, conciliador, mais sincero e menos agressivo, algo que, em meio a tantos ataques, soa como um oásis de boas intenções, em meio ao deserto em que o Brasil se encontra.

O Governador de São Paulo já foi tido como a cara da renovação, infelizmente, por suas próprias ações, acabou se queimando, sem ter construido um movimento interno de mudança real, hoje tão caro ao Partido da Social Democracia Brasileira. Doria precisa se afastar de seus desejos pessoais, reconstruir sua imagem e seus conceitos de Partido, existe diferença entre uma vida dedicada ao pública e uma dedicada ao privado, essa diferença parece escapar da compreensão do paulista, nada que o tempo e as derrotas não possam o ensinar.

Quem sabe um dia, o Governador não possa voltar a despertar o sentimento nas massas partidárias que representou em suas prévias à Prefeitura de São Paulo, sentimento que hoje, Eduardo exalta entre a militância.

O PSDB precisa de renovação, a esse respeito não restam dúvidas, precisa de tanta renovação quanto o Brasil precisa de reformas estruturais, essa renovação não virá de um homem que precisa se desculpar ou justificar a cada 3 entrevistas, mas, pode vir de um homem que prefere usar a mídia para mostrar aquilo que hoje, mais carecemos, trabalho e políticas públicas transformadoras.

Lucas Mendes é Cientista do Estado e Presidente da Juventude do PSDB-BH