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Abertura do 1º Simpósio Nacional da Militância Negra do PSDB

23 de agosto de 2013

Tucanafro reúne lideranças e militância para debater políticas públicas para população negra

Aos 96 anos, líder negra Efigênia Castro Pimenta é homenageada pelos 50 anos de militância no movimento negro em Minas

Abertura do seminário do Tucanafro reuniu representantes de todos os 27 estados brasileiros - Fotos: Pedro Lopes

Tucanafro, mais novo núcleo temático do PSDB, iniciou, na noite desta quinta-feira (22/08), em Belo Horizonte, o 1º Simpósio Nacional da Militância Negra – O Negro Pensa o Brasil.

Cerca de 250 pessoas, entre parlamentares, lideranças tucanas e militantes, lotaram o auditório da Assembleia Legislativa de Minas Gerais para a abertura do encontro. Eles assistiram à palestra da desembargadora Luislinda Valois, primeira juíza negra do Brasil, sobre a presença do negro nos espaços de poder.

O simpósio reunirá até sábado, representantes da militância negra de 27 estados para debater políticas públicas inclusivas voltadas para a população negra no país. Entre os temas a serem discutidos estão a promoção da igualdade racial; as cotas raciais e o mercado de trabalho para os negros; a realidade para vilas e favelas; redes sociais; e as manifestações de rua no país.

Durante o encontro, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves, saudou as lideranças tucanas em mensagem gravada em vídeo. O senador destacou o envolvimento da militância negra tucana para elaborar propostas a serem discutidas pelo partido.

“Esse é o primeiro grande encontro nacional do Tucanafro. Pela primeira vez, representantes de todos os estados se reúnem para esboçar um programa para o PSDB. Um programa inclusivo, de políticas públicas que possam atender, pra valer, os negros e descendentes de negros brasileiros. Queremos transformar o Tucanafro no mais vigoroso segmento de qualquer partido político focado nessa questão. Estou extremamente feliz e orgulhoso desse encontro porque o PSDB é um partido vanguardista e terá as propostas mais ousadas para garantir um tratamento isonômico e igualitário a todos os brasileiros”, disse.

Diálogo com a sociedade

Participaram do encontro, o presidente do PSDB-MG, deputado federal Marcus Pestana; o presidente do PSDB de Belo Horizonte, deputado estadual João Leite; e o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Dinis Pinheiro.

Marcus Pestana, afirmou que o PSDB quer integrar a comunidade negra ao partido para ampliar o diálogo com a sociedade.

“Não queremos que o Tucanafro seja uma ferramenta para levar o PSDB à sociedade, mas para a comunidade negra trazer sua voz para dentro do PSDB. Queremos integrar a comunidade negra nas nossas práticas”, afirmou.

O coordenador nacional do Tucanafro, Juvenal Araújo, afirmou que as diretrizes estabelecidas no encontro serão importantes para o partido reforçar a luta da população negra no Brasil.

Líder do movimento negro há 50 anos, Efigênia Pimenta foi homenageada pelo Tucanafro

“Esse encontro é o início de uma mudança da questão dos negros no país. Somos responsáveis por formar as diretrizes do PSDB para discutir a questão racial no Brasil. O racismo ainda é um dos principais fatores das injustiças sociais o que envergonha o país. Metade da população brasileira é negra“, disse.

Homenagens

Durante a abertura do simpósio, o Tucanafro homenageou Efigênia Castro Pimenta, uma das precursoras do movimento negro de Minas Gerais. Outras lideranças também foram homenageadas com a placa que levava o nome da líder negra de 96 anos, 50 deles dedicados ao movimento.

“A homenagem não é só minha, mas a todos os negros do Brasil, pois ser negro nesse país não é fácil. O negro fez muito para o Brasil e deve ser respeitado”, disse.

Negros e poder

A desembargadora baiana Luislinda Valois, conhecida por ser a primeira juíza negra e por proferir a primeira sentença contra o racismo no país, também foi homenageada. Durante a palestra, a desembargadora falou sobre a ausência dos negros nas instâncias de poder.

“Nos espaços de poder não encontramos negro. A diretora daqui, o encarregado de não sei onde, são brancos. Isso não é errado. Mas que se dê oportunidade a todos. Com essa gestão que está aí a coisa está difícil. A situação é deprimente, é de doer. A minha preocupação é com o “PPP”, preto, pobre e periférico. O pouco que tínhamos nos foi tirado. E agora querem trazer profissionais de outros países. Temos uma juventude competente. Pra que buscar gente lá fora?”, questiona a desembargadora em referência ao programa Mais Médicos do governo federal.