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Causas femininas deveriam ser abraçadas por toda a sociedade, defende deputada tucana

22 de junho de 2017

A deputada federal Shéridan (PSDB-RR), é presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher (CMulher)

A deputada federal Shéridan (PSDB-RR), é presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher (CMulher)

Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher (CMulher), a deputada federal Shéridan (PSDB-RR) acredita que a pauta de interesse feminino é, na verdade, uma pauta social comum a todos os brasileiros. No exercício do primeiro mandato, a jovem tucana defende a ampliação da participação delas na política e, ao mesmo tempo, trabalha para que a sociedade, como um todo, seja informada e conscientizada sobre a importância de as mulheres poderem ocupar espaços de acordo com suas competências e capacidades. Segundo a parlamentar, as demandas nacionais são vistas de forma responsável pelas mulheres, que podem e devem assumir protagonismo em qualquer área. Confira a entrevista exclusiva:

A senhora costuma dizer que “o lugar de mulher é onde ela quiser”. Por que ainda é necessário ter que reafirmar isso?

Shéridan: Reafirmar essa máxima é uma forma de estimular políticas públicas e institucionais pela ocupação de espaço e para o próprio incentivo para que a sociedade, como um todo, promova os espaços que a mulher pode e deve ocupar. A mulher tem uma leitura responsável das demandas do Brasil e suas peculiaridades. Seja a mulher produtora, a indígena tão desassistida, a negra chefe de família, que compõe boa parte das famílias. Temos na sociedade mulheres que tratam desde gestação à macroeconomia, sem perder nunca o olhar preocupado com os jovens, as crianças, os idosos – que são seus próprios filhos e pais. Acredito e sei que boa parte dos homens percebe essa capacidade multifuncional das mulheres. Mas ainda hoje, no século XXI, o modelo patriarcal ainda impera e não podemos discutir a unidade em equiparação de algumas pautas quando, na verdade, ainda temos grande defasagem em relação às mulheres, como no caso das trabalhadoras que recebem menos que homens exercendo as mesmas funções.

De fato, a desigualdade de gênero ainda é uma realidade. No mercado de trabalho, a OIT acredita que a paridade salarial ainda levará 70 anos para ocorrer. É possível mudar essa realidade num espaço menor de tempo?

Shéridan: É uma dívida histórica. Por isso temos a necessidade de provocar essas políticas, para tentar corrigir essa dívida, dirimir o preconceito existente e encurtar esse espaço de tempo. A Câmara é o extrato da população e, por sua composição, com tão poucas mulheres representantes da população, podemos ver que ainda é latente e real essa falta de espaço e de estabelecimento de prioridade da mulher. Seja nessa questão salarial ou em qualquer outra só haverá mudança quando a sociedade como um todo entender que isso é uma questão de todos, que a pauta que diz respeito a mulher diz respeito à família e à sociedade por completo. As pessoas ainda estão distantes dessa sensibilidade. É preciso mudar a cultura. Hoje nem mesmo mulheres votam nelas e as campanhas de enfrentamento à violência, por exemplo, só ocorrem em momentos pontuais.

A CMulher fará visita aos cinco estados que não elegeram mulheres nessa legislatura. Como aumentar a representatividade feminina na política?

Shéridan: Vamos fazer essa dinâmica nos estados. Também iremos a grandes centros especializados e aproveitar as plataformas de comunicação para tratar com os partidos e os tribunais eleitorais a necessidade de levarmos a informação às mulheres de que a legislação as ampara, que elas têm direito a concorrer, que existe uma porcentagem determinada de participação nas eleições. Queremos que já no pleito do ano que vem as mulheres assumam esses espaços. A informação não é passada à sociedade. Precisamos conscientizar sobre isso, pois esse é um espaço importante, uma arma que temos nas mãos e a maioria sequer sabe. Somos 52% da população. Portanto, a política brasileira, com essa participação mínima das mulheres, não condiz com a realidade. É algo a ser trabalhado, pois se trata de algo cultural, de falta de informação e de burla à lei.

E o enfrentamento à questão da violência contra as mulheres?

Shéridan: Temos avançado e a legislação atual vem dando mais segurança às pessoas. Quando as denúncias aumentam, não quer dizer que aumentou a violência ou exploração, mas que cresceu a confiança da mulher no amparo estatal. O que precisamos hoje é que os governos elenquem isso entre suas prioridades. Existindo uma aliança de comprometimento e responsabilidade em primar pela proteção da mulher e o Brasil abraçando isso como uma causa de todos, haverá mudança. A responsabilidade é da sociedade como um todo. A Lei Maria da Penha garante o acolhimento da denúncia de terceiros, independentemente de a vítima denunciar. Então o que falta é a responsabilidade da sociedade com a causa não só da mulher, mas da criança, do idoso, do jovem. A violência alcança a qualquer um de nós ou de nossos filhos, assim como a impunidade a quem agride uma mulher. A sociedade ainda não entende dessa forma, que tudo isso se não for cuidado, tratado, pode culminar em consequências para todos. Falta uma apropriação dessas causas. Não se pode culpar o tempo todo o político ou o sistema. Não se constrói uma sociedade só com políticos, mas com a sociedade toda, com a consciência comum, isso precisa ser sentido por todos.

Nesse mesmo sentido, as mulheres são as principais vítimas do assédio moral e do assédio moral virtual (cyberbullying). Um projeto de sua autoria pretende estabelecer campanhas publicitárias anuais para combater esses crimes. A conscientização precisa ser cada vez mais trabalhada?

Shéridan: Sem dúvidas, até porque a legislação brasileira ainda é muito rasa em relação a essas vulnerabilidades que os meios eletrônicos expõem as pessoas. Desde imagens e vídeos íntimos de uma mulher por um parceiro ao bullying como um todo, em todas essas questões relacionadas a depreciação, difamação, assédio. Queremos mostrar que, apesar da legislação ainda ser muito evasiva, existem sim leis que tratam dessas questões e punem quem comete esses crimes. As mulheres precisam ter consciência disso e queremos, por meio dessa iniciativa, fortalecer esses mecanismos, mostrar que eles existem e que ninguém está desamparado.

Fonte: PSDB na Câmara