Você está em:
IMPRIMIR

Matheus Leone: Juventude e seus legados

4 de outubro de 2012

Artigo de Matheus Leone, militante do PSDB Jovem e graduando de Ciência Política na UnB

Ninguém ingressa na política à toa. Para Max Weber, “todo homem que se entrega à política, aspira ao poder – seja porque o considere como instrumento a serviço da consecução de outros fins, ideais ou egoístas, seja porque deseje o poder ‘pelo poder’, para gozar do sentimento de prestígio que ele confere”¹. Traduzindo, há pessoas que partem para a política (mandatária ou não) para lutarem pelo que consideram o bem comum, há pessoas que partem para a política para satisfazerem interesses escusos e pessoais e há pessoas que estão interessadas no poder apenas pelo prestígio que ele confere. Eu estenderia um pouco esse pensamento de Weber ao dizer que qualquer pessoa honesta que ingressa na política tem interesse em deixar um bom legado, um país melhor para as futuras gerações. Qual então deveria ser o nosso legado, o legado da Juventude do PSDB?

Nessas eleições, os cerca de 400 candidatos jovens têm a chance de deixar um legado importante na história de cada município brasileiro. É o legado da ética acima de tudo, da competência e do apreço pela democracia. Nós, jovens, somos inconformados por natureza, não engolimos a injustiça social e a corrupção. Não nos apresentamos como produtos prontos de uma sociedade. Somos a pira ideológica que aquece, anima, sacode e incentiva nosso partido. Devemos defender com garra o zelo com a coisa pública, a transparência, a fiscalização, a punição (justa e exemplar) para quem comete crimes e a lei da Ficha Limpa.

Juventude não é sinal de amadorismo, portanto os jovens candidatos que o PSDB apresentou devem deixar um legado de competência gerencial e parlamentar em seus municípios. Essa sempre foi uma marca de nosso partido e por ela somos reconhecidos pela sociedade. Um partido que tem a vontade, a coragem e a competência para fazer o que muitos consideram impossível.

Por fim, cada jovem tucano deve lutar para que a democracia saia mais forte desse processo eleitoral. Deve lutar para que esse processo eleitoral seja uma bela representação da importância da participação popular e da democracia como ferramentas de mudança social. Prezar pela democracia hoje passa também por lutar contra um projeto totalitário de poder que tentam implantar em nosso país.

Em um país onde um partido político tenta não apenas ganhar eleições, mas também dizimar adversários, é dever da oposição lutar com afinco para proteger o bem mais precioso que cada ser humano tem: a liberdade. Em um país onde um ex-presidente acha que pode manipular toda a sociedade para que eleitores votem em quem ele ordenar, é dever da oposição mostrar que está nas mãos do cidadão escolher seus representantes e não vice-versa. O político depende do povo, mas certos partidos querem plantar na cabeça dos eleitores que são eles que dependem dos políticos. Nossa obrigação moral é dizer não a esse projeto de controle e manipulação social.

Resta-nos concluir, que o grande legado que devemos buscar é a consolidação da nossa democracia sobre as égides da ética, da competência e da liberdade. Só assim a história nos olhará com simpatia e poderemos contar a nossos filhos e netos que transformamos nossa nação. Só assim poderemos olhar para o Brasil e vermos uma sociedade orgulhosa dos políticos que elege. A tarefa não parece fácil, e de fato não o é, mas como citei no começo, quem ingressa na política e é honesto ingressa para lutar pelo que considera o bem comum. Esse é o papel que nos cabe em uma democracia tão ameaçada por um projeto de poder totalitário. Será pelo cumprimento ou pelo descumprimento desse papel que seremos julgados pela sociedade e pelos livros de história.

 

¹ WEBER, Max. “A Política como vocação”. Ciência e Política: duas vocações. São Paulo: Ed. Cultrix, 1993. Pag. 57.