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Julgamento do Mensalão moldará a democracia brasileira

2 de agosto de 2012

Artigo de Matheus Leone, estudante de Ciência Política na Universidade de Brasília UnB e secretário de Comunicação da Juventude do PSDB-DF

 

“Não tenho nenhuma vergonha de dizer ao povo brasileiro que nós temos que pedir desculpas. O PT tem de pedir desculpas”. Foi com essa frase, no dia 12 de agosto de 2005 que o então presidente Lula pediu desculpas à nação brasileira pelo maior esquema de corrupção da nossa história recente. Desculpou-se depois de muito dizer que nada sabia e depois de afirmar, em entrevista concedida em Paris, que a prática de caixa 2 é feita sistematicamente no Brasil, admitindo, assim, o uso de dinheiro não declarado em sua campanha.

É bom lembrar essas declarações de Lula nesse momento, já que nesta quinta-feira o Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar os saqueadores dos cofres públicos, em meio a uma tentativa desesperada de setores influentes do PT de desqualificar as acusações e fingir que o esquema não existiu.

O futuro da democracia brasileira, hoje, está nas mãos do STF. O julgamento do Mensalão, com certeza, irá moldar a democracia brasileira e a forma como se lida com a corrupção no Brasil. O Brasil hoje ocupa a 73ª posição no ranking da ONG Transparência Internacional que mede a percepção de corrupção em 183 nações. Numa escala de zero (mais corrupto) a dez (menos corrupto), obteve vergonhosos 3,8. O resultado do julgamento do Mensalão com certeza irá nos mover nesse ranking. Resta saber se positiva ou negativamente.

Temos uma batalha a vencer. Nós, cidadãos de bem, honestos e com vergonha na cara temos que enfrentar as tropas institucionais de um governo policialesco que pretende se perpetuar no poder. A União Nacional dos Estudantes (UNE), que nos anos 90 foi baluarte da luta pela moralização na atividade pública, derrubando o presidente Collor de Melo com as caras pintadas, hoje está cooptada pelo governo federal, tendo sido conclamada pelo “chefe da quadrilha” para defender os mensaleiros nas ruas. Aquela UNE que lutava pela ética, já não existe mais.

A batalha é dura, mas lutamos por uma causa muito maior do que todos nós. Lutamos pela decência. Lutamos pela vergonha na cara. Lutamos contra a impunidade. Lutamos pela democracia. Lutamos para que mais uma vez possamos ter orgulho de fazer Política. Sim, política com “P” maiúsculo, não essa política mesquinha e suja institucionalizada pelos falsos representantes dos trabalhadores. Eu quero ter orgulho do meu país, eu quero bater no peito e dizer que safado não tem vez na política do meu país, mas, para que isso ocorra, dependemos de um esforço coletivo da sociedade mobilizada. Ou a sociedade apoia um julgamento rígido e exemplar, para que STF dê a resposta que a democracia brasileira clama, ou estamos fadados a ver nossas instituições caírem no total descrédito. Aí já sabemos onde iremos parar.

 

Fonte: Agência Tucana