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Deputados questionam manobra para dar foro privilegiado à esposa do governador de Minas

29 de abril de 2016

mosaico-MG

Parlamentares mineiros reagiram com indignação à nomeação da primeira-dama de Minas, Carolina Oliveira, para comandar a Secretaria de Estado do Trabalho e do Desenvolvimento Social. Investigada na Operação Acrônimo, Carolina passa a ter foro na segunda instância da Justiça graças à decisão tomada por seu marido, o governador petista Fernando Pimentel.

O presidente do PSDB-MG, deputado federal Domingos Sávio anunciou, nesta quinta-feira (28/04), no Plenário na Câmara dos Deputados, que a manobra terá respostas jurídicas, a exemplo de ação civil e de um decreto na Assembleia Legislativa para anular o que chamou de “atentado contra o povo mineiro”.

Segundo Domingos Sávio, Pimentel está usando uma Secretaria de Estado para abrigar alguém que está em vias até mesmo de ser presa, “porque pesam contra ela várias acusações de envolvimento com crimes”. “É essa a estratégia do PT: quando alguém está em vias de ser preso, nomeia-se ministro, secretária, porque o Estado pertence a eles. É assim que pensam esses petistas. Chega!”, disse o parlamentar ao fazer uma analogia do episódio envolvendo Lula e a nomeação para a Casa Civil da Presidência da República. (Assista

Assim como Domingos Sávio, o deputado federal Marcus Pestana (PSDB-MG) disse ter ficado pasmo com a atitude de Pimentel. O tucano lembrou que um quadro respeitado na área de ação social foi afastado para dar lugar à primeira-dama, que está sendo investigada.

“Isso é abuso de poder e desvio de finalidade, agravados pelo nepotismo. As oposições mineiras já estão tomando providências. Isso mostra claramente a confusa situação em que o PT se encontra de não distinguir os limites entre o espaço público e o espaço privado. Isso não pode prevalecer”, reprovou. Ainda de acordo com o tucano, é incrível a ousadia de atitudes como essa, até porque ninguém está acima da lei.

A nomeação ocorre dias após a divulgação do conteúdo da delação premiada da empresária Danielle Fonteles. Proprietária da agência Pepper, ela detalhou esquema de corrupção apurado na Operação Acrônimo. A esposa de Pimental é suspeita de ser uma sócia informal da Pepper. Além disso, ela e seu marido são suspeitos de receber vantagens indevidas de empresas que mantêm relações comerciais com o BNDES.

A dona da Pepper afirmou, ainda, que recebeu recursos “por fora” num total de R$ 58 milhões, para abastecer as campanhas de Dilma de 2010 e 2014. Quem a orientou no esquema foi o braço direito da presidente, Giles Azevedo, segundo denúncia da revista IstoÉ.

Fonte: PSDB na Câmara