Você está em:
IMPRIMIR

As incoerências do PT

9 de maio de 2012

Artigo da diretora de Políticas para Mulher da JPSDB-BH, Marcela Trópia
As eleições na França, tão polêmicas como foram, movimentaram as opiniões partidárias por aqui e incidiriam em várias reflexões e discussões no Twitter. Uma delas, extremamente pertinente, foi a comparação da situação política francesa com a do Brasil em 2002. A base do governo em seus diversos veículos de mídia comemorou a vitória de François Hollande como se revivessem a vitória do PT em 2002 afirmando que, de agora em diante, estabelece-se um governo do povo.

No entanto, parecem não compreender que as conjunturas “sociais” não se transformam assim tão rapidamente e que o tal progresso proferido por Lula talvez seja fruto do rearranjo executado por Fernando Henrique Cardoso. As políticas sociais de FHC não firmavam um modelo assistencialista, mas na releitura petista, criaram uma grande demanda financeira nos orçamentos públicos e dificultaram, ainda mais, a perspectiva inicial que era de melhora de vida.

Que os vangloriados “resultados” da gestão de Lula tiveram origem nos anos de FHC todos nós sabemos, mas parece que os petistas e seus aliados não entendem como a dinâmica democrática deve funcionar. O governo do PSDB preparou o Brasil para qualquer sucessor que fosse eleito, afinal, a alternância constitui o que conhecemos por democracia e é a partir dela que oposição e base podem confrontar-se e desenvolver políticas melhores.

Essa alternância não deve ser feita de forma burra, ou seja, uma mudança de gestão apenas por mudar, mas sim, diante de projetos melhores e mais atrativos às demandas da sociedade, sempre buscando o aprimoramento dos políticos e dos partidos envolvidos. O objetivo declarado do PT de se manter por 20 anos no poder é claramente antidemocrático e tem uma consequência nítida aos olhos de qualquer cidadão atento: a acomodação. Governam como querem, distribuem cargos, fazem esquemas e alimentam um ciclo de corrupção que cresce cada vez mais. Resta à oposição utilizar dos mecanismos do nosso belo sistema Legislativo para tentar conter esses rios de privilégios que afetam o bolso da população.

Além de todos os problemas internos, o governo do PT, tentando interagir na lógica neoliberal internacional, modifica as estruturas econômicas para agradar à iniciativa privada. As alterações recentes na poupança só trazem prejuízos aos pequenos investidores, mas mantém a arrecadação de bancos e do Estado. Nesse momento, voltamos à comparação feita com a França. Iludidos esquerdistas festejam a vitória de um socialista acreditando fielmente que tudo vai se transformar, que o viés capitalista será abandonado e que o país se fechará para o mundo daqui em diante. Como prometeu o PT em sua primeira eleição, o desenvolvimento econômico não poderia se sobrepujar aos investimentos sociais nunca. Mas parece que, ao longo dos anos, isso foi sendo esquecido. O Brasil se rendeu assim como a França também se renderá. A pressão de se estar em um bloco econômico é gigantesca e o desejo pelo consumo mais ainda. Agora assistiremos aos esforços do novo presidente francês em tentar mudar a conjuntura interna e, mais à frente, à sua acomodação diante das pressões internacionais. Quem perde, novamente, é a população. A brasileira e a francesa.