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A fuga petista do debate

14 de dezembro de 2012

Artigo de Daniel Domingues, da JPSDB-Juiz de Fora


Aos militantes e participantes dos eventos políticos nos dias atuais uma coisa se tornou clara: não há debate possível e racional com o PT e seus militantes. No dia a dia da campanha isso se torna perceptível pelo uso de bordões e lugares comuns que exprimem nas muitas das vezes não a ideologia ou mesmo as propostas dos candidatos dessa sigla, mas sim, sensações físicopatológicas dos mesmos, ou até, sintomas de uma militância histérica e sem fundamentos, que se baseia essencialmente em figuras mitológicas e icônicas, que através da publicidade se tornaram os baluartes de um movimento que mais se assemelha a uma colcha de retalhos.

Qualquer um que tenha passado pelo desprazer de debater com um petista, sem dúvida, se deparou com algumas situações no mínimo patéticas, e que sem exagero, geram em muitos casos o que é conhecido no Brasil como ‘’vergonha alheia’’.  Na maioria das vezes tais debates têm como conseqüência apenas a descoberta cada vez mais latente do engodo que se trata esse partido, mas em outros casos, demonstram a tendência ditatorial e cerceadora da liberdade de expressão cada vez mais evidente de uma tendência política e ideológica que não aceita a contradição.

Em primeiro lugar tentam usar o argumento conhecido na retórica como ‘’ad hominem’’[1]. O mesmo é percebido quando se tenta negar uma proposição não com uma crítica ao seu conteúdo, mas sim ao seu autor. Apesar de ser muito útil na retórica, não encontra fundamento lógico, e por isso mesmo é uma tática muito comum ao PT. Uma vez usado, nada resta senão declarar o debate como vencido e expor da maneira mais veemente a falta de densidade do debater contrário.

Em segundo lugar é comum o ataque ao próprio PSDB, e o uso de lugares comuns como forma simplificada de descrever o adversário, com o objetivo claro que a mensagem seja facilmente assimilada pelo militante e pela massa em estado de conversão, sendo os últimos descritos por Lenin como ‘’idiotas úteis’’[2]. Por isso termos como ‘’tucanetes’’, ‘’playboys tucanos’’, partido de elite, entre outros, são comuns no diminuto vocabulário petista, que através de estereótipos desclassifica as idéias dos seus adversários, transformando a complexa dinâmica política em um luta do bem contra o mal.

Em terceiro lugar e talvez o mais preocupante para a continuidade do sistema democrático brasileiro é o cerceamento de certos autores, periódicos e idéias. Após a invenção esquizofrênica do PIG (Partido da Imprensa Golpista), qualquer crítica mesmo que administrativa e técnica ao PT é vista como um prelúdio de golpe de estado. Citar em discussões Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, Paulo Francis, Olavo de Carvalho ou Rodrigo Constantino é tido como blasfêmia e pecado mortal, punido com ostracismo político. Trata-se do conhecido ‘’centralismo democrático’’[3], criação de Lenin que visa manter dentro dos próprios parâmetros, pressupostos e fundamentos da esquerda todos os debates e discussões existentes, de modo que, a liberdade de expressão se restringe apenas a manter dentro do próprio campo partidário e ideológico eventuais dissensos de opinião existentes. Dessa forma, ruminam suas ideologias e as transformam praticamente em verdades naturais, como se não tivessem sido criadas após meticuloso trabalho de engenharia social desenvolvido pelos seus ideólogos.

O melhor exemplo de como o PT se propõe a ser um partido democrático talvez seja a citação do ex-presidente Lula, que em um arroubo de espírito republicano disse que o Brasil havia alcançado o maior grau de democracia, uma vez que nas eleições que disputava concorriam apenas candidatos de esquerda. É claro que a redução do debate serve apenas a eles mesmos, uma vez que irão pautar de forma inequívoca o que pode e o que não pode ser divulgado, publicado, debatido, exposto e principalmente, o que chegará aos olhos e ouvidos da população.

Essa atuação se traduz essencialmente em 2 fases: em uma é filtrada toda informação e idéias que sejam contrárias ao partido e seus dogmas. Em outra, é feita uma vasta campanha de publicidade, que não abrange apenas a mídia, mas escolas, universidades, sindicatos e todos os meios de poder que sejam úteis para atingirem seus objetivos. No fim, informações cruciais e verdadeiras ganham descrédito por não terem sido objeto de divulgação na grande mídia. De outro modo, mentiras ganham aspecto de verdades inquestionáveis, onde não se vê praticamente diferença do noticiário diário para um show de humor.

Ao fim, percebe-se que o PT, nem sempre de forma linear e racional, procura aplicar o programa de domínio e mudança cultural e social de Antonio Gramsci[4], e pensar ser aleatória a doutrinação social promovida por esse partido desde a sua ascensão ao governo federal em 2002 é ignorar a própria natureza intrínseca do mesmo e sua falta de interesse em permitir o saudável rodízio democrático. Trata-se na prática de um plano de longo prazo concebido na década de 50 e 60, que hoje colhe seus frutos, apesar de diversos percalços no meio do caminho, como a queda da União Soviética, o regime militar brasileiro e a revelação do que foi o socialismo real. Mesmo assim, essa monstruosa obra de engenharia social continua, onde nas escolas o ensino de história e geografia política se tornou uma verdadeira conversão de futuros militantes, e que, fatos e acontecimentos são ocultados em prol de um interesse partidário. A doutrina de Marx e Engels, hoje em dia, se assemelha mais a uma história em quadrinhos de Batman e Robin.

 

Fonte: Juventude do PSDB-MG