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Um PIB de alerta

1 de dezembro de 2017

Autor: Instituto Teotônio Vilela (ITV)

Resultado do trimestre decepciona, mas conjunto do ano melhora. Vigor da economia depende fundamentalmente do grau de ímpeto e coragem que Brasília exibirá para mudar

O PIB brasileiro manteve sua trajetória de recuperação. O resultado verificado no terceiro trimestre veio abaixo da média das expectativas e bem menor do que a variação registrada entre abril e junho. No entanto, a revisão dos números relativos aos dois primeiros trimestres do ano produziu o alento que o índice trimestral isolado turvou.

Segundo divulgou o IBGE nesta manhã, o PIB nacional cresceu 0,1% no terceiro trimestre do ano na comparação com o trimestre anterior. As projeções feitas por analistas apontavam para, em média, 0,3%. No segundo trimestre, a alta foi de 0,7%, conforme dado revisado pelo IBGE.

Na comparação com o terceiro trimestre de 2016, o desempenho revela-se bem melhor e ascendente. A alta foi de 1,4%, a melhor desde o mergulho da economia na recessão. No ano, até setembro, o PIB acumula crescimento de 0,6% e agora pode subir acima do projetado para 2017, segundo primeiras estimativas feitas após a divulgação de hoje.

Isto porque o IBGE revisou resultados dos últimos seis trimestres e encontrou desempenho melhor da economia brasileira nos primeiros meses deste ano. Indicadores antecedentes apontam alta em torno de 0,4% no último trimestre de 2017, de acordo com levantamento divulgado ontem pelo Valor Econômico.

Quase todos os componentes do PIB apresentaram alta no terceiro trimestre, e a maior delas foi justamente a do segmento mais combalido pela recessão petista: os investimentos. A chamada formação bruta de capital fixo subiu 1,6%, maior taxa desde o segundo trimestre de 2013. Ainda assim, mantém-se muito baixa em relação ao PIB: 16,1%, a menor para igual período na série do IBGE e apenas acima das três taxas trimestrais anteriores.

Pela primeira vez desde 2013, subiram juntos investimento e consumo, que respondem por cerca de 80% da atividade no país. O consumo das famílias aumentou 1,2% no trimestre, taxa igual à do período anterior. Pelo lado da oferta, a agropecuária voltou a cair (-3%), em razão da entressafra. Mas indústria e serviços cresceram – 0,8% e 0,6%, respectivamente.

Tudo considerado, o PIB brasileiro ainda não deixou o terreno negativo aonde a recessão iniciada em 2014 o levou: nos quatro últimos trimestres, o índice está negativo em 0,2%. Note-se, contudo, a distância considerável em relação ao fundo do poço, os -4,6% anotados no segundo trimestre de 2016, o último da era petista.

Os resultados conhecidos nesta manhã renovam esperanças, mas ressaltam os enormes obstáculos que a economia brasileira ainda terá de superar para voltar a crescer de forma vigorosa e sustentável. Não depende de atos de vontade, como muitos parecem cobrar do atual governo, herdeiro de uma ruína em forma de país, legada pelo PT.

Depende, isso sim, de muito trabalho, de iniciativa, de coragem para mudar, que andam faltando. Não apenas do Executivo, como é mais fácil exigir. Mas também do Legislativo, aparentemente pouco atento (para dizer o mínimo) ao grau de dificuldade em que o Brasil encontra-se.

Fonte: Carta de Formulação e Mobilização Política nº 1.707 do Instituto Teotônio Vilela (ITV)