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Sobras da campanha de Fernando Pimentel ao Senado em 2010 bancaram despesas da atual primeira-dama

16 de dezembro de 2016

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De acordo com reportagem da revista ÉPOCA, Polícia Federal descobriu que, para burlar legislação eleitoral, empresas repassavam dinheiro para que a agência Pepper pagasse despesas pessoais de Carolina Pimentel

A atual primeira-dama de Minas Gerais, a jornalista Carolina Pimentel, é acusada de ter “embolsado” sobras da campanha de Fernando Pimentel ao Senado, em 2010. Ele não se elegeu na ocasião, mas parte do dinheiro que a agência Pepper Interativa recebeu para supostamente fazer a campanha digital da campanha do petista foi usada para bancar as despesas de Carolina em 2011. A informação consta de trechos da delação premiada da publicitária Danielle Fonteles, divulgados pela revista ÉPOCA nesta sexta-feira (16/12).

A Polícia Federal já descobriu, através da Operação Acrônimo, que a Pepper recebeu caixa dois na campanha de 2010. O caminho da propina também foi desvendado pela PF: as empresas interessadas em doar para Pimentel bancavam o pagamento direto à Pepper, que havia sido contratada pela campanha. Era uma maneira de financiar Pimentel sem prestar contas à Justiça Eleitoral.

Carolina Pimentel recebia uma comissão por empresas indicadas, o que ela confirma, segundo a reportagem da revista “Época”. A PF agora investiga se a atual primeira-dama de Minas usava o cargo do marido, então ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do governo Dilma, para se aproximar de empresas e, com isso, ganhar comissões. De acordo com a matéria, foram identificados diversos pagamentos fracionados, sobretudo em contas pessoais de Carolina Pimentel. Além disso, ocorreram repasses em “dinheiro vivo”.

Em outubro deste ano, a ÉPOCA também veiculou outra reportagem, na qual revelu que a Polícia Federal havia descoberto que Fernando Pimentel usava a consultoria OPR Consultoria Imobiliária, não apenas para receber propina, mas também para pagar contas pessoais dele, de sua ex-mulher e também da atual esposa, Carolina Pimentel.

Leia abaixo íntegra da reportagem da revista ÉPOCA:

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A mulher do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), é acusada de ser a destinatária de sobras da campanha do petista em 2010, quando concorreu ao Senado. Segundo Danielle Fonteles, que fez delação premiada, a jornalista Carolina Oliveira recebeu mais de R$ 100 mil de sua empresa, a agência Pepper – incluindo aí dinheiro de campanha. Essa empresa prestava serviços para o PT e, em 2010, fez a campanha digital de Pimentel.

A Polícia Federal já descobriu, na Operação Acrônimo, que a Pepper recebeu caixa dois na campanha de 2010. Funcionava assim: empresas interessadas em doar para Pimentel às escuras bancavam o pagamento direto à Pepper, que havia sido contratada pela campanha. Era uma maneira de financiar Pimentel sem prestar contas à Justiça Eleitoral.

Segundo a delação, parte do dinheiro que a empresa recebeu na campanha foi usada para bancar despesas de Carolina Oliveira, em 2011. Carolina Oliveira recebia uma comissão por empresas indicadas, o que ela confirma. A PF agora investiga se Carolina usava o cargo do marido, então ministro do Desenvolvimento, para se aproximar de empresas e, com isso, ganhar comissões. Foram diversos pagamentos fracionados, sobretudo com contas pessoais da primeira-dama. Houve, ainda, dinheiro vivo.

Como ÉPOCA revelou, a Pepper já havia admitido que pagou despesas de cartão de crédito de Carolina Oliveira. Uma tabela apreendida pela polícia na casa de Pimentel, em Brasília, já mostrava a parceria entre a empresa e a primeira-dama, em valores similares aos citados por Danielle Fonteles.

4 | Relação de despesas de cartão de Carolina Pimentel (Foto: Reprodução)

4 | Relação de despesas de cartão de Carolina Pimentel (Foto: Reprodução)

A primeira-dama de Minas Gerais, a jornalista Carolina Oliveira, teve uma ascensão meteórica desde que se aproximou de Fernando Pimentel (PT), atual governador e ministro forte do governo Dilma. De assessora de imprensa com salário de R$ 4 mil, Carolina passou a ter uma vida de luxo, com direito a jatinhos pagos por empresário e hotéis cinco estrelas. Ela é triplamente acusada. Primeiro, a PF descobriu que o consultor Mário Rosa pagava R$ 75 mil mensais a ela, enquanto ele prestava serviços a empreiteiras interessadas na atuação de Fernando Pimentel como ministro. Há, ainda, os relatos de Benedito de Oliveira Neto, o Bené, outro que fez delação. Ele bancava despesas do casal, como uma viagem a Miami.

Procurado, o advogado de Carolina Oliveira, Pierpaolo Cruz Bottini, disse que ela “recebeu da Pepper por serviços efetivamente prestados, registrados em nota fiscal, declarados em Imposto de Renda, em valores compatíveis com o mercado”. “Todos os documentos estão juntados na investigação e a jornalista continua à disposição para esclarecer os fatos”, diz o advogado.

Fonte: Revista Época