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Em depoimento à PGR, delator afirma que petista cobrou R$ 5 milhões para beneficiar grupo JHSF

2 de junho de 2016

quitinete

A delação premiada do empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, está se revelando avassaladora para o governador de Minas, o petista Fernando Pimentel, de cuja campanha ele participou ativamente em 2014, como operador de um grande esquema de caixa dois. A revelação da vez, feita em reportagem publicada nesta quinta-feira no site da revista ÉPOCA, dá conta de que Pimentel recebeu R$ 5 milhões em propina do grupo empresarial JHSF para viabilizar a operação do aeroporto Catarina, localizado em São Roque (SP).

Em depoimento à Procuradoria Geral da República, Bené afirmou que o petista atuou para viabilizar financiamento do BNDES, a autorização da Secretaria de Aviação Civil e que os Correios passassem a usar o aeroporto. “De início, foi discutido colocar Fernando Pimentel como sócio oculto do aeroporto. Depois, acharam mais prático simplesmente cobrar R$ 5 milhões”, diz um trecho da delação premiada reproduzido pela matéria da ÉPOCA.

A propina, segundo o delator, foi acertada durante um encontro no apartamento de Fernando Pimentel, em Brasília. “Ao final desse encontro, O colaborador acompanhou Zeco e Humberto até a saída do edifício da residência de Fernando Pimentel, oportunidade em que o colaborador informou aos empresários a solicitação de 5 (cinco) milhões de reais, o que foi aceito por eles”, diz outro trecho da delação.

A JHSF é líder no setor imobiliário de alta renda no Brasil, com expressiva atuação nos mercados de incorporações residenciais e comerciais, desenvolvimento e administração de shopping centers e hotéis de alto padrão. A rede de restaurantes Fasano é a principal “estrela” da corporação. O grupo administra também o aeroporto executivo internacional São Paulo Catarina, que, segundo o delator Bené teve sua operação viabilizada graças à propina paga pela JHSF ao então ministro e hoje governador Fernando Pimentel, do PT.

GENTE FINA É OUTRA COISA: de acordo com Bené, o petista Fernando Pimentel cobrou R$ 5 milhões em propina para viabilizar a operação do aeroporto executivo internacional São Paulo Catarina, voltado para o segmento de alta renda

GENTE FINA É OUTRA COISA: de acordo com Bené, o petista Fernando Pimentel cobrou R$ 5 milhões em propina para viabilizar a operação do aeroporto executivo internacional São Paulo Catarina, voltado para o segmento de alta renda

Quitinete em Brasília abrigou R$ 12 mi em propina

Outro trecho da delação premiada do operador Bené, também publicado nesta quinta-feira (02/06) no mesmo site da Época, faz uma revelação ainda mais assustadora. Ele conta que teve de providenciar uma quitinete em Brasília (DF) para guardar a dinheirama arrecadada para o caixa dois da campanha de Fernando Pimentel ao governo de Minas em 2014.

Em seu depoimento à Procuradoria Geral da República, Bené contou que no total chegou a armazenar na quitinete nada menos do que R$ 12 milhões. Foi assim, por exemplo, com a propina que Pimentel recebeu do grupo JHSF para viabilizar a operação do aeroporto executivo internacional São Paulo Catarina, em São Roque (SP). “Esses valores foram transportados peta colaborador para Brasília e mantidos guardados na quitinete que utilizava para estocar os valores que seriam empregados na campanha eleitoral de Fernando Pimentel”, diz outro trecho da delação de Bené reproduzido pela revista Época.

Segundo Bené, propina da CAOA para Pimentel somou R$ 20 milhões

Outros trechos da delação premiada de Bené, divulgados na semana passada pelo jornal O ESTADO DE S. PAULO, mostraram que apenas a montadora CAOA pagou R$ 20 milhões em propina ao petista Fernando Pimentel. “Os pagamentos, segundo Bené, ocorreram entre 2013 e 2014, ano em que o petista deixou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior para candidatar-se ao governo de Minas. Dos R$ 20 milhões, afirmou o delator, R$ 7 milhões foram repassados diretamente a Pimentel no exterior restante teria sido usado na campanha”, afirma a matéria.
Bené está preso em Brasília, desde 15 de abril, apontado como o ‘operador’ do esquema de corrupção chefiado por Fernando Pimentel. Em 06 de maio, a Procuradoria Geral da República denunciou o governador mineiro pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Caso o Superior Tribunal de Justiça (STJ) aceite a denúncia, o petista Pimentel deverá ser afastado do cargo, uma sanção determinada pela Constituição Mineira para os governantes que respondem a processos pela prática de crimes comuns.

Confira a íntegra da reportagem da revista Época

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O esquema revelado por Benedito de Oliveira Neto, o Bené, era tão estruturado que o empresário contou à Polícia Federal que teve de providenciar uma quitinete em Brasília para guardar o dinheiro arrecado para a o caixa dois de campanha de Pimentel em 2014.

Em sua delação premiada da operação Acrônimo, Bené contou que no total chegou a armazenar R$ 12 milhões em dinheiro vivo no imóvel. Foi assim, por exemplo, com o esquema relatado no aeroporto da empresa JHSF, em São Roque. Além dos R$ 3,2 milhões para o PT, Bené disse que pegou R$ 250 mil em dinheiro vivo. “Esses valores foram transportados peta colaborador para Brasília e mantidos guardados na quitinete que utilizava para estocar os valores que seriam empregados na campanha eleitoral de FERNANDO PIMENTEL”.

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A delação de Bené afirma ainda que a JHSF pagou caixa dois de campanha, simulando um contrato com o instituto de pesquisas Vox Populi. “Cerca de R$ 750 mil foram pagos mediante a quitação de despesas da campanha eleitoral de Pimentel junto ao Instituto Vox Populi. E para viabilizar esse pagamento ao Instituto Vox Populi, o colaborador conversou com HUMBERTO e com um diretor comercial do instituto, MARCIOHIRAN, para que eles ajustassem a emissão da nota fiscal e a efetivação do pagamento. Os serviços declarados na nota fiscal não foram efetivamente prestados ao grupo JHSF, mas sim a campanha eleitoral dc 2014 de FERNANDO PIMENTEL”.

Em nota, o advogado de Pimentel, Eugênio Pacelli, desqualifica a delação de Bené. “É preciso lembrar que a delação por si só não é elemento de prova e a divulgação de parte de seu suposto conteúdo, ainda na fase do primeiro depoimento, além de ilegal, o que pode invalidá-la, não tem outro sentido senão o de influenciar a opinião pública e promover a antecipação da condenação do investigado”, diz.

A JHSF afirmou que recebeu “com surpresa a notícia de que foi mencionada em delação premiada” de Bené. A empresa afirma que “não cometeu qualquer ilícito, tendo feito apenas contribuições na forma da lei”. O Vox Populi diz que não comenta delações.