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Reportagem da Rádio Itatiaia mostra repercussão negativa do fechamento da centenária Imprensa Oficial de Minas

5 de dezembro de 2016

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Servidores e outras fontes ouvidas pela emissora se dizem inconformados com o desmantelamento de uma das mais tradicionais instituições do Estado promovido pelo governo do petista Fernando Pimentel

Uma ampla reportagem veiculada na Rádio Itatiaia nesta segunda-feira (05/12) mostra a repercussão negativa gerada pela decisão do governo do petista Fernando Pimentel de acabar com a Imprensa Oficial de Minas Gerais.

De acordo com a matéria, parte dos 400 servidores da Imprensa Oficial já foram transferidos para a Cidade Administrativa, mas alguns deles, com mais de 30 anos de casa resistem. “Eles não se conformam que uma instituição com 125 anos, na qual trabalharam o médico Juscelino Kubitscheck e o escriturário Carlos Drummond de Andrade acaba assim, pela vontade de duas ou três pessoas e com a anuência de uma Assembleia Legislativa onde, historicamente, o que o governador quer, passa”, diz um trecho da reportagem.

Entrevistado pela emissora, o servidor Aluísio Fernandes, que trabalha há 37 anos de Imprensa Oficial, diz não entender como em tempos de absoluta falência da máquina pública, foram mexer exatamente com a casa que dava lucro todo ano. “A Imprensa Oficial tem um trabalho tanto social, cultural e econômico para o estado”, afirma, acrescentando que a instituição teve um superávit ano passado de R$ 14 milhões. “Isso (o decreto do governo do PT que passou as atribuições da instituição para outros órgãos) encerra todo o ciclo histórico, cultural e social da Imprensa Oficial”, conclui Aluísio Fernandes.

Já a jornalista Virgínia Boa Morte diz se surpreender com o fato dos intelectuais mineiros não terem resistido nem sequer manifestado a respeito do fechamento da Imprensa Oficial. “Pelo menos em nome do inesquecível Suplemento Literário, por onde passaram escritores do porte de Ciro dos Anjos, Rubem Braga, Murilo Rubião, Fernando Sabino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes (Campos)”, ressalta.

A servidora Joelísia Moreira Feitosa vai na mesma linha. “É muito lamentável (…). Uma Casa histórica, de grandes vultos da nossa história literária, cultural. Então nós vemos tudo agora num rumo totalmente diverso ao que ela foi criada e, principalmente, com a Prodemge assumindo uma postura bastante diferenciada do que nós esperávamos para esta casa”, afirma Joelísia.

O escritor Jorge Fernando dos Santos também disse estranhar o silêncio em relação ao fechamento da Imprensa Oficial. “Sei que muitos estão levados por ilusões ideológicas ou até por compromissos empregatícios, porque muitos estão ligados de alguma maneira às benesses do palácio do governo, mas realmente eu lamento muito. E estranho também esse desbaratamento, esse fim da Imprensa Oficial. É o fim de uma história”, afirma.

A reportagem ouviu também um dos decanos do jornalismo de Minas Gerais, o ex-Presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado, Dídimo Paiva. “Não posso imaginar o Estado não ter o controle da Imprensa Oficial. Como é que nós podemos fazer uma coisa dessas? Não tem explicação”, reclama Dídimo.

Clique AQUI para ouvir a íntegra da reportagem da Rádio Itatiaia sobre o fim da Imprensa Oficial.

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