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Por iniciativa de Caio Narcio, Câmara debate estratégias de prevenção e combate ao câncer

7 de junho de 2017

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A pedido do deputado Caio Narcio (PSDB-MG), o Plenário da Câmara foi transformado em comissão geral, na terça-feira (06/6), para debater o tema “Os Desafios do Câncer, Tratamento, Enfrentamento e Medicamentos”. Somente no biênio 2016-2017, 600 mil novos casos de câncer devem ser notificados no Brasil, de acordo com estimativa do Inca. Apenas em 2013, 190 mil pessoas perderam a vida em virtude da doença.

O tucano ressaltou a responsabilidade, como parlamentar, de atuar no combate a um mal que aflige milhares de famílias. “Espero que o resultado deste debate nos dê a oportunidade de refletir sobre os desafios e avanços que temos para amenizar o sofrimento dos pacientes, pois sabemos que o tratamento do câncer é relativamente proporcional ao adiantamento do diagnóstico: quanto antes ocorrer, maior é a chance de superação”, ponderou.

De acordo com Caio, é possível vislumbrar soluções conjuntas para os gargalos que o Brasil enfrenta no tratamento e prevenção. “E dessa maneira, virar a página da ‘doença do milênio’. Que esta discussão possa nos ajudar a enfrentar esse desafio de maneira conjunta”, completou.

Emocionado, o jovem parlamentar do PSDB relatou a perda da mãe e do avô para a doença e afirmou que, da mesma forma, o Brasil e o mundo estão perdendo milhares de pessoas para este desafio que é de todos. Também lembrou a visita que fez recentemente a uma instituição que acolhe crianças acometidas pela doença

Para ele, uma das saídas passa pela política. “Cada vez que nós fazemos uma peça orçamentária e conseguimos, de alguma maneira, canalizar mais recursos para essa área, não são estatísticas de mais atendimento que nós estamos fazendo – são vidas que estamos ajudando a salvar e sofrimento que estamos evitando acontecer”, alertou.

O deputado falou da necessidade de união em torno da causa, como ocorreu durante a votação que liberou o uso da fosfoetanolamina, a chamada “pílula do câncer”. Além de defender mais recursos, Caio alertou para a necessidade de gestão eficiente, pois quando o dinheiro é gasto de maneira equivocada, vidas são perdidas. Ele defendeu ainda o estabelecimento de uma rede que interligue as instituições para que possam trocar experiências, dialogar entre si com soluções e propagar bons exemplos. “É importante que nós possamos tratar em rede esse desafio do enfrentamento, levando os diagnósticos precoces aos grotões de todo o Brasil, porque, a partir do diagnóstico, nós podemos então levar ao tratamento”, alertou.

Convidados

Tiago Farina Matos, do Instituto Oncoguia, destacou que o país ainda precisa avançar na prevenção, como por exemplo, com ações de combate ao tabagismo, um dos principais fatores de risco para o câncer. Ele apontou ainda que o Brasil ainda tem o grave problema de diagnóstico tardio: mais de 60% dos casos são diagnosticados em estágio avançado, já que as filas de espera para realizar exames fundamentais são enormes e falta transparência. Outro ponto levantado foi a necessidade de avanço na saúde suplementar, já que o rol de cobertura dos planos de saúde é revisado a cada dois anos, período no qual novas tecnologias e procedimentos podem surgir e o paciente não pode esperar para que haja inclusão no seu plano.

O diretor-presidente da Fundação Hospital Lauriano em João Pessoa, Antônio Carneiro Arnaud, afirmou que o câncer é a doença que mais cresce e que poderá chegar a 22 milhões de diagnósticos em 2030, pelas estimativas da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer — IARC. Como 80% dos pacientes brasileiros se tratam pelo SUS, ele defendeu que Ministério da Saúde se una às Secretarias de Saúde estaduais e municipais unam forças.

Vice-Presidente da Associação de Câncer de Boca e Garganta (ACBG), Melissa Amaral Ribeiro de Medeiros relatou parte de seu drama. Aos 45 anos e enfrentando o câncer de laringe há cinco, ela, que é ex-fumante, perdeu a voz e hoje consegue falar usando uma prótese traqueoesofágica. Ela lamentou que, no Brasil, pacientes como ela não tenham acesso ao aparelho ou a uma terapia fonoaudiológica para voltar a falar.

O diretor da Fundação Cristiano Varella — Hospital do Câncer de Muriaé, Sérgio Dias Henrique, lembrou que o câncer já é a segunda causa de morte no Brasil, atrás apenas das doenças cardiovasculares. Ele lamentou que os pacientes ainda tenham que enfrentar filas intermitentes e por isso o diagnóstico seja na maioria das vezes tardio.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse que todos os esforços estão sendo empreendidos no sentido de informatizar o sistema e para que a Lei dos 60 Dias seja cumprida. Ou seja, para que em até dois meses seja iniciado o tratamento de alguém diagnosticado com câncer.

Entre as prioridades, Barros citou o avanço na compra regional de medicamentos, aumento do acesso; revisão e ampliação dos protocolos; fomento a pesquisas; apoio à especialização da Justiça; preferência às habilitações de novos serviços para que o equipamento fique mais próximo das pessoas; avanço nas políticas de prevenção, em especial no combate ao sedentarismo e ao tabagismo; fortalecimento da atenção básica, para que seja mais resolutiva e permita o diagnóstico; agilização da operação com os aparelhos de radioterapia obtidos por meio de licitação centralizada; além da adoção de prontuário eletrônico.

Segundo ele, vários equipamentos estão sendo ofertados no SUS, várias novas tecnologias têm sido incorporadas com frequência, ampliando a oferta de medicamentos e está em negociação uma compra conjunta com o Mercosul para aumentar o volume e reduzir o custo.

Leia matéria completa no PSDB na Câmara

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