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Polícia Federal indicia governador Fernando Pimentel, do PT, e Marcelo Odebrecht por esquema de corrupção no BNDES

15 de setembro de 2016

Governador petista, que já responde a processo no STJ por lavagem de dinheiro e corrupção passiva, foi indiciado novamente pelos mesmos crimes. Nova fase da Acrônimo mira intermediários das negociatas

Dilma Rosseff, Marcelo Odebrecht e Fernando Pimentel: negociatas com dinheiro público

Dilma Rousseff, Marcelo Odebrecht e Fernando Pimentel: negociatas com dinheiro público

A Polícia Federal (PF) indiciou nesta quinta-feira (15/09) o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), e o empresário Marcelo Odebrecht por corrupção em esquema utilizado para liberação de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) à empreiteira.

De acordo com matéria publicada no jornal O Estado de S.Paulo, o indiciamento do governador petista, que tem foro privilegiado, foi autorizado pelo ministro Herman Benjamin, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Pimentel foi indiciado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e Marcelo Odebrecht, pela prática de corrupção ativa.

Conforme as investigações, Pimentel recebeu vantagens indevidas para facilitar a liberação de financiamentos a projetos da Odebrecht em Moçambique e na Argentina por parte do BNDES, instituição subordinada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), do qual o petista foi titular no primeiro mandato de Dilma Rousseff (2011 a 2014).

Nova fase da Acrônimo investiga intermediários das negociatas

Também nesta quinta-feira (15/09), a PF deflagrou a oitava fase da Operação Acrônimo, que tem como objetivo investigar a atuação de várias pessoas que atuaram como intermediárias do esquema de tráfico de influência e corrupção comandados por Marcelo Odebrecht e de Fernando Pimentel no BNDES, que já lhes rendeu indiciamento.

A nova fase da Operação Acrônimo está focada em dois inquéritos abertos a partir de documentos apreendidos em outras fases e de informações contidas na delação do empresário Benedito de Oliveira Neto, o Bené, considerado o principal operador de um esquema de corrupção que teria sido comandado pelo atual governador de Minas, Fernando Pimentel, do PT, na época em que ele foi Ministro do Desenvolvimento, Indústria de Comércio, no primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff.

Um dos inquéritos mira uma empresa de fachada que teria sido utilizada para viabilizar pagamento de propina a Pimentel pela Odebrecht em troca da viabilização de financiamentos do BNDES para projetos da empreiteira exterior. De acordo com matéria publicada no Blog do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, em sua delação, Bené conta detalhes de encontros de João Nogueira, executivo da Odebrecht que é um dos alvos desta 8ª fase da Operação Acrônimo, com então chefe de gabinete de Fernando Pimentel no Ministério do Desenvolvimento, Eduardo Serrano, também conhecido como HE-MAN.

Fernando e Carolina Pimentel foram padrinhos de casamento de Eduardo Serrano, o HE-MAN, um dos investigados da Operação Acrônimo, da PF

Fernando e Carolina Pimentel foram padrinhos de casamento de Eduardo
Serrano, o HE-MAN, um dos investigados da Operação Acrônimo, da PF

De acordo com a reportagem, nestes encontros, Eduardo Serrano ou HE-MAN (que atualmente ocupa o cargo de Secretário Geral do governo de Pimentel em Minas Gerais) teria negociado pagamento de propina de R$ 20 milhões ao hoje governador de Minas para que a CAMEX e o BNDES, órgãos ligados ao Ministério do Desenvolvimento, atendessem aos pedidos de financiamento da Odebrecht nas obras do metrô de Buenos Aires e em Moçambique. Ainda segundo a reportagem, Bené também deu detalhes de um encontro que o ex-presidente da construtora, Marcelo Odebrecht, manteve com o então ministro Pimentel em Brasília para acertar o pagamento da propina.

O outro inquérito se refere à suspeita de cooptação e pagamento de vantagens indevidas para fraudar licitações no Ministério da Saúde, utilizando uma gráfica de Juiz de Fora. A Polícia Federal tem evidências de que esta gráfica foi utilizada para “lavar dinheiro” de propina que teria irrigado o caixa dois da campanha de Fernando Pimentel ao governo de Minas em 2014. O operador Bené confessou ter sido intermediário de mais esta transação criminosa.

Pimentel está na iminência de virar réu no STJ

Fernando Pimentel é o principal investigado da Operação Acrônimo, da Polícia Federal, que o indiciou pela prática de cinco crimes: corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa, tráfico de influência e falsidade ideológica eleitoral. Sua esposa, Carolina Pimentel, também é investigada na mesma ação, na qual é acusada de atuar em conluio com o marido.

Em delação premiada, o empresário e operador de campanha Benedito Oliveira Neto, o Bené, afirmou que o caixa dois da campanha de Fernando Pimentel ao Governo de Minas, em 2014, movimentou R$ 45 milhões. A origem do dinheiro seriam propinas recebidas pelo petista enquanto ocupou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio do primeiro governo da ex-presidente Dilma Rousseff, de quem é amigo pessoal.

Atualmente, Pimentel responde a processo no Superior Tribunal de Justiça (STJ) pelos crimes de lavagem de dinheiro, ocultação de bens e corrupção passiva. Caso o STJ acate a denúncia feita pela Procuradoria Geral da República, ele se tornará réu e deverá ser afastado do cargo de governador.

Clique nos links abaixo para saber mais:

O ESTADO DE S. PAULO: PF indicia Pimentel e Marcelo Odebrecht por corrupção no BNDES

BLOG DO LAURO JARDIM (O GLOBO): Nova Acrônimo mira empresa que serviu para esquema da Odebrecht no BNDES

PORTAL G1: PF deflagra 8ª fase da Operação Acrônimo no DF, RJ, SP e MG