Você está em:
IMPRIMIR

Polícia Federal convocará Pimentel para explicar pagamentos indevidos feitos por empresas à mulher dele

26 de fevereiro de 2016

Determinação foi feita pela Procuradoria-Geral da República, que também quer explicações do governador sobre irregularidades encontradas na prestação de contas da campanha de 2014

A semana termina com mais uma má notícia para o governador de Minas, o petista Fernando Pimentel, no campo da Justiça. Depois de ter a reprovação das contas de sua campanha ao governo do Estados confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e de o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) ter autorizado a utilização de provas colhidas pela Polícia Federal na Ação em que o Ministério Público Eleitoral pede a cassação de seu mandato, nesta sexta-feira (26/02) a Procuradoria-Geral da República (PGR) determinou que para a mesma Polícia Federal o ouça sobre suspeitas de pagamentos indevidos de empresas à sua mulher, Carolina Oliveira.

A PGR quer que o petista preste esclarecimentos também sobre irregularidades encontradas na prestação de contas à Justiça Eleitoral referente à campanha que o elegeu governador em 2014. Além de gastos abusivos durante a campanha, já comprovados pelo TRE-MG, está sendo investigado um esquema de “caixa dois” que teria abastecido a campanha petista.

As informações sobre a determinação da PGR para que a Polícia Federal ouça Pimentel foram publicadas nesta sexta-feira (26/02) pelo jornal O Globo. O governador e a mulher são investigados em inquérito no STJ (Superior Tribunal de Justiça) na Operação Acrônimo, da Polícia Federal, que apura desvios de recursos públicos para o financiamento de campanhas eleitorais.

O deputado federal Marcus Pestana (PSDB-MG) considera importante que Pimentel preste contas sobre os fatos suspeitos. “Na democracia é muito importante que a sociedade perceba que ninguém está acima da lei. Todos tem que prestar contas dos seus atos, principalmente aqueles que tem vida pública”, disse Pestana.

Desvio de recursos do BNDES

Relatório da Polícia Federal, segundo o jornal, aponta que Carolina mantinha uma empresa de fachada. O empreendimento recebeu recursos do BNDES, banco vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, no período em que Fernando Pimentel era titular da pasta. Marcus Pestana ressalta que é grave que o governador seja objeto de ações tanto eleitorais quanto criminais.

“Então o governador Fernando Pimentel tem sido objeto de ações tanto na área eleitoral quanto criminal, vai apresentar suas razões, sua defesa, mas os fatos revelados são muito graves”, afirmou o deputado.
Contas de campanha eleitoral também são alvo de inquérito que investiga se o governador deixou de declarar à Justiça Eleitoral gastos com empresas em nome de um amigo, alvo da Operação Acrônimo.

Leia também:  

TRE-MG autoriza utilização de provas da Operação Acrônimo no processo de cassação de Pimentel

Tribunal Superior Eleitoral mantém decisão do TRE-MG que desaprovou as contas de campanha de Fernando Pimentel em 2014

Confira abaixo íntegra da matéria do jornal O GLOBO

o-globo-logo-principal

TSE mantém rejeição de contas de campanha de Fernando Pimentel

Tribunal cancelou multa de R$ 50 milhões que tinha sido aplicada pelo TRE-MG

fernando pimentel

Fernando Pimentel, governador eleito de Minas, teve maior arrecadação e maior despesa na campanha eleitoral, entre os candidatos ao governo dos estados

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu para a Polícia Federal ouvir o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), sobre suspeitas de pagamentos indevidos de empresas à mulher dele, Carolina Oliveira Pimentel, e sobre a prestação de contas à Justiça Eleitoral referente à campanha que elegeu o petista governador em 2014. Pimentel e Carolina são investigados em inquérito no Superior Tribunal de Justiça por conta da Operação Acrônimo, que apura um suposto desvio de recursos públicos para financiar campanhas.

A casa de Carolina chegou a ser alvo de mandado de busca e apreensão quando a operação foi deflagrada, em maio de 2015. Um relatório da PF diz que uma empresa dela, antes de ser primeira-dama, era de fachada. O empreendimento recebeu recursos do BNDES, vinculado ao Ministério do Desenvolvimento e Indústria, no período em que Pimentel foi titular da pasta. Ele foi ministro entre 2011 e 2014. Outra suspeita investigada é que o governador deixou de declarar à Justiça Eleitoral gastos com empresas em nome do amigo Benedito de Oliveira Neto, o Bené, alvo da Acrônimo.

O Tribunal Superior Eleitoral manteve, na quinta-feira, a rejeição das contas de campanha de Pimentel. Os ministros, porém, decidiram por afastar uma multa de R$ 50,8 milhões que tinha sido aplicada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais.

A PGR ainda pediu diligências referentes a outro governador: Beto Richa (PSDB), do Paraná. Em janeiro, o MP pediu abertura de inquérito no STJ para investigar o tucano por conta de suspeitas surgidas na Operação Publicano. Auditores que atuavam na Receita de Londrina reduziam dívidas tributárias de empresas em troca de propina — o esquema abasteceu um caixa dois da campanha à reeleição de Richa em 2014, com R$ 2 milhões, conforme as investigações. A defesa de Pimentel diz que não teve acesso ao pedido de depoimento e que, se for intimada, está à disposição para esclarecimentos. A defesa de Richa afirma que não se manifesta porque não houve decisão do STJ sobre a abertura do inquérito.