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Pimentel dá cargo de Secretária de Estado para a esposa, Carolina Oliveira, para que ela tenha foro privilegiado

28 de abril de 2016

​Pimentel tenta evitar prisão da primeira-dama dando a ela uma secretaria de Estado

​Pimentel tenta evitar prisão da primeira-dama dando a ela uma secretaria de Estado

Investigada na Operação Acrônimo pela Polícia Federal, primeira-dama é suspeita de integrar esquema de corrupção que financiou a campanha do marido em 2014

Em mais um indício de que está desesperado com o avanço das investigações feitas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Acrônimo, o governador mineiro, Fernando Pimentel, do PT, nomeou nesta quinta-feira (28/04) sua esposa, Carolina de Oliveira Pereira Pimentel, para o cargo de secretária estadual de Trabalho e Desenvolvimento Social. O ato foi publicado na edição desta quinta-feira (28/04) do jornal “Minas Gerais”, órgão de divulgação oficial dos poderes públicos do Estado.

De acordo com matéria publicada no site do jornal Folha de S.Paulo, a mudança de status da primeira-dama é para que possíveis processos contra ela tenham “foro privilegiado”, ou seja, tenham que ser julgados pelo Tribunal de Justiça do Estado. “A mudança é prevista em dois artigos da Constituição do Estado, que dão ao tribunal a competência de julgar crimes comuns e de responsabilidade de secretários. Caso saia do STJ para o TJ, ela teria oportunidade de apresentar maior quantidade de recursos”, afirma a reportagem.

Atentado

O presidente do PSDB-MG, deputado federal Domingos Sávio, classificou o ato como “atentado contra o povo mineiro”. O tucano anunciou, nesta quinta-feira (28/04), no plenário da Câmara dos Deputados, que a manobra não ficará sem resposta e terá respostas jurídicas, a exemplo de ação civil e de um decreto na Assembleia Legislativa decreto para anular a nomeação.

Segundo o Domingos Sávio, Pimentel está usando uma Secretaria de Estado para abrigar alguém que está em vias até mesmo de ser presa, “porque pesam contra ela várias acusações de envolvimento com crimes”. “É essa a estratégia do PT: quando alguém está em vias de ser preso, nomeia-se ministro, secretária, porque o Estado pertence a eles. É assim que pensam esses petistas. Chega!”, disse. (Assista)

Oposição denuncia obstrução da Justiça

O Bloco de Oposição Verdade e Coerência vai entrar com Ação na Justiça questionando a nomeação da primeira-dama. Um dos argumentos é que o ato se configura uma forma de obstrução da Justiça, da mesma forma que a presidente Dilma Rousseff fez com o ex-presidente Lula, ao nomeá-lo Ministro da Casa Civil – um ato que também está sendo questionado na Justiça.

Assim como o marido Fernando Pimentel, a primeira-dama Carolina Pimentel é investigada pela Polícia Federal na Operação Acrônimo. A PF levantou fortes indícios de que o casal é protagonista de um amplo esquema de corrupção que desviou recursos do BNDES, para financiar as campanhas de Dilma Rousseff para a presidência da República e do próprio Fernando Pimentel para o Governo de Minas em 2014.

De acordo com a Polícia Federal, a Oli Comunicação, empresa de Carolina Pimentel, recebeu pagamentos milionários de empresas que firmaram contratos com o BNDES. Esses repasses teriam ocorrido entre 2012 e 2014, período em que Pimentel chefiava o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do qual o banco é vinculado. A PF suspeita também que a primeira-dama de Minas seja “sócia oculta” da agência Pepper, que integra esquema de corrupção que financiou campanha de Dilma Rousseff.

Atualmente, Fernando Pimentel, Carolina Pimentel e outros investigados no âmbito da Operação Lava Jato já estão respondendo a processos no Superior Tribunal de Justiça (STF). No último dia 11/04, Pimentel foi indiciado pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa, tráfico de influência e falsidade ideológica eleitoral. Clique AQUI para saber mais sobre este indiciamento.

Operação Acrônimo

A Operação Acrônimo foi deflagrada em maio do ano passado. A Polícia Federal buscava a origem de mais de R$ 110 mil encontrados em um avião no aeroporto de Brasília vindo de Belo Horizonte, em outubro de 2014. A aeronave transportava o empresário Benedito de Oliveira Neto, o Bené, amigo e operador da campanha de Fernando Pimentel ao governo de Minas. Bené foi preso pela primeira vez, mas liberado após pagar fiança. No dia 15 de abril, o empresário foi novamente preso preventivamente pela PF (Leia reportagem: PF prende Bené, apontado como operador de Fernando Pimentel).

A Operação Acrônimo também investiga irregularidades de campanha e suposto recebimento de propina de Fernando Pimentel quando ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A PF apura suposta “venda” de portarias que beneficiavam o setor automotivo durante a gestão do petista e de seu sucessor, Mauro Borges, na pasta. Atualmente, Mauro Borges ocupa a presidência da Cemig.

Confira fac símile do ato de nomeação de Carolina Pimentel como Secretária de Estado:

minas

Confira a repercussão da nomeação de Carolina Pimentel:

Folha de S.PauloInvestigada pela PF, mulher de Pimentel é nomeada secretária em MG

Portal G1Primeira-dama de Minas Gerais é nomeada secretária de Estado

O Estado de S.PauloInvestigados pela PF, governador de MG garante foro privilegiado à mulher ao nomeá-la secretária