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Para frente é que se anda

19 de Maio de 2017

Autor: Instituto Teotônio Vilela (ITV)

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Renúncia, nesse momento, apenas com o que se sabe até agora, seria capitular aos que destruíram o país e jogar o Brasil de novo num turbilhão do qual ele mal ensaiou sair

O momento por que atravessa o país exige serenidade e lucidez. Não comporta iniciativas tomadas ao calor da histeria das redes sociais. Não admite reações intempestivas a pressões exercidas, em boa medida, pelos mesmos que levaram o Brasil à barafunda em que se encontra. Neste sentido, foram adequadas as atitudes tomadas ontem pelo presidente da República e pelas mais relevantes forças políticas que o apoiam.

Renúncia, nesse momento, apenas com o que se sabe até agora, seria capitular aos que destruíram o país. Seria, mais que isso, jogar o Brasil de novo num turbilhão do qual ele mal ensaiou sair.

É preciso perseverar, enfrentar as dificuldades, buscar construir os melhores caminhos. E não depor as armas por tão pouco – pouco, ressalve-se, levando-se sempre em conta apenas o que se sabe até o presente momento.

O governo anterior cometeu, e há caminhões de evidências disso, um manancial de ilícitos e ilegalidades. Ainda assim, resistiu dura e bravamente por meses até ser apeado do Palácio do Planalto por decisão legítima emanada do Congresso. Por menos que isso, por certo jamais teria deixado o poder.

A situação presente é outra. Até agora o que há contra o atual presidente é tão somente uma frase que, como se viu na íntegra da gravação divulgada ontem, embora grave, pode estar totalmente desvirtuada de contexto. Pode não significar absolutamente nada, tampouco o crime de que Michel Temer era acusado até a tarde desta quinta-feira.

O governo foi emparedado por uma avalanche, mas, felizmente, respirou fundo antes de reagir. E agiu certo, porque é assim que quem detém o timão da nação nas mãos precisa agir. Às pressões e dificuldades reage-se com temperança e lucidez. Não se desiste do Brasil por tão pouco.

Isso não significa prescindir de respostas. Mas elas devem, e precisam, ser dadas por meio dos canais institucionais que nosso Estado democrático de direito prevê. Temer agora é alvo de inquérito aberto ontem pela Procuradoria Geral da República após autorização do Supremo Tribunal Federal. Terá oportunidade de se defender adequadamente, no tempo e nos ritos corretos, e não de afogadilho, como preferem os mais afoitos.

As forças políticas que sustentaram o governo de Michel Temer nestes difíceis, tumultuados últimos 12 meses entenderam que têm um compromisso não com o atual presidente da República, mas com a nação. Sem o apoio delas, não haverá futuro. Não para o governo, mas para o Brasil. Resistir, persistir, lutar e andar para frente, e não voltar para trás, é o que é preciso.

Fonte: Carta de Formulação e Mobilização Política nº 1.587 do Instituto Teotônio Vilela (ITV)