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O trator da retomada

16 de maio de 2017

Autor: Instituto Teotônio Vilela (ITV)

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Investidores, empresas e consumidores ainda estão ressabiados com a continuidade do crescimento econômico, ainda muito depende de uma agenda de reformas difíceis de serem aprovadas no Congresso

Dentro de mais duas semanas, o país saberá oficialmente se o PIB parou de cair, depois de quase três anos afundando. Os primeiros sinais são positivos e sugerem que a pior recessão da história finalmente pode ter acabado. O trator da retomada está no Brasil profundo do interior.

Ontem o Banco Central divulgou seu índice de atividade relativo ao primeiro trimestre, que funciona como prévia aproximada do PIB calculado pelo IBGE, a ser conhecido em 1° de junho. A economia cresceu 1,12%, após oito trimestres consecutivos de baixa – pela série do IBGE, a queda atual é mais duradoura, de 11 trimestres.

Qualquer que seja o resultado oficial, será certamente um alento perto de onde estava a economia brasileira um ano atrás: no primeiro trimestre de 2016, a atividade caiu mais de 6%. É um salto e tanto, como analisa Sergio Vale, da MB Associados, em O Estado de S. Paulo.

Não há consenso sobre se a retomada que despontou nos três primeiros meses do ano será mantida no trimestre seguinte – em março, já houve recuo de 0,44% na atividade sobre fevereiro.

Investidores, empresas e consumidores ainda estão ressabiados com a continuidade do crescimento econômico, ainda muito depende de uma agenda de reformas difíceis de serem aprovadas no Congresso. Também por isso, a recuperação em marcha é gradual, paulatina e moderada.

Do que não restam dúvidas, contudo, é sobre a força do setor primário da economia brasileira. O agro está bombando.

O Brasil está colhendo neste ano a maior safra de grãos de sua história. As reestimativas de produção se sucedem, sempre trazendo novas altas. O campo cada vez surpreende mais.

Devem ser colhidas algo em torno de 233 milhões de toneladas de grãos até julho, segundo o IBGE e a Conab. Isso significa alta de mais de 25% sobre o volume produzido no último ano-safra, quando o país experimentou a primeira queda de produção desde 2009.

O Brasil produz cada vez mais ocupando relativamente áreas cada vez menores. Isso significa atuar em consonância com os preceitos da sustentabilidade. Significa também comida mais barata na mesa dos brasileiros – e de gente espalhada pelo mundo todo.

O campo produz hoje 150% mais do que produzia no início da década de 1990 – data considerada marco na mudança de paradigmas da produção agrícola nacional. Significa que, mantido aquele nível de produtividade, o Brasil precisaria de mais 84 milhões de hectares para colher o que colhe hoje. É simplesmente mais que o dobro da área de 60 milhões de hectares atualmente ocupada pela lavoura nacional.

A agropecuária brasileira tornou-se paradigma de produtividade mundial. Muito diferente dos demais setores da nossa economia, em que a produtividade média, na melhor das hipóteses, ficou estagnada ao longo dos últimos anos. Não é difícil enxergar: o campo aponta o caminho a seguir.

Fonte: Carta de Formulação e Mobilização Política nº 1.584 do Instituto Teotônio Vilela (ITV)