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O cerco está se fechando também em Minas: PF prende Bené, operador de Pimentel em esquema de corrupção

15 de abril de 2016

A prisão preventiva se dá no âmbito da Operação Acrônimo, que investiga fraudes eleitorais e desvios de recursos públicos recebidas pelo governador petista

Acrônimo começou em 2014, quando o mesmo Bené foi preso embarcando no Aeroporto da Pampulha transportando R$ 113 mil em dinheiro vivo

Acrônimo começou em 2014, quando o mesmo Bené foi preso embarcando
no Aeroporto da Pampulha transportando R$ 113 mil em dinheiro vivo

O empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, apontado pela Polícia Federal como operador do governador Fernando Pimentel, do PT, em esquema de corrupção e fraude eleitoral, foi preso nesta sexta-feira, em Brasília.

A prisão preventiva se dá no âmbito da Operação Acrônimo, que investiga recebimento de vantagens indevidas por Pimentel quando o petista comandava o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, informa matéria do jornalista Fausto Macedo, do jornal O Estado de S. Paulo.

Bené já havia sido preso pela PF por associação criminosa, na mesma operação, em 29 de maio de 2015, mas foi liberado na ocasião.

As investigações da Operação Acrônimo começaram em 2014, quando foram apreendidos R$ 113 mil em dinheiro vivo no avião de Bené – a mesma aeronave que, descobriu-se depois, foi utilizada por várias vezes por Pimentel e por sua esposa, Carolina Oliveira. Na ocasião, Bené embarcara em Belo Horizonte com destino a Brasília, quando foi surpreendido por agentes da Polícia Federal ainda no aeroporto da Pampulha, na capital mineira Em seguida, foi levado à superintendência da PF para prestar depoimento.

A Polícia Federal investiga um esquema de caixa dois, que teria irrigado as campanhas de Pimentel e da presidente Dilma Rousseff na campanha eleitoral de 2014, que teria Bené como operador.

A suspeita é de que Pimentel recebeu valores de empresas que mantinham contratos com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES), instituição subordinada à pasta. Bené é investigado por participação no esquema com suposta prática dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Prisão de Bené complica situação de Pimentel no STJ

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Na semana passada, Fernando Pimentel foi indiciado pela Polícia Federal, também no âmbito da Operação Acrônimo, pelos crimes de corrupção passiva, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa, tráfico de influência e falsidade ideológica eleitoral. O indiciamento foi autorizado pelo ministro Herman Benjamin, relator do processo que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra o governador mineiro.

Agora, caberá à Procuradoria Geral da República definir se Pimentel deve ou não ser denunciado à Justiça. Se a Justiça aceitar a denúncia, ele se tornará réu em uma ação penal e poderá inclusive ser afastado do cargo. Com a prisão de Bené nesta sexta-feira, o cerco contra a corrupção petista está se fechando cada vez mais também em Minas Gerais.

Leia também:

O Globo: PF prende empresário e prepara denúncia contra governador de Minas

O Estado de S.PauloEmpresário preso ‘forjou’ consultoria para esconder propina a Pimentel, diz PF

Folha de S.Paulo: Em Operação Acrônimo, PF prende suposto operador de Pimentel

Veja: Operador da campanha de Dilma é preso pela Polícia Federal

Revista Época: PF prende operador Bené, ligado ao governador Fernando Pimentel

Confira a seguir a íntegra da matéria do jornal O Estado de S.Paulo

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O empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, apontado pela Polícia Federal como operador do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, em esquema de corrupção e fraude eleitoral, foi preso nesta sexta-feira. Ele foi levado para a superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal nesta manhã.

A prisão preventiva se dá no âmbito da Operação Acrônimo, que investiga recebimento de vantagens indevidas pelo governador mineiro quando o petista comandava o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A Acrônimo é mantida em segredo de justiça no Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde é relatada pelo ministro Herman Benjamin.

A suspeita é de que Pimentel recebeu valores de empresas que mantinham contratos com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES), instituição subordinada à pasta. Bené é investigado por participação no esquema com suposta prática dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

A PF suspeita que o governador de Minas recebeu “vantagens indevidas” de Bené, ligado ao PT, e de empresas que obtiveram empréstimos do BNDES. Os investigadores também apuram indícios de que recursos obtidos de forma ilícita foram realocados para a produção de material gráfico para a campanha do petista ao governo de Minas em 2014. Os serviços foram prestados pela Gráfica Brasil, empresa que pertence à família de Bené, não teriam sido declarados.

A publicitária Danielle Fonteles, sócia da agência Pepper Comunicação Interativa, que prestava serviços ao PT, confirmou em depoimentos prestados a investigadores da Operação que Bené atuava como uma espécie de “provedor” da primeira campanha presidencial de Dilma Rousseff, em 2010, conforme relato de fonte com acesso ao caso.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA JOSÉ LUÍS OLIVEIRA LIMA:

“A prisão preventiva é uma decisão de extrema gravidade que só deve ser aplicada em casos excepcionais e esta não é a situação de Benedito Rodrigues. O meu cliente sempre esteve à disposição da Justiça. Portanto, não há nenhum requisito para essa posição do ministro (Herman Benjamin, do STJ). Vou recorrer imediatamente dessa decisão.”