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Nova fase da Acrônimo mira primo de ex-mulher de Pimentel, cuja empresa foi usada para lavar dinheiro

13 de setembro de 2016

De acordo com Polícia Federal, recursos ilegais recebidos pelo atual governador mineiro foram repassados para Felipe Torres adquirir um restaurante como fachada. Posteriormente, ele foi nomeado diretor da Cemig

Fernando Pimentel, do PT, e restaurante da Rede Madero: hamburgueria foi utilizada para lavar dinheiro de propina

Fernando Pimentel, do PT, e restaurante da rede Madero: hamburgueria foi utilizada para lavar dinheiro de propina

A sétima fase da Operação Acrônimo, da Polícia Federal (PF) deflagrada nesta terça-feira (13/09) tem como principal alvo o empresário Felipe Torres do Amaral, filho de uma prima da ex-mulher do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, do PT. De acordo com a PF, Felipinho, como é conhecido, teria sido beneficiário de parte da propina que Pimentel recebeu durante o período em que foi ministro do Desenvolvimento no governo de Dilma Rousseff.

Os recursos – da ordem de R$ 800 mil – teriam sido utilizados na aquisição de uma hamburgueria gourmet, da rede de restaurantes Madero, localizada em um shopping em Piracicaba, no interior de São Paulo. Entretanto, há evidências de que, na verdade, Pimentel seria sócio oculto da hamburgueria, a qual teria sido utilizada como fachada para lavagem do dinheiro oriundo de propina e que abasteceu o caixa dois eleitoral da campanha do petista do governo de Minas em 2014.

Felipinho foi levado nesta terça em condução coercitiva para a depor na Polícia Federal de São Paulo. Outro alvo de condução de coercitiva é o empresário Sebastião Dutra, dono da gráfica Color Print. Segundo as investigações da PF, ele teria omitido notas fiscais falsas para uma das empresas envolvida na construção do restaurante. Esta mesma gráfica foi uma das fornecedoras para a campanha de Pimentel ao governo de Minas em 2014.

De acordo com reportagem publicada pela revista Época em junho de 2016, a tenebrosa transação envolvendo Pimentel e Felipinho foi revelada na delação premiada de Benedito Oliveira, o Bené, apontado como principal operador do esquema de corrupção do atual governador de Minas. Em seu depoimento, Bené revelou que o dinheiro utilizado na compra da hamburgueria teve como origem uma propina de R$ 20 milhões paga ao então ministro Pimentel pela montadora CAOA em troca de isenções fiscais para a empresa.

Trecho da delação de Bené: dinheiro de propina bancou campanha de Pimentel e investimento em restaurante

Trecho da delação de Bené: dinheiro de propina bancou campanha de Pimentel e investimento em restaurante

Clique AQUI para ler a íntegra da reportagem da revista ÉPOCA

De acordo com a franquia Madero S/A, que controla a rede de restaurantes Madero, Felipe Torres Amaral foi franqueado da marca até outubro de 2015, quando a franqueadora recomprou a franquia e encerrou o relacionamento comercial com ele. A empresa afirma ainda que entregou à Polícia Federal os contratos firmados com a F2B Alimentação Ltda. (empresa pertencente a Felipinho), “em respeito ao cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão nº 000062/2016, expedido em 1º de agosto de 2016 pelo Ilmo. Sr. Ministro Herman Benjamin, do Superior Tribunal de Justiça, relator do Inquérito nº 1105”.

Pimentel nomeou Felipinho como diretor da Cemig

Sem medo do perigo e confiando na impunidade, em 13 maio de 2016, já como governador, Fernando Pimentel nomeou Felipinho para o reluzente cargo de Diretor de Gás da Companhia de Energia de Minas Gerais (Cemig), controlada pelo Estado.

Clique AQUI para acessar ata do Conselho de Administração da Cemig que aprovou o nome de Felipe Torres do Amaral para o cargo de Diretor de Gás da empresa.

Em 17 de junho de 2016, entretanto, diante da divulgação de que Felipinho estava sendo investigado pela Operação Acrônimo, a Cemig simplesmente extinguiu a Diretoria de Gás. Ele foi então renomeado para um cargo menos vistoso, o de “assistente da presidência”, mas, na prática, estaria atuando com status de diretor.

Saiba mais sobre a Operação Acrônimo

Deflagrada em 2015, a Operação Acrônimo apura irregularidades no financiamento e na prestação de contas ocorridas na campanha de Fernando Pimentel ao governo de Minas em 2014. Em função dessas irregularidades, o petista foi indiciado pela Polícia Federal sob suspeita de corrupção passiva, tráfico de influência, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A Polícia Federal investiga também suspeitas de favorecimento a empresas com isenções fiscais e empréstimos do BNDES, subordinado ao Ministério de Desenvolvimento, durante o período em que o petista foi ministro.

Atualmente, Fernando Pimentel responde a processo no Superior Tribunal de Justiça (STJ) pelos crimes de lavagem de dinheiro, ocultação de bens e corrupção passiva. Caso o STJ acate a denúncia feita pela Procuradoria Geral da República, ele se tornará réu e deverá ser afastado do cargo de governador.