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Líderes da base governistas na ALMG manobram para adiar impeachment de Fernando Pimentel

3 de maio de 2018

Os líderes da base governista na Assembleia Legislativa de Minas estão mobilizados para tentar engavetar o processo de impeachment contra o governador Fernando Pimentel, aceito pela Casa no final de abril. Os aliados petistas apresentaram duas questões de ordem durante a sessão plenária desta quarta-feira (02/05) na tentativa desesperada de descredibilizar a denúncia de crime de responsabilidade que pesa contra o governador e transformar o pedido de impeachment em pizza. Com os questionamentos apresentados hoje, os prazos para a criação da Comissão Especial que irá analisar o processo foram suspensos.

Para os deputados de oposição, a manobra dos petistas para adiar a criação da comissão, apesar de previsível, não anula o processo na Assembleia. “O Partido dos Trabalhadores está ficando isolado, se sentindo pressionado e, por isso, tem que agir de alguma forma. Conseguiu, no máximo, ganhar tempo. Mas esse é um caminho sem volta, é só uma questão de dias. A Comissão vai ter seus nomes indicados em breve e os trabalhos para avaliar a denúncia e o pedido de impeachment contra Pimentel vão começar”, afirmou o líder da Minoria Gustavo Valadares.

O parlamentar lembra que os deputados petistas já recorreram a outras manobras para blindar Pimentel e impedir que ele se tornasse réu pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro investigados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na Operação Acrônimo. “No ano passado, eles tentaram politizar uma decisão que era de Justiça. Quiseram trazer para a Assembleia, onde Pimentel tem o apoio da maioria, a autorização para que o STF julgue o governador que é acusado de prática de crimes comuns. Não tiveram sucesso naquela época e também não terão agora”, explicou.

O líder da oposição, deputado Gustavo Corrêa, acredita que a Mesa dará uma resposta rápida às questões de ordem apresentadas pela base governista para protelar o andamento do processo. “Acredito que no início da próxima semana já vamos começar a discutir a composição da Comissão Especial, à qual caberá o relatório sobre o impeachment. Os mineiros aguardam o posicionamento do Legislativo e desejam, não tenho dúvida, que Pimentel seja afastado se tiver cometido os crimes que lhe são imputados ”, afirma.

A denúncia contra Pimentel, protocolada no início de abril pelo advogado Mariel Marra, é justificada pela retenção e restrição indevida do repasse dos duodécimos orçamentários ao Poderes Legislativo e Judiciário, o que configuraria crime de responsabilidade. O advogado cita ainda o confisco dos depósitos judiciais, o parcelamento e atraso nos salários dos servidores, a retenção dos recursos do ICMS e do IPVA destinados aos municípios mineiros, além dos valores devidos aos bancos relativos a empréstimos consignados, descontados direto na folha de pagamento.

Fonte: Bloco Verdade e Coerência