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Investigado, Pimentel quer nomear um dos responsáveis pela Operação Acrônimo como Secretário de Estado

13 de maio de 2016

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Um dos últimos atos do ex-ministro da Justiça de Dilma Rousseff foi colocar o superintendente da PF em Minas à disposição do governador

As artimanhas do PT que caracterizaram os dias terminais de Dilma Rousseff para evitar o naufrágio do (des) governo petista podem continuar sendo acompanhadas em Minas, para espanto da população. O governador Fernando Pimentel, denunciado por crime de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e fraude eleitoral no âmbito da Operação Acrônimo, da Polícia Federal, quer nomear o superintendente da PF em Minas Gerais, Sérgio Menezes, para ser seu secretário de Segurança Pública.

Sérgio Menezes é um dos responsáveis pelas ações da Operação Acrônimo no estado e, por consequência, de investigar o governador petista. Outros investigados, além de Fernando Pimental, são a primeira-dama Carolina de Oliveira Pimentel, o presidente da Cemig, Mauro Borges, e o empresário, amigo e operador da campanha de Pimentel ao governo de Minas, Benedito Oliveira, o Bené, entre outros.

De acordo com a coluna Radar, da Revista Veja, uma das últimas medidas do ex-ministro da Justiça do governo Dilma, Eugênio Aragão, foi colocar o superintendente da PF à disposição do governador de Minas.

“A manobra, vista pela PF como uma tentativa de melar a Acrônimo, vinha sendo tentada por Aragão há meses, mas o diretor-geral da instituição, Leandro Daiello, se recusava a endossá-la. Na saideira, Aragão colocou o superintendente de Minas à disposição de Pimentel à revelia de Daiello”, informa a jornalista Vera Magalhães, responsável pela coluna. (Leia íntegra AQUI)

A decisão repercutiu mal na Polícia Federal e pode ter sido inócua, já que a Diretoria-Geral do órgão vai pleitear ao novo ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, que cancele a cessão de Sérgio Menezes. Conforme fontes da PF, o órgão tem independência funcional e, não necessariamente, a cessão atende aos interesses da corporação. (Leia matéria publicada no jornal O Estado de S.Paulo: PF quer cancelar ida de delegado para governo Pimentel)

Investigada e blindada

A indicação do responsável pela Operação Acrônimo em Minas para ocupar uma secretaria em seu governo não é o primeiro ato considerado, no mínimo, suspeito de Fernando Pimentel. Ele vem depois de o governador petista nomear sua mulher Carolina Pimentel, também investigada pela Polícia Federal, como secretária de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social. O ato de Pimentel foi suspenso pela Justiça de Minas, em caráter liminar, nesta quinta-feira (12/5).

A decisão acolheu denúncia em ação popular protocolada pelos deputados de oposição na Assembleia Legislativa, que indicaram que a nomeação de Carolina teve por objetivo lhe conferir foro privilegiado e obstruir o trabalho da Justiça no andamento da Operação Acrônimo.

Em seu despacho, o juiz Michel Couri e Silva, da 1ª Vara da Fazenda Pública Estadual, apontou que, por ser alvo da investigação da Polícia Federal, Carolina “não deveria sequer ser cogitada para ocupar o cargo de Secretária de Estado”.

Parece que Pimentel está seguindo os mesmos passos da presidente afastada Dilma Rousseff, que fez manobra semelhante com o objetivo de blindar o ex-presidente Lula ao nomeá-lo ministro da Casa Civil. Também barrado pela justiça, Lula ficou apenas algumas horas no cargo. Carolina Pimentel, 15 dias.