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Indústria 0.0

5 de fevereiro de 2018

Autor: Instituto Teotônio Vilela (ITV)

Fábricas voltam ao azul depois de três anos de queda durante a recessão. Desafio está em abrir-se mais à concorrência externa, modernizar as linhas e depender menos do Estado

A indústria foi uma das principais vítimas da recessão que assolou o país entre 2014 e 2016. O setor viu sua produção retroceder ao patamar de quase uma década atrás, perdeu relevância no PIB e, mais grave, está vendo o bonde da modernização tecnológica passar ao largo. Sem fábricas competitivas, a economia nacional namora seu passado colonial.

É mais que sabido que a indústria cumpre papel de dinamizar a atividade produtiva. Responde pelo grosso da inovação, emprega grandes contingentes de trabalhadores e costuma pagar os melhores salários. Quando definha, todos perdem. Foi o que aconteceu no Brasil desde 2008, a partir de quando o setor industrial nacional mergulhou.

Felizmente, a espiral descendente foi rompida em 2017. A indústria apresentou crescimento depois de três anos consecutivos de baixas, conforme divulgou o IBGE na semana passada. A alta foi de 2,5%, percentual bastante insuficiente, contudo, para compensar a queda de 18% acumulada desde 2008, ano de sua máxima histórica, de acordo com as Contas Nacionais.

Não foi por falta de iniciativas que a indústria brasileira perdeu musculatura. Pelo contrário. O excesso de intervenções e iniciativas governamentais levadas a cabo pelas gestões petistas colaborou para enterrar ainda mais o setor manufatureiro da nossa economia. A orientação dada, porém, foi oposta à que cobram os novos tempos.

As políticas promovidas pelas gestões Lula e Dilma primavam pela excessiva interferência do Estado na economia, pelo intervencionismo nas regras de mercado e pela escolha arbitrária dos beneficiários. Foi o tempo da chamada política dos “campeões nacionais”, quase todos convertidos em reluzentes derrotados.

A efetiva saída para a indústria brasileira está em abrir-se mais ao mundo. Mais competição tende a trazer maior inovação, ao mesmo tempo em que amplia mercados para os produtos locais – hoje muito dependentes do anteparo tarifário conferido pelo protecionismo que ainda marca as políticas de comércio exterior brasileiras.

Outro fator incontornável é a modernização. Conforme mostrou a edição de domingo d’O Estado de S. Paulo, 40% da produção industrial nacional padece de obsolescência tecnológica. É flertar com o abismo, numa época em que os chamados sistemas de big data, a produção orientada pela imensa massa de informação gerada por ferramentas digitais, tendem a se tornar cada vez mais preponderantes.

A recuperação da indústria nacional não depende apenas de políticas públicas melhor orientadas, o que inclui melhor calibragem da carga de tributos incidente. Cobra também postura menos cartorial dos próprios empresários e maior disposição para enfrentar a concorrência de peito aberto, e não nas barras da saia do Estado, como foi a tônica até agora.

– Carta de Formulação e Mobilização Política Nº 1732