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Pimentel estoura limite de gasto com pessoal e Minas fecha 2016 com rombo de R$ 4,1 bilhões

1 de Fevereiro de 2017

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Mesmo com déficit bilionário, gestão do PT contratou 1,9 mil novos servidores em janeiro e aumentou salários do alto escalão

Em estado de calamidade financeira desde dezembro, o governo de Minas Gerais anunciou nessa segunda-feira (30/01) que fechou 2016 com um rombo orçamentário de R$ 4,16 bilhões. Apesar de o resultado negativo ser menor que o de 2015, quando o déficit chegou a R$ 8,9 bolhões, os indicadores mostram que o estado continua em situação crítica. Dados apresentados pelas secretarias de estado da Fazenda e de Planejamento e Gestão mostram que Minas ultrapassou em 0,29% o limite de gastos com pessoal definido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

De acordo com o jornal Valor Econômico desta terça-feira (31/01), o estado terminou o ano com despesa de R$ 88,13 bilhões – um aumento de 3,5% em relação a 2015. O secretário da Fazenda de Minas Gerais, José Afonso Bicalho, descreveu à publicação a situação de Minas como “complicada” e culpou a recessão no país e o aumento de gastos com pessoal “herdados de governos passados” pelos números negativos.

Para o deputado federal Domingos Sávio, presidente PSDB-MG, na verdade a crise instalada no estado sob a gestão do governador Fernando Pimentel (PT) demonstra a “irresponsabilidade” e o “descaso” do PT, levando Minas a esse rombo no orçamento.

“O PT gasta muito e gasta mal o dinheiro público. É um governo que, além de se notabilizar por aceitar, se envolver e promover a corrupção, é hoje o campeão da incompetência. Eles gastam com a companheirada, com mordomia e com a incompetência na contratação de serviços. Por isso, estourou o limite de pessoal. A maioria das obras e programas que haviam no governo do PSDB parou quando eles assumiram. Não deram conta sequer de concluir obras, muito menos de fazer o que prometeram para o povo mineiro. Nós vivemos um pesadelo por termos sido vítima do estelionato eleitoral do PT, que fez um estrago em Minas, seguindo a mesma cartilha que a Dilma usou para fazer um estrago no Brasil”, afirmou o deputado.

Em meio à crise, governo petista aumenta salários de alto escalão

Outra reportagem, publicada pelo jornal Folha de S. Paulo nesta quarta-feira (1º/02) destaca que, embora tenha ultrapassado o limite de gastos com pessoal em 2016 e fechado o ano pela segunda vez com deficit bilionário, o governo de Minas Gerais aumentou salários, promoveu funcionários e fez 1.867 nomeações só no mês de janeiro.

“Mais de mil (novas contratações) aconteceram no sábado (28/01), dois dias antes de o governo mineiro divulgar que estourou em 0,29% o limite de gastos com pessoal da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal)”, revela a reportagem.

O jornal critica ainda o fato de que, apesar do secretário de Planejamento Helvécio Magalhães ter dito que o governo faria “restrições mais severas na folha de pagamento”, a própria Secretaria de Planejamento elevou o valor de gratificações de servidores de alto escalão da Pasta na última quarta-feira (25/01). De acordo com a matéria, três subsecretários, a intendente da Cidade Administrativa (espécie de “prefeita” da sede da Cidade Administrativa) e o coordenador das UAIs que tinham vencimentos de R$ 9.000, passaram a receber R$ 11.000”.

Pimentel se recusa a fazer a “lição de casa”

Segundo a reportagem do Valor Econômico, Pimentel pretende negociar com o governo federal medidas para equilibrar as contas. O governador, no entanto, não quer discutir privatização nem corte de pessoal. O petista afirmou que privatizações não estão no horizonte de Minas, diferentemente do que ocorre no Rio de Janeiro, que negociou com a União a venda da companhia de água e esgoto. A redução no número de servidores é algo que Pimentel também rejeita.

Na avaliação do tucano Domingos Sávio, a privatização poderia ser uma medida importante para reverter o cenário de crise nos estados que sofrem mais com a crise econômica do país. “Deveria ser estudada pelo governo, e não descartada como disse o Pimentel. Acredito que é preciso fazer um levantamento de quais áreas estão servindo apenas para sangrar os cofres públicos com despesas sem gerar benefício para a população e nessas áreas fazer um enxugamento”, avaliou.

Nesta segunda-feira, um estudo realizado pela agência de classificação de risco Fitch revelou que Minas, Rio e Rio Grande do Sul – três dos estados em situação econômica mais delicada em todo o país – teriam suas dívidas com instituições financeiras reduzidas pela metade caso privatizassem suas principais estatais.

Leia a matéria do Valor Econômico (para assinantes)Com rombo orçamentário de R$ 4,1 bi, Minas não quer negociar privatização

Confira na Folha de S.PauloCom deficit bilionário, Minas Gerais dá aumento para servidores

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