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Entrevista coletiva do senador Aécio Neves – Programa Caminhos de Minas

6 de agosto de 2012

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Assuntos: obras do programa Caminhos de Minas; paralisia e atraso em obras do governo federal; centralização de recursos em poder da União 

Belo Horizonte 

Qual é a avaliação que o senhor faz em relação novo programa?

Acho que Minas Gerais é hoje, para o Brasil, uma referência de planejamento e eficiência. Estas são as maiores marcas do estado de Minas Gerais. Se hoje estamos lançando mais uma vez, porque o Proacesso, da mesma forma, foi no seu tempo o maior programa rodoviário do país, lançamos agora, portanto, em menos de seis anos, o segundo maior programa rodoviário do Brasil – em conjunto de obras, em quilometragem. Isso é fruto de quê? Do investimento que fizemos em planejamento, em gestão. Algumas pessoas ainda não compreendem, ou de alguma forma não conseguem aceitar, a essencialidade do que foi o Choque de Gestão para nós. Foi ele que equilibrou as nossas contas, permitiu que reconquistássemos a nossa capacidade de investir e a nossa credibilidade internacional. Isso permitiu que Minas unisse todas as suas cidades ao asfalto, com exceção lamentavelmente, uma exceção que eu chamaria até de vergonhosa, das cinco estradas sob a responsabilidade do governo federal, não obstante ao nosso apelo ainda no meu tempo de governo, para que elas pudessem ser transferidas para a responsabilidade do governo. Apenas cinco municípios ficarão sem ligação asfáltica porque não houve, por parte do governo federal, a atenção que deveria haver para com Minas Gerais. Isso se repete em outras obras, estamos sem investimentos na BR-381, o nosso Anel Rodoviário causando mortes a quase todas as semanas, está aí o Metrô de Belo Horizonte sempre na promessa. Faço sempre essa comparação para dizer que aqui o governo do Estado planejou e, agora, com o lançamento deste programa permite, inclusive a outros estados, perceberem a importância, a essencialidade de você planejar para executar. Ainda no nosso governo, licitamos todo conjunto de projetos desses trechos. Sem esses projetos esses trechos não poderiam estar sendo licitados agora e o governador Anastasia traz essa extraordinária notícia para todos os mineiros.

 

Um investimento tão grande, beneficiando tantas cidades em um ano de eleições municipais não pode ser visto como um pedido de apoio?

Acho que não. Acho que a credibilidade que temos é porque trabalhamos todos os anos. O equivocado seria, por em razão das eleições municipais, parar de realizar as coisas. Nosso governo é um governo realizador. Diria o nosso governo, porque se inicia conosco em 2003 e ainda continua com o governador Anastasia. E tudo está acontecendo no tempo certo. Vamos ter obras este ano. Vamos ter o lançamento, espero ainda no primeiro trimestre do ano que vem, de um conjunto de obras do mesmo volume desse, atendendo a outros municípios, e vamos fazer isso também no último ano do governador Anastasia. O que não vamos fazer é parar. O Estado mostra, portanto, como diz o governador, o seu vigor financeiro, e eu insisto muito nisso, porque acho que o grande desafio da minha geração de homens públicos é introduzir no plano nacional, o planejamento, a gestão eficiente. Ao contrário do que ocorre em Minas Gerais, o governo federal agiganta sua máquina, mais de 40 ministérios. Há uma paralisia hoje no governo em todas as áreas. As obras de infraestrutura do governo federal não avançam em parte alguma do país. O setor privado reclama. Os governantes estaduais veem a demora nas realizações. Por quê? Porque lá não há planejamento.

 

E diante de tantas críticas à União, qual a expectativa do senhor em relação a parte que compete ao governo federal em relação a esta nova fase, ao novo programa Caminhos de Minas?

Parte desses recursos são financiamentos junto ao BNDES que Minas só pode adquirir porque tem capacidade para isso. Então, esta contrapartida virá, mas são recursos que serão pagos pelo Governo do Estado. É financiamento. Não é uma transferência sem ônus para o Estado. O que falta no Brasil hoje é a visão federativa da descentralização. Quanto mais o governo federal acumula recursos, mais ele se torna ineficiente. Há pouca generosidade do governo federal ao não distribuir parcelas desses recursos com os estados e com os municípios. As coisas avançariam numa velocidade muito maior e ganhariam todos os brasileiros. O governo federal avoluma as suas receitas, bate recordes de arrecadação a todo instante, e isso não tem correspondência com a eficiência do governo, com as realizações do governo. Para se ter uma ideia, há dez anos, antes do ano de 2002, o governo federal era responsável por 46% de tudo o que se gastava em saúde pública no Brasil. Hoje, o governo federal só é responsável por 30%. 70% são os estados e municípios. Na segurança pública, repito, num governo que, em nível federal, acumula mais de 60% de tudo o que se arrecada, os municípios e os estados investem 85% de tudo o que se gasta em segurança pública no Brasil. Isso não tem sentido, não é lógico. Portanto, o governo federal, o governo do PT, caminha na lógica da centralização para ter força política e, de alguma forma, distribuir os benefícios. E o que seria correto, que é a nossa visão, é o fortalecimentos dos estados e dos municípios, dando a eles uma parcela maior das receitas para eles próprios realizarem as suas prioridades. Minas, mesmo com essas dificuldades, porque é um estado vigoroso e, repito, tem planejamento, vem fazendo isso. Outros estados não têm tido esta mesma capacidade, essa mesma condição.