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Entrevista coletiva do senador Aécio Neves em Belo Horizonte (MG)

18 de setembro de 2012

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Assuntos: Veto à CFEM, presidente Dilma Rousseff, eleições BH, Marcio Lacerda, mensalão/PT, José Serra, eleições São Paulo


Sobre o veto da presidente à emenda que altera cobrança da CFEM

Esta questão eu não falaria se não fosse incitado a falar, mas hoje o Diário Oficial publica uma decisão da presidente da República absolutamente contrária aos interesses de Minas Gerais. Nós incluímos, em uma medida provisória enviada pelo próprio governo, uma regra de que a CFEM, a compensação que as mineradoras dão pela exploração mineral dos estados e municípios mineradores, fosse calculada com base no preço real do produto exportado e não no preço muitas vezes subfaturado que é registrado quando as mineradoras exportam para suas subsidiárias.

O governo fez isso em relação à contribuição sobre o lucro líquido, a PIS/Cofins, que são impostos federais. Esta mesma regra não vale mais a exportação para uma subsidiária e o imposto calculado sobre o preço subfaturado. Incluímos lá, num enorme esforço das oposições, uma proposta de que a CFEM também fosse calculada sobre o preço real. Estou tendo uma notícia hoje de manhã, lamentavelmente, que a presidente vetou este artigo. Talvez atendendo a um pedido das mineradoras ou uma visão equivocada de que os estados precisam serem ressarcidos pelos danos ambientais, pelos danos de infraestrutura que a mineração causa.

Talvez uma pouca familiaridade com a realidade de Minas. Talvez não sabendo o que está acontecendo com as nossas regiões mineradoras, muitas delas exauridas já. Ela faz mais esta maldade com Minas Gerais. Talvez se a presidente vier a Minas Gerais, repito, será muito bem vinda, e será uma oportunidade de ela explicar porque, lamentavelmente, tira mais de 300 milhões do estado de Minas Gerais que seriam investidos nessas regiões. É uma decisão mais uma delas equivocada, e que não atende aos interesses de Minas Gerais. Tanto esta quanto outras questões que têm lesado Minas, talvez ela possa, se aqui, estiver, ter a oportunidade de esclarecer as razões que a levaram a mais este gesto de absoluta injustiça para com o estado de Minas Gerais.

Quanto aos impostos federais, ela garantiu que é correto. Imposto tem de ser calculado sobre o preço real das mercadorias, inclusive, das commodities. Mas em relação à CFEM que é um imposto estadual, que atende Minas, Pará, Goiás e outros estados mineradores, ela diz, com esta decisão, que é possível que a CFEM seja calculada sobre o preço subfaturado dos produtos que, eu lamento como mineiro, e tenho certeza de que todos os mineiros de verdade lamentam esta decisão.

Sobre a participação da presidente na campanha de Patrus Ananias. Qual a preocupação de vocês?

A presidente Dilma, legitimamente, já está na campanha eleitoral há muitos dias. Isso não alterou a campanha eleitoral. Eu digo sempre, todos que nos visitam são muito bem vindos a Belo Horizonte. A própria presidente Dilma Rousseff é muito bem vinda a Belo Horizonte. Talvez os belo-horizontinos apreciassem mais se, ao invés apenas da presença eleitoral, tivessem já chegado aqui os recursos do metrô, da Fernão Dias, do Anel. Se não tivéssemos tido a péssima notícia no último dia do mandato do presidente Lula de que a expansão da Fiat não seria feita em Minas Gerais. Mas é legítimo, é do jogo partidário. O que eu vejo, é que a campanha do Marcio se consolida por uma razão clara, por uma razão a meu ver cristalina. Ela é coerente. Basta ver a campanha do nosso adversário. Ele já tentou de tudo. Ataques, mentiras, agora parte na reta final da campanha, já que nada deu certo, para algo que o meu amigo marqueteiro, João Santana, faz costumeiramente, uma tentativa de vitimizar o candidato. Mas eu compreendo que as dificuldades de nosso adversário são muito grandes. Até poucos dias ele estava na administração com toda a sua equipe. Os seus companheiros de campanha participavam do esforço do Marcio. De repente, por uma razão que vocês conhecem, ele sai da coligação e resolve virar oposição. Hoje em dia, não é possível mais subestimar a inteligência das pessoas. As pessoas estão maduras e sabem o que querem. E é o belo-horizontino que vai decidir o seu destino.

Por isso Marcio vem de forma sólida, consistente, falando em propostas. O Marcio não agrediu ninguém em momento nenhum da campanha. Não acusou, nosso candidato, de absolutamente nada, por maiores que sejam, do outro lado, as acusações, as inverdades. Fico vendo, será que eles acham que o belo-horizontino não conhece as coisas e as responsabilidades de cada um? Vi uma propaganda eleitoral, recentemente, do nosso adversário, e confesso que me assustou pela ousadia, em razão e verdade, dizendo que caberia ao Marcio ter feito as obras do metrô. Durante oito anos tivemos um prefeito do PT, que durante 6 anos teve um presidente da República do PT, o presidente Lula, e não fizeram um centímetro de metrô em Belo Horizonte. Então, as pessoas não se iludem mais com esse tipo de ação eleitoreira. O que é correto é você dizer o que foi feito como o Marcio tem dito, e o que vai fazer. Eu estou com o Marcio, nossos companheiros estão com o Marcio. Coerentemente com aquilo que nós pregávamos há quatro anos atrás. Então esse zigue-zague da campanha do PT mostra totalmente um grande desespero diante da reta final. São ataques em determinados momentos. Aí eles se reúnem e falam, não é bom atacar. Jogam todas as fichas na eventual vinda da presidente da República, mas repito, vamos receber muito bem a presidente, como recebemos aqui o meu amigo, o ex-presidente Lula. Mas quem decide o voto do belo-horizontino é o belo-horizontino. Por isso, estou convencido que Marcio vai ter uma vitória com uma margem ainda maior do que aquela que as pesquisas já apontam, segundo as nossas pesquisas internas.

O STF definiu, os ministros definiram que os partidos receberam, sim, dinheiro, inclusive o PT, que foi o primeiro. Como o senhor avalia isso?

Não estamos trazendo a questão do mensalão para a campanha eleitoral. Mais uma vez, Marcio Lacerda, com absoluta correção, absoluta seriedade, não está misturando as coisas. Mas o Brasil está acompanhando. O que posso dizer é que esse julgamento do mensalão, que esperamos continue sendo um julgamento técnico como foi até aqui, estabeleça um novo patamar na política brasileira. Onde aqueles que, eventualmente, circunstancialmente, ocupam o poder, não acham que são donos dele. E o PT subverteu, repito mais uma vez, subverteu a regrar elementar da República, de que os partidos devem estar a serviço do Estado, os partidos devem estar a serviço do pais. O PT inverteu essa lógica e colocou o país a serviço do PT, de um partido político e do seu projeto de poder. E a população está percebendo isso. Talvez, em razão disso, o PT está tendo dificuldades enormes em todas as capitais brasileiras. Pelas informações que tenho, e eu tenho viajado o Brasil, apenas nesses próximos sete dias vou a 11 estados da federação, e apenas em Goiânia, capital de Goiás, o candidato do PT lidera as pesquisas. Isso talvez tenha alguma sintonia, alguma relação com o novo patamar ético e moral que os brasileiros querem ver estabelecido e consolidado na vida pública brasileira.

Mas falo o seguinte, estou feliz de estar em Venda Nova mais uma vez. Nenhuma outra região de Belo Horizonte me deu tanto apoio, foi tão solidária comigo ao longo dos meus oito anos de governo quanto Venda Nova e o Marcio vai ter pelo seu trabalho, pela sua seriedade, pela sua coerência, pela campanha correta que faz, sem ataques aos adversários, aqui também em Venda Nova, um extraordinário resultado.

O senhor achar que uma derrota do Serra em SP vai fortalecer, facilitar sua candidatura para 2014?

Não. Acho que de forma alguma. Primeiro, as eleições municipais não têm uma relação direta com as eleições nacionais. Haja visto todas as últimas eleições. Torço muito pelo Serra. Acho que para São Paulo seria muito positivo que, com sua experiência, a sua correção, ele vencesse as eleições e, obviamente, isso fortaleceria também as oposições. Conversei com ele esta semana, conversei muito com o governador Geraldo Alckmin e eles estão muito confiantes de que a queda eventual que houve se estancou e de que ele tem toda chance de estar no segundo turno. Pelo menos essa é a nossa expectativa.

E os ataques, também, feitos, ontem pelo candidato do PT, ao candidato Serra, mostram que eles também estão preocupados com a possibilidade de não estarem no segundo turno. Vamos torcer pelo Serra, porque para São Paulo seria muito bom. Vamos torcer pelo Serra, porque para São Paulo seria muito bom. Mas estou muito feliz porque, em Belo Horizonte, caminhamos para mais uma extraordinária vitória.