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Entrevista coletiva do senador Aécio Neves – Belo Horizonte

11 de abril de 2013

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Assuntos: Inflação, PIB baixo, governo federal, eleição 2014 


Neste momento, qual seria melhor: a inflação ou o aumento dos juros. Se o senhor fosse o presidente, o que faria? 

Tenho dito há um longo tempo, não apenas agora, que o governo do PT tem sido leniente com a questão inflacionária. Na verdade, o PT, desde a elaboração do Plano Real mostrou muito pouco compromisso com essa questão. O PT votou contra o Plano Real. E a administração da inflação tem sido, na nossa avaliação, frouxa, bamba. Estamos já constatando, por exemplo, que na faixa que recebe até 2,5 salários mínimos, e grande parte dos empregos gerados no Brasil nos últimos 10 anos está nessa faixa, a inflação de alimentos já atinge algo em torno de 15%, o que é algo extremamente grave. O governo, a meu ver, age de forma equivocada ao estimular, por um lado, o crescimento da economia apenas com base no incremento do consumo, porque ao mesmo tempo o governo cria um clima de insegurança para investimentos privados, com esse intervencionismo jamais visto na história do Brasil em todos os setores da economia. E utiliza de instrumentos de microeconomia, como desonerações em determinados de setores da economia para tratar de questões macroeconômicas. 

O combate à inflação, o Plano Real, foi, ao seu tempo, o mais vigoroso programa de distribuição de renda já feito no Brasil moderno. No momento em que você tirou de algumas dezenas de milhões de famílias o imposto inflacionário. Isso é extremamente grave, o PT até aqui tratou isso de forma absolutamente secundária e é preciso que trate de forma muito firme. Esse é um patrimônio dos brasileiros, que o governo do PT herdou do governo do PSDB, herdou do governo Fernando Henrique e, infelizmente, já coloca em risco. 

Mas é hora de subir juros? 

Não cometeria a imprudência de, daqui, ditar normas para o governo ou sugestões. Até porque não estou no governo e esta é uma responsabilidade do governo. São inúmeros os instrumentos que o governo dispõe, esse é um deles. Cabe ao governo federal, ao Banco Central, tenho sempre dito que é preciso que o Banco Central tenha independência efetiva, usar desses instrumentos. Não vou dar receita para o governo, seria imprudente. O que faço é uma constatação. Esse é o nosso papel, da oposição. Que a inflação fora de controle é um risco muito grande para a sociedade brasileira.

Sobre o crescimento da economia este ano, o PT tem dito que se o Brasil crescer 3% esse ano, com uma inflação de 6%, muita gente está dizendo que é garantia para reeleição da presidente Dilma. 

Não temos que tratar apenas dos efeitos eleitorais da economia. Todos queremos que o Brasil cresça mais. O período da presidente Dilma foi o de mais baixo crescimento desde a era Collor. Crescemos na América do Sul mais apenas que o Paraguai, algo inadmissível. O governo do PT tem a tática de terceirizar os problemas, mas não é mais possível debitar essa questão do crescimento a crises externas, à crise internacional. Os Estados Unidos voltam a se recuperar. 

O que vejo com os economistas com os quais tenho conversado é que há um clima externo hoje diferente em relação ao Brasil, diferente do que havia há um ou dois anos, de muita insegurança. E obviamente esses recursos que poderiam estar vindo para incrementar a economia, para auxiliar a fadiga desse modelo que estimula o crescimento apenas pela demanda, não estão vindo para o Brasil. Estão buscando portos mais seguros. Isso é extremamente grave. Mesmo que crescemos 3%, tomara que cresçamos 3% ou mais, o período da presidente Dilma será de baixíssimo crescimento. E segundo o próprio Banco Central, em nenhum dos quatro anos, já prevendo esse e o próximo, a inflação chegará ao centro da meta, o que mostra, repito, uma flexibilização do governo. 

Isso é extremamente grave e é preciso que o governo desça do palanque, o que vemos é um governo que administra com olhos apenas nas eleições, disse outro dia no Congresso e repito, quem governa o Brasil hoje é a lógica da reeleição.  Essa chamada reforma ministerial é incompreensível. Reforma ministerial deve vir, em qualquer sociedade democrática, ou para melhorar a eficiência ou para diminuir custos do governo. Aqui não. Alarga-se a base do governo. Impensável que você possa ter mais de 4 mil cargos comissionados no âmbito da Presidência da República. E falo com autoridade de quem no início do governo aqui em Minas cortou 3 mil desses cargos, exatamente desses cargos. No governo do Fernando Henrique, herdado pelo PT, eram 1,2 mil desses cargos. 

O governo do PT gasta mal, gasta muito. Administra com enorme ineficiência. O conjunto de obras paralisadas no Brasil é imenso. Os gargalos de infraestrutura estão nos levando a um papel quase que ridículo de estarmos comemorando, por um lado, uma safra recorde de grãos, e pelo menos 20% dessa safra não chegará sequer aos portos. Porque não há logística para isso. Não há investimentos, planejamento para investimentos em ferrovias, em hidrovias, em rodovias. Acho que o governo da presidente tem falhado no que diz respeito a induzir o crescimento econômico e falhado naquilo que era sua grande marca, da gestora eficiente. O governo do PT é mal gerido e isso infelizmente traz perspectivas sombrias para o nosso futuro. 

O senhor ficou surpreso com Eduardo Campos sendo um presidenciável? 

Sou amigo do Eduardo Campos há quase 30 anos. Foi meu colega na Câmara dos Deputados, tenho com ele relação pessoal muito profunda e enorme respeito pelo Eduardo. Saúdo sua candidatura, sua presença no quadro eleitoral como algo absolutamente saudável. Como estimulo também a Rede, de Marina, que acho também, disse hoje a um veículo de São Paulo, traz uma lufada de ar puro no ambiente tão contaminado com essa compra de apoios de partidos políticos através de cargos públicos. Quem me parece estar preocupado com essa e outras candidaturas é o governo do PT. 

Ontem mesmo, na Câmara, o PT tentou aprovar urgência para um projeto que praticamente inviabiliza a criação de novos partidos. Quando serve a eles, apoia, como fizeram recentemente. Quando não interessa, impedem. O que hoje a meu ver, e essa antecipação do processo eleitoral é a radiografia clara disso, retrato claro disso, é a preocupação crescente do governo com o resultado eleitoral.  

Caberá ao PSDB, no momento certo apresentar o seu nome e, nesse momento, cabe ao PSDB e aos outros partidos de oposição discutir um projeto alternativo para o Brasil que foque na gestão pública eficiente e mais solidariedade com a federação. 

Eu quero dizer aqui que o governador Anastasia, hoje, com esse ato, ele consagra aquilo que temos defendido há muito tempo, na prática, que é a valorização da federação, são recursos na veia dos municípios de forma absolutamente republicana. Esse programa lançado hoje em Minas Gerais é um exemplo para todo o Brasil de como as coisas devem ser feitas. Só governos eficientes e generosos fazem isso. Então, é um momento de muita alegria para todos nós que apoiamos e acompanhamos o governo Anastasia e é um modelo para inspirar, no futuro, os governantes nacionais. 

O Diniz Pinheiro e o Alberto Pinto Coelho formarão a chapa para 2014? 

O PSDB tem uma virtude e acho que esta virtude nos faz superar inclusive nossos possíveis adversários. Temos vários nomes altamente qualificados. Você citou dois deles e que no momento certo vão convergir. O que temos em Minas aprovado, e sucessivamente aprovado, é o modelo de gestão que respeita o dinheiro público, que age com transparência, com eficiência, e que possibilita que os indicadores sociais em Minas avancem mais que a média nacional em praticamente todos os últimos dez anos. 

Este modelo foi aprovado pela população de Minas pelo menos duas vezes. Na minha reeleição e na eleição do governador Anastasia. E acredito que será mais uma vez aprovado porque estaremos unidos. O que posso dizer é que o conjunto de forças que apoiam hoje o governador Anastasia vai estar unido para apresentar a Minas Gerais um novo salto, um novo degrau de desenvolvimento econômico e social. 

Mas o nome deste candidato vai depender da costura do senhor nacional 

Essa é uma construção mineira que vai acontecer com muita naturalidade. As coisas que dão certa na política são as coisas naturais. E como disse, o nosso partido, o nosso grupo de aliados tem nomes muito qualificados e não teremos dificuldade, no momento certo, através do entendimento das forças políticas que estão ao nosso lado indicar quem serão os nomes que vão representar esse grupo político para, mais uma vez, vencermos as eleições para o bem de Minas Gerais.